Crítica | Constantine – 1ª Temporada

estrelas 2,5

Baseado nos quadrinhos Hellblazer, publicados pela Vertigo, que por sua vez faz parte da DC Comics, Constantine sofreu inúmeros problemas de produção, que envolveram a refilmagem do episódio piloto e outras modificações ao longo da série. Tais percalços causaram evidentes problemas de ritmo que deixei claro nas críticas dos episódios separados (que podem ser encontradas aqui). Como um todo, porém, será que Constantine consegue nos prender? É merecedora de uma renovação para uma segunda temporada? A resposta, infelizmente, não é tão simples, ao passo que o seriado conta com seus vários altos e baixos, que permeiam praticamente todos os seus aspectos.

Comecemos pela sua estrutura narrativa – a série adota o famigerado “caso da semana” como molde para cada capítulo, John Constantine (Matt Ryan), o protagonista, ao lado de Zed (Angélica Celaya) e Chas (Charles Halford) correm atrás de demônios, ao melhor estilo Supernatural, a fim de impedir a chamada Escuridão Crescente, ameaça que se estabelece como plano de fundo desde o primeiro episódio. Essas tramas – aparentemente desconexas – contam com alguns elementos, aqui e lá, que unem a temporada inteira sob um único tema central, que aos poucos vai ganhando mais luz com o passar do tempo. Essa escolha narrativa acaba provocando um sentimento que a primeira metade do ano consiste apenas de fillers, subtramas que em nada influenciam a série como um todo – existem, é claro, notáveis exceções, como o episódio A Feast of Friends.

A qualidade de tal capítulo acaba nos levando a um importante ponto: os melhores episódios são aqueles que contam com alguém do passado de John, exemplos disso são The Saint of Last ResortsA Whole World Out There e o já citado acima. Ao mesmo tempo, nesses observamos uma maior progressão da trama geral, jogando mais luz sobre a Escuridão Crescente, que em outros capítulos, às vezes, é apenas citada. Entramos, então, no decepcionante season finale que em muito deixa a desejar, funcionando apenas como um grande filler que apenas no minuto final nos traz algumas grande revelação, uma tática nada criativa de jogar um gigantesco cliffhanger a fim de lutar por sua renovação, ao invés de simplesmente construir uma narrativa engajante.

Felizmente, para mascarar esses gigantescos tropeços da série, temos o trabalho de Matt Ryan como John. Ao encarnar perfeitamente o personagem, Ryan visivelmente constitui um elemento de maior atração dentro da série, com uma personalidade que sabe controlar o humor e a tensão dentro de cada cena. O mesmo contudo, não pode ser dito de Angélica Celaya, que traz uma atuação robótica que não passa a menor credibilidade, o que é bastante irônico já que ela entrou no lugar de Lucy Griffiths (que interpretava Liv Aberdine), que, por sua vez, também não agradou.

Colocar todo o mérito do seriado nas mãos dos atores, porém, seria um equívoco. Constantine faz um ótimo uso da fotografia comum a filmes de terror a fim de garantir um tom mais sombrio dentro de cada narrativa. A direção de arte, por sua vez, sabe trabalhar com o simples, nos trazendo desde ambientes assustadores, até verdadeiros paraísos – há, contudo, uma grande falha na caracterização do protagonista, com sua roupa limpa demais e nada amassada, acompanhada de uma gravata milimetricamente solta, fazendo-o parecer mais um cosplayer que, de fato, John Constantine. Outro tropeço é o eventual apoio nos efeitos especiais: muitos deles desnecessários, quebrando a imersão do espectador.

Com tais elementos em mente fica perfeitamente possível descartar episódios inteiros de Constantine, restando-nos a opção bastante válida de selecionarmos apenas os melhores para assistir. Em termos gerais é uma série falha, que não consegue construir efetivamente um enredo geral, se apoiando em subtramas para tentar fisgar o espectador. Merece renovação? Se aprenderem com os erros e estabelecer uma narrativa sólida e fluida, sim, caso contrário é melhor mergulhar nas páginas de Hellblazer.

Constantine – 1ª Temporada (EUA, 2014/15)
Showrunner:
Daniel Cerone
Direção: Vários
Roteirista: Vários
Elenco: Matt Ryan, Harold Perrineau, Angélica Celaya, Charles Halford, Michael James Shaw, Mann Alfonso, Jonjo O’Neill
Duração: 13 episódios de 43 min. cada

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.