Crítica | Chamas da Morte (1981)

estrelas 3

Separados apenas pelo prestígio mercadológico. Talvez esta seja a única diferença entre Chamas da Morte e Sexta-Feira 13, ambos lançados em períodos próximos (na verdade este filme estreou uma semana depois de Sexta-Feira 13 Parte 2). Motivado por uma vingança, um homem realizará uma série de inventivos assassinatos de colocar inveja nos Medalhões da Segunda Era do Horror (Jason, Freddy e Michael).

Com direção de Tom Savini, responsável pela maquiagem no primeiro filme da franquia do dia do azar, Chamas da Morte é a representação cabal do subgênero slasher movie: mulheres seminuas, jovens entre piadas e brincadeiras pueris, sensualidade à flor da pele e desejo sexual latente, tendo uma figura psicótica como o “estraga prazer” dos adolescentes incautos.

Quando o filme começa sabemos que alguns garotos decididos a fazer uma brincadeira com o zelador do acampamento de férias, mas eles acabam provocando um acidente que o deixa, como citado no filme de maneira bastante ácida, um “Big Mac Humano”. Cinco anos depois, o alvo do acidente, Crospy (Lou David), obstinado a vingar-se das pessoas responsáveis, traça um rastro imenso de sangue, gerado através de mortes extremamente violentas.

O ambiente é o mesmo: um acampamento de férias. Antes de sabermos que Crospy está disposto a trucidar os jovens do local, somos apresentados ao seu destino. Depois de queimar desesperadamente, o personagem se debateu e rolou até cair no lago. Depois de enxertos e outros procedimentos médicos, o paciente foi liberado, pois nada resolveu as sequelas do seu acidente.

Assim que sai do hospital, Crospy segue para uma zona de prostituição. Solicita os serviços de uma “atendente”, pede para fazer sexo no escuro, mas por conta de um clarão repentino, sua imagem é apresentada para a moça, que ao se negar a se relacionar sexualmente com “o monstro”, é assassinada a golpes de tesoura de costura. Pronto: renegado e deformado, o revoltado e vingativo Crospy segue a sua saga por crimes violentos.

No acampamento Stone Water, os jovens em férias sentirão a sua ira. Antes ele era apenas um zelador alcoólatra resmungão que destratava as crianças, mas desta vez, tornou-se o responsável por dar início ao ciclo de mortes “desenhadas” por Tom Savini, o responsável pela maquiagem no aterrorizante Despertar dos Mortos, de George A. Romero, bem como pelo visual de Jason. Desta vez, o profissional se supera, pois a monstruosidade do antagonista da franquia Sexta-Feira 13 não chega aos pés do homem queimado em Chamas da Morte.

Os arquétipos estão reunidos: um insuportável valentão, a moça sapeca e sexualmente ativa, a bela/recatada e do lar, além do herói da narrativa, Alfred (Brian Backer). E, tais como os arquétipos de outras produções, nesta narrativa de horror, o caminho destes personagens não seria diferente: muitos morrerão, num espetáculo de horror onde o assassinato é tão ensaiado como um número musical. Não se sabe bem quem “homenageou” quem, mas a famosa cena dos personagens ao redor da fogueira, conversando sobre a lenda de um assassino em série que se vingou por conta de algum dano do passado está presente, também, em Chamas da Morte.

Dirigido por Tony Maylan, este slasher de 91 minutos foi lançado em 1981, mesmo ano do retorno de Michael Myers ao cinema, no interessante Halloween 2 – O Pesadelo Continua, época que o subgênero chamava atenção também com o curioso uniforme de minerador do psicopata de Dia dos Namorados Macabro. Produzido entre o Canadá e os Estados Unidos, o roteiro, assinado por Harvey Weinstein, em parceria com Tony Maylan, não fugiu às regras gerais do estilo que dominava as salas de cinema, mas modificaram apenas o foco do protagonismo, assumido por o que podemos chamar de final boy, algo diferente das histéricas final girls que sofriam os diabos para conseguir sobreviver. Ah, os famosos sintetizadores, que fizeram sucesso em Halloween – A Noite do Terror, também se fazem presentes neste filme.

Chamas da Morte (The Burning) — Estados Unidos/ Canadá, 1981
Direção: Tony Maylam
Roteiro: Harvey Weinstein, Tony Maylam, Brad Grey, Peter Lawrence, Bob Weinstein
Elenco: Brian Matthews, Leah Ayres, Brian Backer, Larry Joshua, Jason Alexander, Ned Eisenberg, Fisher Stevens, Bonnie Deroski, Holly Hunter, Kevi Kendall
Duração: 85 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.