Crítica | Corredores Fantasmas (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 4

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Assim como Força-V, Corredores Fantasmas é um tie-in de Guerras Secretas que difere um pouco da regra geral, já que ele não adapta uma saga, evento ou arco anterior da editora. A ideia, aqui, é reunir todos os Ghost Riders clássicos, acrescentar mais alguns inesperados (há um “gorila fantasma” até) e colocá-los todos no Circo da Morte (Killiseum, no original) a arena gladiatorial do Arcade que também está presente no início da minissérie Planeta Hulk. Assim, temos Robbie Reyes, o mais novo Motorista Fantasma como o grande favorito em um corrida estilo Corrida da Morte – Ano 2000 que conta com o Cavaleiro Fantasma (Carter Slade) e os Motoqueiros Fantasmas Johnny e Alejandra Blaze e, claro, Danny Ketch, todos, aqui, contendo o Espírito da Ignição que é “ligado” e “desligado” ao bel-prazer de Zadkiel, um arcanjo braço-direito de Arcade.

É interessante notar como o roteiro de Felipe Smith, que escreveu as 12 edições da série que introduziu Robbie Reyes ao Universo Marvel, trabalha a característica única do personagem: o fato de sua possessão não se dar por um Espírito da Vingança, mas sim por um espírito de um serial killer, Eli Morrow. Essa diferença enfraquece a influência de Zadkiel sobre Reyes, permitindo que a narrativa progrida de meras corridas velozes e furiosas para uma trama que também lida com Gabe, seu irmão mais novo e a vontade de fugir da prisão a que todos os Fantasmas estão sujeitos neste universo.

Não há, na verdade, nenhum intenção em se fazer grande arte aqui ou algo filosófico ou que faça pensar. Estamos diante do equivalente em quadrinhos de um blockbuster do verão americano nos cinemas e isso não é de forma alguma algo automaticamente depreciativo. Afinal, há arrasa-quarteirões muito bons por aí e Corredores Fantasmas cai nessa categoria, sem vergonha de ser aquilo que é: uma diversão descerebrada com muita ação, muita pancadaria e com muito eye candy.

O eye candy, na verdade, fica nas mãos do desenhista Juan Gedeon, que de certa forma tenta emular os traços de Trad Moore na série original de Reyes, usando ainda mais uma estética de mangá que só realmente detrai do todo quando os personagens em suas formas humanas são vistos, o que, convenhamos, acontece muito pouco. Portanto, Gedeon consegue criar cinética em seus traços, dando características familiares e ao mesmo tempo diferentes para todos os Fantasmas, com exceção de Reyes, que permanece substancialmente igual ao original. Johnny Blaze ganha um uniforme representativo de sua profissão original de “malabarista de motos”, Alejandra Blaze é apresentada como uma fusão de Johnny com o mutante Câmara, além de um interessante monociclo, Danny Ketch é desenhado como uma versão ainda mais brutalizada e animalesca dele mesmo e, finalmente, Carter Slade transforma-se em um sensacional centauro branco cego. Mas tem muito mais de onde a reimaginação dos personagens veio e Gedeon se diverte com os meios de transporte de cada um, tendo a oportunidade, ainda, de introduzir um Corredor Fantasma que pilota não uma máquina, mas sim um Tiranossauro Rex bio-mecânico. É muito para ver e se deliciar na curta minissérie.

E a grande verdade é que, como todo bom blockbuster, Corredores Fantasmas deixa um gosto de “quero mais”, aquela vontade de ver uma publicação ongoing somente dedicada a esse enlouquecido e flamejante grupo. Se, ao terminar de ler a minissérie, o leitor fica com essa vontade, então a conclusão inevitável é que ela cumpriu seu papel. Será que a Marvel fará o que fez com Força-V e publicará uma série dedicada aos Espíritos da Vingança? Só o tempo dirá…

Corredores Fantasmas (Ghost Racers, EUA – 2015)
Contendo: Corredores Fantasmas (2015) #1 a #4
Roteiro: Felipe Smith
Arte: Juan Gedeon
Cores: Tamra Bonvillain
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a novembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: outubro de 2016 (encadernado – segunda história em Guerras Secretas: Mestre do Kung Fu #1)
Páginas: 80

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.