Crítica | Cinderella (2015)

estrelas 4Walt Disney conseguiu criar um mundo mágico que atrai crianças e adultos no mundo inteiro. Isso é um fato. Com animações estonteantes e que transcenderam o tempo, tornando-se clássicos do cinema e de referências eternas, pois a geração de crianças de hoje aprende a se encantar com os mesmos personagens que seus pais e até mesmo avós se encantavam na infância e isso, não tem preço.

A personagem em questão já foi moderna com all star em A Nova Cinderela, se perdeu do seu príncipe em Once Upon A Time e mais valente em Para Sempre Cinderela. Porém, mesmo sendo revisitada outras dezenas de vezes, nunca pelas mãos do estúdio responsável por todo o seu sucesso.

Agora, em Cinderella (sim, com 2 ll) vemos não apenas mais uma vez o conto de fadas que todos conhecem, mas, uma versão adulta, mais fiel ao conto original e com toques extras que serviram para abrilhantar mais o longa.

Ella é uma jovem especial. Vive feliz com seus pais em uma fazenda e é adorada por todos, inclusive os animais que são seus melhores amigos. Ella acredita que eles podem entende-la perfeitamente, pois há um pouco de magia em tudo. Os dias são sempre divertidos e quando seu pai retorna das viagens, lhe traz presentes diferentes, tal qual a própria filha. A família não poderia ser mais feliz, no entanto, a mãe de Ella cai doente e acaba falecendo. Pouco tempo antes de morrer faz um pedido à filha, que seja sempre gentil e corajosa.

Triste por sentir falta da esposa e por ter que deixar a filha sozinha em casa enquanto viaja, o pai de Ella decide que é hora de casar de novo e é assim que a jovem ganha uma Madrasta e duas meia-irmãs. Acostumadas a um meio social completamente diferente Anastasia e Drisella zombam de Ella sempre que podem e sua Madrasta ressente o quanto ela e o pai se amam e são próximos, juntando-se as suas filhas na zombaria. Não demora muito outra desgraça assola a vida da moça quando seu pai acaba falecendo uma das viagens, deixando-a sozinha no mundo. Antes dona da casa, Ella passa a ser empregada e a dormir no sótão, contando apenas com a companhia dos seus estimados amigos roedores. Seus dias se resumem a serviços domésticos, cuidar dos animais da fazenda e a atender aos pedidos mais absurdos do trio ao qual ficou presa. Ainda assim, Ella que passa a ser chamada de Cinderella por suas algozes acredita que algo de bom pode lhe acontecer e não estava errada.

Bem, daqui para frente todos sabem como o conto se desenrola, com leves diferenças, que não serão descritas aqui para não estragar a experiência.

O principal é que essa versão de Cinderella soube tocar em pontos interessantes da história, como a infância da personagem, por exemplo, e também mostrar a mãe o que é algo raro nas animações da Disney em geral e um fator em comum que a maioria das princesas possuem. Existe toda uma psicologia envolvida nisso, mas não chegarei a tanto.

Quem interpreta a mãe da princesa é ninguém menos que Hayley Atwell que além de ser durona e deixar muito marmanjo no chão e, eventualmente um exemplo feminino forte em Agente Carter, também é doce, gentil e possui uma voz angelical, há algo que essa atriz não faça bem? Creio que não. Outra personagem feminina de destaque no longa é a da atriz Cate Blanchett, que mesmo interpretando a vilã e estando numa posição de raiva instantânea dos espectadores, acaba criando empatia ao demonstrar fraquezas e um passado antes desconhecido. Na verdade, as personagens femininas são um ponto forte em todo o filme, incluindo as irmãs postiças que carregam a veia cômica de forma leve e espontânea.

Existe todo um cuidado especial com vários aspectos de Cinderella, contudo os figurinos, tal como os cenários foram elaborados de maneira bem calculada e acabam sendo um vislumbre para os olhos. Os personagens possuem esquemas de cores próprios e um não usa a cor do outro, exceto as irmãs que acabam fazendo dobradinha e se vestindo de forma idêntica apenas intercalando as cores, com vestidos que beiram o ridículo e que são parte fundamental para a construção das personagens. Já o famoso vestido de baile da Cinderella que foi replicado nove vezes e tem metros e metros de tecido é o ingrediente secreto de uma das cenas mais emocionantes de todo o longa.

O curta que foi muito falado de Frozen: Febre Congelante, e que passa antes do filme começar é um deleite. Em pouco mais de dez minutos temos situações hilárias envolvendo Olaf, Kristoff, Sven e novos amigos que surgem a cada vez que Elsa dá um espirro, pois, quem diria a Rainha do Gelo tem alergia a Primavera. E mesmo muito doente ela não quer estragar o aniversário da irmã. Só que não dá para controlar nossos espirros não é mesmo?

Cinderella pode não ser a princesa mais encantadora dentre todas as conhecidas, mas aqui, neste filme, ela reina de forma absoluta e imponente graças a direção de Kenneth Branagh e a impecável atuação de Lily James.

Cinderella (Cinderella – EUA 2015)
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Chris Weitz
Elenco: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden, Helena Bonham Carter, Nonso Anozie, Stellan Skarsgard, Sophie McShera, Holliday Grainger, Derek Jacobi, Ben Chaplin, Hayley Atwell, Rob Brydon, Jana Perez, Alex Macqueen, Tom Edden
Duração: 105 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.