Crítica | Como Um Pássaro Sobre o Fio

estrelas 3

Telefilme diferente de tudo o que Fassbinder já havia feito e ainda faria em sua carreira (guardando, talvez, alguma semelhança de concepção com Teatro em Transe), Como Um Pássaro Sobre o Fio é uma espécie de junção de pequenos clipes musicais unidos pela história de vida da atriz Brigitte Mira, que canta algumas canções dos anos 40 e 50 enquanto nos faz conhecer certos episódios de sua vida, a maioria manipulados pelo roteiro de Fassbinder, Hauptmann e Hohoff.

O média-metragem se inicia e termina com a canção Bird on the Wire, de Leonard Cohen. Este é o nosso cartão de entrada para uma obra conceitual em todos os sentidos, da mistura de gêneros (musical, documentário, drama metalinguístico, videoclipe) até o jogo de metalinguagem que o diretor faz muito bem e parece se divertir muito com isso. O grande problema é que dada a visão do enredo mais solto e uma ideia de filme que beira o experimental — mesmo que vejamos forte influência clássica de Max Ophüls — Como Um Pássaro Sobre o Fio acaba ficando muito entregue ao subjetivo do espectador, minando parte de sua força, ao menos no olhar de quem achou o filme “apenas bom”, como eu.

A vida amorosa e artística de Brigitte Mira é o fio documental e metalinguístico da fita (identificada como “show”, nos créditos). A atriz fora cantora de cabaré no início da vida artística e teve uma vida amorosa bastante movimentada, com cinco casamentos. É a partir desses eventos que o roteiro cria o ótimo diálogo da arte com a realidade, em cenários como um bar, uma passarela, uma academia e salas com diferentes tipos de decoração. Em todas elas, Mira canta e conta para os dois públicos (interno e externo), adentrando cada vez mais a um cenário sexualizado cujo ápice é a homenagem de Fassbinder a Os Homens Preferem as Loiras (1953), com Mira cantando uma versão alemã de Diamonds Are a Girl’s Best Friend numa academia com halterofilistas de sungas amarelas e diamantes na região do pênis. A ironia e o caráter sexual da sequência dão o tom de um comportamento trabalhado apenas nas entrelinhas até aquele momento.

Diferente e ousado, Como Um Pássaro Sobre o Fio não nega o momento de reformulação conceitual pelo qual Fassbinder dirigia o seu cinema naquele momento, porém, trata-se de uma obra do tipo “ame ou odeie”, a despeito de todo elogiável trabalho cenográfico e de direção. O ponto verdadeiramente positivo é que se trata de uma obra curta (são apenas 45 minutos), assim, mesmo o espectador que não gostar muito do que vê, irá reconhecer que o diretor concebeu o ritmo dessa espécie de musical com muito bom senso, e, eventualmente, irá repensar sobre o que assistiu, atribuindo algum valor a este curioso exercício de drama, música e vida real.

Como Um Pássaro Sobre o Fio (Wie ein Vogel auf dem Draht) — Alemanha Ocidental, 1975
Direção: Rainer Werner Fassbinder
Roteiro: Rainer Werner Fassbinder, Anja Hauptmann, Christian Hohoff
Elenco: Brigitte Mira, El Hedi ben Salem, Ingfried Hoffmann, Evelyn Künneke, Kurt Raab
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.