Crítica | Chroma Squad

estrelas 4,5

Chroma Squad é uma homenagem à Power Rangers no formato de RPG tático e com gráficos pixelados no melhor estilo anos 90. Mas mais do que um jogo indie, nacional e nostálgico, esse game da Behold Studios é, sem dúvida alguma, um jogaço.

Controlando uma equipe de atores, o grande tema do game é fazer episódios para um seriado televisivo com inspiração nos super sentais. Todo o formato acompanha a luta com monstros de massinha até batalhas entre chefões e o robô gigante da equipe controlada pelo jogador no final dos episódios. O objetivo é passar cada fase, ganhar audiência, dinheiro, fãs e customizar seu time. Você é o diretor. E aqui começa um dos pontos grandes de Chroma Squad: é fácil se empolgar com a personalização dos seus rangers, desde os atores escolhidos – baseados em atores da vida real como Scarlett Johanson e Danai Gurira – as cores de suas roupas, suas armaduras, o contrato de marketing, o robô e até, principalmente, o nome da equipe, do grito de guerra e do chamado do  Megazord.

Com bela dose de humor, o game aposta nos diálogos e na caixa de entrada do estúdio para criar uma interação divertida que deixa a ambientação do jeito necessário para esse tipo de jogo leve. Ao mesmo tempo, a trilha sonora é uma delícia de ouvir, principalmente para os fãs de longa data de Power Rangers entre outros. É o melhor game da equipe, mesmo sem ser exatamente dos guerreiros da Saban. Bate uma saudade instantânea dos episódios e dos games de Super Nintendo.

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Mas nada disso valeria a pena se a jogabilidade fosse problemática. Felizmente, ela é fantástica. O design dos cenários dá grande variedade ao jogo assim como as habilidades de cada personagem e a customização feita pelo jogador. Inimigos distintos, com diferentes características, adicionam um grau de desafio enriquecedor assim como os challenges propostos pela direção do episódio, como atacar três monstros com determinado guerreiro ou derrotar o chefe com um golpe especial. O game te faz querer executar os golpes com o melhor grau estético possível ao mesmo tempo que te faz pensar em estratégias dinâmicas se colocado na dificuldade mais difícil. Trata-se, enfim, de um rpg de turnos feito com esmero visível e maleável para diversos tipos de jogadores.

Dentro da sua proposta, Chroma Squad encanta e sabe muito bem nos colocar dentro de um universo criativo, cheio de comédia e euforia. É um jogo que vicia. Um episódio não dura tanto tempo e traz desafio e humor ao jogador na medida certa. Não é um game perfeito, todavia. Um mercado mais interativo e complexo poderia trazer ainda mais envolvimento com o game, assim como uma maior variedade de monstros de massinha, ainda que haja uma quantidade razoável de diferença de poder em cada. Mas são detalhes que não atrapalham a jogatina. O fã de RPG vai aproveitar, assim como o fã de Super Sentai. Na realidade, qualquer um que procura um ótimo jogo para se entreter vai se maravilhar com essa produção – e digo com orgulho – brasileiríssima.

Chroma Squad
Desenvolvedor: Behold Studios
Lançamento: 30 de abril de 2015
Gênero: RPG
Disponível para: PC

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.