Crítica | Copa de Elite

estrelas 0,5

Não é fácil criar coragem para gastar mais de uma hora e meia para assistir uma comédia cujo elenco é composto por nomes como Alexandre Frota, Anitta, Thammy Miranda e Rafinha Bastos. Não se deve julgar o livro pela capa, todavia. O problema é que em Copa de Elite isso é quase impossível.

O filme pega carona no clima da Copa do Mundo que se aproxima e nos apresenta ao Jorge Capitão (Marcos Veras), um policial que tenta recuperar o reconhecimento profissional perdido após resgatar um jogador argentino em uma operação de risco. Expulso do BOP, sem prestígio social e bombardeado pelas críticas da opinião pública, a chance de recuperar a antiga posição na corporação aparece quando Jorge toma conhecimento de um esquema criminoso planejado para assassinar o santo Papa em plena final da Copa.

Os outros personagens vão ganhando lugar na trama enquanto o policial trava sua jornada onde procura descobrir como o assassinato é arquitetado. Assim conhecemos a mãe de Jorge Capitão, uma imitação bizarra que o Alexandre Frota faz de dona Hermínia do longa Minha Mãe É Uma Peça, o vilão René Rodrigues (Rafinha Bastos), um Chico Xavier (Bento Ribeiro), toda o pessoal do Grupo Molejo e Bruno de Luca interpretando a ele próprio.

Dizer que somente o Bruno de Luca interpreta a ele próprio durante o filme é uma inverdade. Não há René Rodrigues enquanto exista Rafinha Bastos. Aqui não vemos nada do vilão da trama e sim o mesmo Rafinha Bastos fazendo as piadas chatas de sempre. A estreia de Anitta nos cinemas em nada difere a cantora da repórter que interpreta, mas para quê julgar o desempenho da cantora em um filme “besteirol” de comédia, se Sabrina Sato está em via de estrelar o drama A Grande Vitória.

O gênero de sátiras de comédia não é novo. Depois de muito tempo o cinema brasileiro resolve importar o formato hollywoodiano e adaptá-lo ao contexto nacional. O resultado é uma produção nada original, repleta de piadas forçadas. Quem assiste a um filme de comédia cuja proposta é assumidamente de besteirol não pode esperar grandes trunfos em termo de mote, roteiro e produção, mas até o mais otimista dos espectadores é obrigado a concordar com o fato que Copa de Elite simplesmente não tem graça.

Já passou da hora do cinema brasileiro dar visibilidade a novas ideias originais que independem de histórias anteriores. O que vemos hoje é o desenvolvimento de uma nova indústria cinematográfica que descobriu a fórmula do sucesso em roteiros adaptados. Agora, além de filmes biográficos e adaptações que não surpreendem, ganhamos uma sátira sem sucesso do que já foi produzido.

Copa de Elite não diverte, não é bem construído, mas também não chega perto de ser o pior filme de comédia brasileiro por alguns motivos plausíveis: ninguém assiste o longa com a intenção de leva-lo a sério; o filme não chama atenção em nada e está aí apenas pra fazer volume e lucrar um tanto com a aproximação da Copa; o filme é salvo por uma participação musical inesperada. Até que dá pra rir um pouquinho com o Molejão no elenco.

Copa de Elite (Brasil, 2014)
Direção: Vitor Brandt
Roteiro: Vitor Brandt e Pedro Aguilera
Elenco: Marcos Veras, Rafinha Bastos, Júlia Rabello, Anitta, Bento Ribeiro, Antônio Pedro, Thammy Miranda, Babu Santana, Alexandre Frota, Bruno de Luca.
Duração: 109 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.