Crítica | Chantagem e Confissão

estrelas 2,5

Chantagem e Confissão, baseado na peça Blackmail de Charles Bennet, foi o primeiro filme sonoro inglês. O longa-metragem, contudo, fora inicialmente concebido como mudo e somente durante sua produção que a British International Pictures decidiu realizar a conversão. Nos cinemas, as duas versões foram exibidas.

A  história nos conta de Alice White (Anny Ondra), que decide se encontrar com um artista, após uma briga com o namorado e detetive da Scotland Yard, Frank Webber (John Longden). Esse encontro havia sido agendado secretamente pela garota e, mais tarde, naquela noite, ela acaba indo para o apartamento desse outro homem. Quando o artista tenta se forçar em Alice, ela o mata em uma tentativa de se defender.

O filme se desenvolve a partir da culpa da garota que permanece durante todo a duração do longa. Isso é amplificado quando uma testemunha da presença de Alice na cena do crime aparece e decide chantagear tanto ela quanto o namorado. Frank sabe da culpa de Alice, porém acoberta a verdade da Scotland Yard.

Os problemas de Chantagem e Confissão encontram-se, em geral, no roteiro, edição e alguns pontos na atuação da personagem feminina. O início do filme é um tanto confuso e não nos é dado um motivo pelo qual Alice quer se encontrar com o artista. Esse encontro secreto parece ter sido colocado no roteiro somente como desculpa para um assassinato ocorrer.

Em diversos momentos, a constante indecisão de Alice soa bastante artificial, fator que é ainda mais aumentado pela passagem de tempo não bem definida. Faltam transições que deixem esse passar dos minutos mais claros e orgânicos. Ao invés disso nos são apresentados alguns cortes que quebram a continuidade da cena.

A cena do assassinato em si, momento chave do filme, não passa nenhuma emoção – resultado do completo silêncio no qual somos deixados durante a ação. Uma simples música mais dramática poderia ter resolvido esse problema. A partir daí vemos a mudança no espírito da personagem, agora desolada pelo assassinato.

Nos primeiros instantes após a morte, a personagem interpretada por Anny Ondra, parece ter sido retirada de um filme expressionista alemão. Sua atuação é quase que robótica, causando um profundo estranhamento no espectador e garantindo uma total artificialidade à cena.

A tensão do filme se apresenta quando o elemento da chantagem é inserido. É também quando o longa se encaminha para o seu desfecho, que embora se dê rapidamente, é bastante satisfatório.

O fato de muitos dos sons terem sido inseridos no meio da produção acabam criando inúmeros sons fora da tela. Além disso o filme é marcado pela ausência de som ambiente e ruídos. Estes estão presentes somente em algumas cenas. Os diálogos sem muita importância para a trama estão em volumes muito mais baixos que os realmente significantes e, de fato, não são necessários para o entendimento.

Chantagem e Confissão merece ser visto por qualquer cinéfilo pelo simples fato de ter sido o primeiro filme sonoro inglês. A história, embora seja claramente de Hitchcock, não surpreende. Com seu valor histórico bem definido, o filme não é um dos melhores do renomado diretor.

Chantagem e Confissão (Blackmail) – UK, 1929
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Alfred Hitchcock (adaptação da peça de Charles Bennett)
Elenco: Anny Ondra, John Longden, Sarah Allgood, Cyril Ritchard, Charles Paton.
Duração: 85 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.