Crítica | Constantine 1X03: The Devil’s Vinyl

estrelas 3

Em minha crítica de The Darkness Beneath, segundo episódio de Constantine, não vi como um grande problema sua fórmula introdutória, afinal, a série contou com seus graves problemas de produção que ainda irão afetar não só o atual, como seus capítulos subsequentes. Isso, contudo, não é desculpa para cair na velha fórmula vilão/ caso da semana, algo que se faz presente aqui em The Devil’s Vinyl. Essa estrutura poderia facilmente se levar, caso utilizasse episódios duplos, garantindo um tom coesivo mais evidente dentro da temporada. Ao invés disso, recebemos capítulos que atuam individualmente, possuindo pequenos e esparsos elementos que montam uma linha narrativa mais geral. A receita de bolo, já empregada em outras séries baseadas em quadrinhos, como Arrow, Gotham e Agents of Shield, já cansou e não funciona de forma diferente nesta história do exorcista/ demonólogo/ mestre das artes ocultas.

Mas não seremos assim tão duros com o episódio – afinal ele conta, sim, com suas qualidades, ainda que permanecem apenas sutilmente superiores aos seus defeitos. A começar, Matt Ryan está melhor do que nunca, demonstrando uma clara harmonia com o personagem que representa. John, por si só, é o suficiente para nos manter assistindo a série, nos cativando a cada sequência com seu sarcasmo. Para melhorar a situação, temos uma química interessante entre ele e Zed e o mérito também vai para Angélica Celaya. O roteiro de Mark Verheiden e David S. Goyer ainda insere uma desconfiança de Constantine em relação à garota, dando um tom maior de credibilidade à história e oferecendo alguns momentos bem humorados entre eles e Chas, o motorista/ assistente de John.

Apesar de, como dito anteriormente, estarmos diante de um “caso da semana”, a problemática introduzida dem The Devil’s Vinyl é cativante, para não dizer incomum. Um disco de vinil que captou a voz de um demônio (talvez o próprio Diabo, que chamam de First of the Fallen), é uma premissa interessantíssima, misturando ainda com lendas urbanas tipicamente norte-americanas, que dão um toque regional à trama. Verheiden e Goyer conduzem bem sua história e não vemos mais tantos problemas de uma montagem acelerada, como foi o caso dos dois episódios anteriores – existem menos elipses temporais, reduzindo essa sensação de uma narrativa demasiadamente fragmentada. Ainda assim, o texto peca na simples e corrida resolução do problema, que se resume a Constantine falando algumas palavras em menos de trinta segundos. Para piorar, somos deixados com a dúvida: por que ele não fez isso antes?

Complementando os deslizes de The Devil’s Vinyl, estão os efeitos especiais mal finalizados, presentes nas cenas envolvendo o demônio em questão. Ao contrário do que vimos em Non Est Asylum ou The Darkness Beneath, a computação gráfica aqui é evidente e não se encaixa bem com o cenário ou os personagens à sua volta, garantindo uma notável artificialidade à cena, conduzindo para uma quebra de imersão.

Por outro lado, a caça pelo demônio (ou pelo responsável por tudo aquilo) nos leva por algumas expansões da mitologia da série. Primeiro temos menções diretas ao Diabo, que já confirma sua existência no universo de Constantine. Segundo, temos a introdução de Papa Midnite, clássico personagem de Hellblazer, que, inclusive, aparece no filme de 2005, interpretado por Djimon Hounsou. Sua presença na história é tida de forma orgânica e perfeitamente se encaixa na problemática central, além de trazer possíveis e interessantes desdobramentos para os episódios seguintes (talvez uma possível fuga do “vilão da semana”).

The Devil’s Vinyl, portanto, vem cheio de altos e baixos, nos deixando com uma percepção negativa, especialmente se considerando os dois episódios anteriores. Há uma grande e evidente chance da série se distanciar da terrível estrutura que decidiu tomar aqui, resta esperar que ela não se baseie nos outros seriados baseados em quadrinhos. Afinal, o selo Vertigo merece mais do que isso.

PS.: Somente eu notei uma certa semelhança com Doctor Who (vide psychic paper e it’s bigger on the inside)  em alguns pontos deste episódio?

Constantine 1X03: The Devil’s Vinyl (EUA, 2014)
Showrunner: 
Daniel Cerone
Direção: Romeo Tirone
Roteiro: Mark Verheiden, David S. Goyer
Elenco: Matt Ryan, Angélica Celaya, Charles Halford, Harold Perrineau, Joelle Carter, Michael James Shaw
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.