Crítica | Cold in July

estrelas 4

Certamente os fãs de Dexter vão estranhar muito a mudança de visual e comportamento do ator Michal C. Hall em seu novo trabalho Cold in July. Bem diferente do papel de serial killer pelo qual ficou conhecido na série do canal Showtime, dessa vez Hall é Richard Dane um pai de família texano que se vê numa enrascada quando sua casa é invadida e ele acaba atirando no bandido que morre na hora.

Em poucas horas todos na pequena cidade em que vive ficam sabendo do ocorrido e ou querem parabenizá-lo ou perguntar mais detalhes. Bastante abalado com tudo, Richard sem saber acaba colocando sua família em risco ao descobrir que o pai do garoto (Shepard) que matou está na cidade e quer vingança. O homem que já esteve preso faz ameaças a Richard e sua família e chega até a invadir sua casa. Contudo ele é capturado pelos policiais e parece que agora tudo vai ficar bem. Ao chegar à delegacia para finalizar a papelada da invasão, Dane se depara com o quadro de bandidos procurados e vê a foto do homem que dizem que ele matou, mas, tem certeza que não foi nessa pessoa que ele atirou.

Ele até tenta conversar com o Delegado, mas o mesmo insiste dizendo que ele se confundiu e que está tudo bem. Sentindo que há algo estranho, Dane decide investigar por conta própria e descobre a ponta do icerberg de uma longa e confusa armação.

Cold in July começa devagar e aos poucos vai elevando tanto o nível da trama, quanto das atuações e a tensão no longa. O filme que é situado no final da década de 80 e é baseado em um livro da mesma época, encontra em seu elenco o elemento imprescindível para fazer tudo funcionar como deve.

Michael C. Hall que interpreta o típico homem de família interiorano e um tanto submisso à esposa, muda completamente após matar um homem e descobrir uma estranha amizade e companheirismo em Russel, personagem do veterano Sam Shepard. A mudança de comportamento é extremamente sutil e evidencia o ótimo ator que Hall pode ser com a direção certa. Já Shepard possui um papel que não há como fugir muito daquilo proposto. Quando juntos é que a magia começa de fato a acontecer e um excelente filme se desdobra bem diante dos nossos olhos. No entanto, a cereja do bolo é a aparição repentina de Don Johnson em seu brilhante Cadillac vermelho interpretando um detetive particular e amigo antigo de Russel. Juntos eles vão desvendar o mistério em relação a troca de identidades entre o morto na casa do Richard e o filho de Russel e descobrir por qual razão a polícia omitiu e escondeu alguns fatos.

Com isso, podem esperar cenas intensas de tiros que ficam ainda melhores com a meticulosa fotografia de Ryan Samul, em especial a cena que o sangue atinge a lâmpada no teto e colore o cenário de vermelho.

O diretor Jim Mickle não é muito conhecido, mas ficou evidente que bebericou de leve na mesma fonte que Tarantino retira suas cenas de ação.

Cold in July foi certamente uma das melhores surpresas no Festival do Rio desse ano. Merece ser visto e revisto.

Cold in July (Cold in July – USA 2014)
Direção: Jim Mickle
Roteiro: Nick Damici, Jim Mickle, Joe R. Lansdale (livro)
Elenco: Vinessa Shaw, Michael C. Hall, Wyatt Russell, Don Johnson, Sam Shepard, Bill Sage, Nick Damici, Brianda Agramonte, Tim Lajcik, Lanny Flaherty, Rachel Zeiger-Haag, Brogan Hall, Kristin Griffith, Happy Anderson, Ken Holmes
Duração: 109 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.