Crítica | Constantine 1X07: Blessed Are the Damned

estrelas 4

Atenção: contém spoilers

Blessed Are the Damned traz uma qualidade em muito ausente em Constantine e na grande maioria das séries procedurais: a calma. Um ritmo mais dilatado é estabelecido, garantindo que as coisas não pulem do A direto para o Z, criando uma linha narrativa mais fácil de se acreditar e menos apressada. Mas não é só isso que o episódio nos traz, ele expande significativamente a mitologia estabelecida no seriado, não só nos mergulhando ainda mais no fatídico rising darkness que tanto se fala, como introduz novas peças ao tabuleiro, forçando uma movimentação mais significativa até mesmo do anjo Manny.

O começo não foge do comum. Tudo está calmo até que Zed recebe uma repentina visão que logo se encaixa com notícias vistas por John, ao mesmo tempo que o mapa com gotas de sangue revela um novo local vulnerável a um ataque demoníaco. O cenário, contudo, possui uma tonalidade levemente diferenciada. Ao invés da típica possessão, temos um pastor que, ao ser picado por uma cobra e morrer, acaba voltando à vida. Após o ocorrido, ele passa a realizar milagres, como crescer a perna de um homem (!) e dar a visão de volta a um cego. O roteiro do ainda inexperiente Sneha Koorse aborda de forma convincente a questão da fé tanto de Zed quanto de John. Ambas suas crenças são trabalhadas ao longo do episódio, trazendo uma ligeira, porém bem-vinda construção de personagem. A trama ainda reitera a desconfiança de Constantine em relação à sua parceira, algo feito nas entrelinhas se despindo do didatismo muito presente nas produções atuais – o realismo se estabelece de forma sólida, conforme enxergamos as nuances das personalidades envolvidas.

Dado início à investigação, seguimos novamente o modus operandi (muitas vezes nada sutil) do exorcista/demonólogo/etc. Entramos, portanto, no elemento já citado: a expansão da mitologia da série. Refiro-me, é claro, à presença de mais um anjo na jogada – que posteriormente se revela como um anjo caído. É interessante notar a relativa fragilidade dessa “raça” e suas consideráveis limitações. O roteiro ainda trabalha acerca das formas corpóreas e espirituais, trazendo novamente à tona o que Manny pode ou não fazer, porém, dessa vez, é deixado claro, quase que em preto e branco, de que lado ele está. Dito isso, temos um trabalho em cima de sua personalidade não antes visto e a curiosidade trazida para primeiro plano, podendo significar até mesmo um questionamento da ordem geral.

O episódio, contudo, deixa a desejar quando se aproxima de seu desfecho. O anjo caído apareceu somente para ser eliminado curtos minutos após – não cairia melhor uma vitória do lado sombrio para variar? A calma estabelecida no restante do capítulo é, aqui, completamente abandonada e através de uma montagem mais acelerada e enquadramentos que não fazem jus à qualidade do episódio, temos uma finalização apressada, com direito até uma frase de efeito tirada diretamente de um filme de ação.

Tal fator, todavia, não afeta a qualidade geral de Blessed Are the Damned, que se sustenta como uma sólida narrativa de Constantine. Um episódio verdadeiramente interessante e que foge do que nos acostumamos a ver no restante do seriado.

Constantine 1X07: Blessed Are the Damned (EUA, 2014)
Showrunner: 
Daniel Cerone
Direção: 
Nick Gomez
Roteiro: Sneha Koorse
Elenco: Matt Ryan, Charles Halford, Harold Perrineau, Jonjo O’Neill, Charles Parnell

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.