Crítica | Child of Light

estrelas 5

Nada como o entretenimento para ressaltar os avanços tecnológicos das últimas décadas. Pouco a pouco o desenho à mão foi perdendo espaço para as animações em 3D, cada vez mais realistas em movimentos e textura, mantendo, geralmente, os traços caricatos. Nos games vemos o constante perfeccionismo gráfico, tentando trazer pessoas inventadas para a realidade. Dentre tamanhos exageros do CGI, porém, é revigorante se deparar com algo que se destaca justamente pelo seu trabalho à mão, Child of Light é uma dessas obras e suga cada centelha de nossa atenção desde a cinemática inicial.

Entramos em um mundo do conto de fadas. Claramente se inspirando em  A Bela Adormecida, temos Aurora, uma princesa de um reino próspero, que cai em um sono profundo, sendo acreditada morta pelo seu pai. A jovem, contudo, acorda em um lugar fantástico, onde a luz e a escuridão estão constantemente em conflito. O objetivo da menina é voltar para casa, mas, aos poucos, ela enxerga que tal façanha não será assim tão simples. Child of Light trabalha em cima de sua protagonista, nos trazendo uma garota frágil e amedrontada que, lentamente, se torna a heroína que vemos na capa. Sua progressão é tão fluida quanto os movimentos que vemos em tela.

col1_pc

O game conta com um visual hipnotizante, mesclando perfeitamente o 3D com o desenho e pintura à mão. Sua arte, inspirada nos trabalhos de Yoshitaka Amano (responsável pela série Final Fantasy) e Studio Ghibli são a ideal maneira de se contar o conto de fadas proposto. Esse tom do jogo é ainda ressalvado pelos diálogos em rima, como se realmente estivéssemos lendo um livro infantil – por mais que a temática adote temas adultos e complexos, que atuam como metáforas para a “vida real” de Aurora – algo similar ao que vemos em Ni No Kuni.

A exploração em ambientes 2D, resolvendo quebra-cabeças e outros desafios é intercalada pelas lutas muito bem trabalhadas. Aqui vemos uma clara influência dos JRPGs, formando uma batalha em turnos, porém completamente dinâmica. Como esperado, cada embate se torna progressivamente mais difícil, dando espaço para o jogador se acostumar com as mecânicas apresentadas. Isso, contudo, não irá custar muito tempo, já que são bem simples. Aqueles que jogaram South Park: The Stick of Truth irão sentir uma certa familiaridade.

col2_pc

Como todo bom RPG, o que não poderia faltar, obviamente, é a progressão em níveis. Nesse ponto presenciamos um avanço bastante fluido e recompensador, não requisitando um excesso de grinding. As habilidades novas podem ser adquiridas a cada level através de uma árvore de skills bastante clara, sem muitas complicações. Trata-se de um trabalho da mesma equipe de Far Cry 3, algo que fica bastante evidente através do próprio design desses menus. São necessários poucos minutos para entendermos tudo que há no game.

Por último, mas não menos importante, temos a trilha sonora da canadense Cœur de Pirate, que amplifica, com exatidão, o tom da obra. Desde a melancolia dos primeiros trechos, até as mais dramáticas batalhas contra chefes, ouvimos peças que simplesmente não podemos deixar de notar.

Child of Light é uma verdadeira obra de arte, um jogo hipnotizante, seja pelo seu cuidadoso trabalho visual, pela progressão da narrativa ou pela sua jogabilidade simples e sólida. A Ubisoft novamente nos traz um game que mescla organicamente o 2D com o 3D, como visto em Rayman, para nos contar um verdadeiro conto de fadas.

Child of Light
Desenvolvedora:
Ubisoft Montreal
Lançamento: 30 de Abril de 2014
Gênero: RPG
Disponível para: PC, Ps3, Ps4, WiiU

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.