Crítica | Constantine 1X05: Danse Vaudou

estrelas 2

O melhor episódio da série até agora vem seguido de mais um capítulo morno. Danse Vaudou volta ao status quo das narrativas pré-A Feast of Friends, nos trazendo uma história pouco engajante, mas que deixa algumas pontas soltas a fim de desenvolver a linha principal da temporada. Não se trata de um episódio ruim propriamente dito e sim algo pouco interessante, que diverte, mas sem garantir nossa completa atenção.

Dessa vez John vai para Nova Orleans, onde um assassinato fora do comum ocorre. Uma moça é morta a tesouradas em uma ruela por uma estranha mulher bem-vestida usando uma máscara cirúrgica. Praticamente ao lado da vítima estava um policial que dispara vários tiros na assassina, mas esses não surtem qualquer efeito, parecendo não atingi-la. Através do mesmo mapa com gotas de sangue e das visões de Zed, Constantine se encaminha para o caso e prontamente descobre se tratar de algo, obviamente, sobrenatural. O que não esperava, contudo, era se deparar com seu velho “amigo” Papa Midnite.

O roteiro trabalha em cima do típico fantasma que, por alguma razão, ainda se vê preso na Terra. Existem alguns traços de uma visão diferenciada por parte da série, mas ela acaba caindo em uma notável mesmice, já vista em dezenas de outros filmes de terror ou suspense sobrenatural. Até mesmo a solução segue pela estrutura básica, que traz uma resolução primária (que não funciona) para, enfim, descobrirem a verdadeira causa de tudo. Desta forma, ambos os rituais ocorridos juntamente de Midnite não nos causam a menor tensão, soando, simplesmente, como mais do mesmo – um desfecho simples demais, que poderia trazer alguma dificuldade extra para os protagonistas.

Essa apatia que nos toma durante o episódio não se limita, porém, aos seus minutos finais. Durante toda a investigação não nos é passada uma real sensação de perigo – a narrativa entrecortada impede isso, não intercalando bem as sequências e criando pequenas concentrações de expectativas que, de fato, jamais chegam a ser concretizadas. Desta vez, com a trama se dividindo entre Zed, Chad e John, não conseguimos nos aproximar de nenhum deles e mesmo a atuação de Matt Ryan não consegue nos puxar para dentro da história.

Existem, porém, alguns traços da trama principal da temporada que podem nos encaminhar por caminhos interessantes nos próximos capítulos. Afinal, já estamos praticamente na metade da temporada, já que fora anunciado que Constantine terá apenas 13 episódios, com um sério risco de ser cancelada. Esses traços giram em torno da figura de Zed – temos agora uma retomada de seu passado, algo que deixava John desconfiado: “do que ela está correndo?”. Os minutos finais, dotados de um considerável cliffhanger, aumentam essa nossa dúvida, podendo significar mais respostas ao enigma da escuridão crescente.

Somente isso, contudo, não é o suficiente para salvar Danse Vaudou de sua condição praticamente filler. Com um roteiro pouco engajante, o episódio praticamente passa despercebido, tendo sérias dificuldades para manter nossa atenção. Nos deixa levemente curiosos em relação ao rumo da série, mas não vai além disso, nos deixando com uma percepção negativa, especialmente por ter vindo após um ótimo episódio.

Constantine 1X05: Danse Vaudou (EUA, 2014)
Showrunner: 
Daniel Cerone
Direção: 
John Badham
Roteiro: 
Christine Boylan
Elenco: 
Matt Ryan, Angélica Celaya, Charles Halford, Harold Perrineau, Jonjo O’Neill, Charles Parnell
Duração: 
43 min

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.