Crítica | Chico Bento Moço #12: Mundos em Conflito (Encontro com a Turma da Mônica Jovem)

Chico Bento Moco mundos em conflito com a turma da monica jovem

estrelas 1,5

Como um adulto que gosta de ler, estudar e escrever sobre quadrinhos, eu sempre procuro manter a mente aberta para todo tipo de publicação, nacional ou gringa, investindo em um grande número de “segundas/terceiras/quartas chances”, mesmo que algumas produções não mereçam tantas chances assim. Este foi o caso da edição #12 da revista Chico Bento Moço, série que eu vinha acompanhando com grande entusiasmo e que desde o arco Perdidos no Pantanal parece ter tido muitas dificuldades para encontrar o caminho de volta.

Mas se você gosta da série, por quê este foi o caso de dar a ela uma outra chance?“, perguntaria o leitor.

A resposta é simples: levando em consideração a linha nada interessante da Turma da Mônica Jovem e a potencial linha da revista Chico Bento Moço, eu imaginei que a trama aqui daria mais lugar ao estilo narrativo, situações e investidas pop que dominam e massacram a TMJ, criando uma história que até poderia ser possível dentro da ficção científica, mas em termos dramáticos seria fraca, pouco ou nada empolgante e com invenções terrivelmente bizarras.

Pois bem, eu não estava errado.

Flávio Teixeira de Jesus desaponta no roteiro de Mundos em Conflito, trazendo à tona de forma chata e quase indigerível o conceito de preservação da natureza. O roteirista usa de um elemento tecnológico próximo aos filmes B de sci-fi (e vejam, eu não acho esse tipo de relação algo ruim) e cria algo que seria melhor entendido dentro da dinâmica da turma do Limoeiro do que na faculdade do Goiabento.

Como possuem propostas diferentes, as duas revistas deveriam ter se encontrado usando a “desculpa” de algo que claramente possuem em comum, elemento este colocado em segundo plano e trazido à tona de maneira orgânica e muito bonita apenas no final da aventura.

Será que é sempre necessário um conflito de explodir mentes, um ultra vilão e uma saga fantástica no universo atual dos personagens de Mauricio de Souza? A resposta para esta pergunta está na própria revista Chico Bento Moço, que em tramas  como Um Novo Começo, Vida na República, A Primeira Semana, Mudanças / Amigos Para Sempre, Bicos e Altas Confusões / Desencontros e Mistério na Roça provaram que é possível mostrar a vida de um jovem universitário com alto nível de verossimilhança e, acima de tudo, com alta qualidade narrativa sem apelar para bizarrices narrativas, imitação de filmes, séries de TV e megalomania importada das grandes editoras estadunidenses.

O que vemos em tramas como Perdidos no Pantanal e Mundos em Conflito é justamente a nivelação por baixo da inteligência dos leitores, a chateação de um conceito inicialmente interessante e necessário (questão ambiental) em um universo de quadrinhos que merecia algo muito melhor.

A parcela de culpa que dou à TMJ é porque ela tem muito mais peso que o universo do Chico Moço, logo, a história deveria ser (e foi!) pensada para dar maior destaque à Turma, além da citação de um grande número de elementos de seu universo. Perceba que o ambiente do Chico é colocado de lado em praticamente toda a história, mesmo que vejamos parte do conflito ser resolvido na Universidade de Nova Esperança. A praga e os gafanhotos não são o bastante para fazer a ligação dramática, portanto, parece que estamos mais em uma história da TMJ com a visita do Chico do que o contrário. E para piorar, a ligação deste ambiente universitário ou natural próprios da revista do Chico não foram nem de perto bem localizados no mundo da ficção científica.

Mas esta boa localização seria possível?, pergunta o leitor inconformado.

E a minha resposta seria: sim! Com um bom roteiro, pode-se colocar a ficção científica até no meio da roça, como vimos acontecer de forma irreparável em uma ótima história do Chico Bento, Pavor Espaciar.

O que se salva em Mundos em Conflito é o final, onde vemos a conversa do Chico com o fantasma-reitor da Universidade, o piquenique com a Turma e a reflexão mediante uma frase de Victor Hugo. Se Flávio Teixeira de Jesus pudesse criar um conflito tendo a amizade e esse tipo de reflexão como focos, o resultado para Mundos em Conflito seria completamente diferente, não apenas a tentativa canhestra de aproximar os quadrinhos dos blockbusters sci-fi, sacrificando o excelente trabalho que ele próprio realizou nas primeiras edições da revista. Uma pena!

Chico Bento Moço #12: Mundos em Conflito (Encontro com a Turma da Mônica Jovem) – Brasil, julho de 2014
Roteiro: Flávio Teixeira de Jesus
Arte: José Aparecido Cavalcante, Lino Paes
Arte-final: Diversos
Páginas: 130

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.