Crítica | Como Não Perder Essa Mulher

estrelas 3,5

Fui assistir a Como não perder essa mulher tendo lido apenas a rasa sinopse do cinema. O que eu esperava era mais uma comédia romântica que cai na velha fórmula já conhecida por todos. Afinal é isso que o título brasileiro, o cartaz do filme e a chamada “todo mundo ama finais felizes” nos passam. Eles nos enganam direitinho.

O filme conta a história de Jon Martello (Joseph Gordon-Levitt), um homem cuja vida se resume a trabalhar como barman, levar mulheres para a cama sempre que conseguir, seu carro, sua família e a Igreja. Isso muda quando conhece Barbara (Scarlett Johansson) pela qual se apaixona e acaba mudando vários aspectos da vida por ela. Até aí temos uma típica trama de uma comédia romântica, mas vamos aprofundar.

Desde o início do filme, Jon afirma sentir mais prazer através da pornografia do que com o sexo. Segundo ele não consegue esquecer de todo o resto durante a relação sexual, enquanto que pelo pornô ele consegue. Essa sua preferência, é claro, não o impede de ter diversas belas parceiras diferentes toda semana (fato que garante a ele o título de Don, dado pelos seus amigos).

A comparação feita pelo personagem entre o sexo e a pornografia é feita através de imagens bastante explícitas e uma ótima edição que permeia todo o filme. Sem dúvidas a montagem e edição são o melhor do longa e garantem risadas pela ironia criada pelo encadeamento de imagens antagônicas. Desde já fica explícita a crítica que o filme quer fazer à essa sociedade objetificadora de “one night stands”, isso é ainda ampliado pela boa atuação de Joseph Gordon-Levitt, ainda mais dirigindo a si próprio.

A personagem de Julianne Moore entra de maneira bastante natural na trama, ainda que, à princípio, passe a impressão de ser uma louca que não respeita a privacidade. Ela funciona como o oposto do personagem de Jon no início do filme. É a catalisadora da evolução do personagem principal, que funciona bastante bem até o quarto final do longa, mas que no final acaba correndo um pouco, fazendo a transformação do personagem parecer como da água para o vinho. Isso acaba diminuindo o impacto da crítica que o filme quer passar.

O som tem um espaço de destaque em Como não perder essa mulher. A trilha sonora é trabalhada em perfeita harmonia com a montagem. Em destaque está o som feito pelo ligar do computador que passa a significar “momento pornô” dentro da narrativa.

Em seu primeiro longa-metragem como escritor e diretor, Joseph Gordon-Levitt nos mostra que consegue sair do lugar comum das comédias românticas, fazendo um filme bem dirigido, com boas atuações e com uma ótima montagem e edição. Como não perder essa mulher não poderia estar mais distante do próprio título e cartaz brasileiro. É um filme crítico que se encaixa perfeitamente em nossa realidade, onde quase tudo vira objeto. Merece ser visto, especialmente por adolescentes, que devem ver que há mais na vida do que um final feliz.

Como Não Perder essa Mulher (Don Jon, EUA – 2013)
Direção: Joseph Gordon-Levitt
Roteiro: Joseph Gordon-Levitt
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Brie Larson, Glenne Headly
Duração: 90 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.