Crítica | Cowboys & Aliens

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estrelas 1,5

O que poderia ser melhor em termos de pura diversão descerebrada do que um filme misturando o Velho Oeste com alienígenas? E se, ainda por cima o filme for baseado em quadrinhos? E que tal colocar o Daniel Craig (James Bond!) no papel principal e também o veterano Harrison Ford (Indiana Jones!) e a bela Olivia Wilde (Quorra!)? E se o diretor for o Jon Favreau, de Homem de Ferro?

Fórmula para o sucesso, não é mesmo?

Sim, seria uma fórmula tranquila para o sucesso. No entanto, sem roteiro minimamente razoável, sem direção mais coesa e com atuações burocráticas, o filme afunda ajudado pelo peso da própria expectativa gerada com base nas qualidades que descrevi no primeiro parágrafo.

Mas não dá para culpar somente Hollywood por esses problemas já que muitos filmes que são lindos no papel, mas terríveis na execução são enormes sucessos de bilheteria. Um exemplo é Piratas do Caribe 4. Um lixo que fez mais de um bilhão na bilheteria mundial. Mesma coisa com a franquia Transformers. Assim, é compreensível que Hollywood invista mais em visual e em nomes importantes (ou propriedades chamativas) do que numa história minimamente boa, já que isso não necessariamente traz público.

Acontece que essa mentalidade nem sempre acerta na mosca pois há filmes como Lanterna Verde que custam 200 milhões de dólares e nem se pagam na bilheteria mundial. O mesmo vale para Cowboys & Aliens, que custou 163 milhões de dólares e fez pífios 174,8 milhões. Esse tipo de fracasso merecido me dá esperança – bem pouca, devo confessar – que filmes desse naipe aos poucos deixarão de ser feitos…

Mas eu divago.

Cowboys & Aliens começa com um homem (Jake Lonergan, vivido por Daniel Craig) acordando sem memória no meio do deserto, com um bracelete metálico muito estranho. Ele acaba chegando na cidade mais próxima e, lá, dá uma de herói, o que acaba enfurecendo o fazendeiro rico local (Woodrow Dollarhyde, vivido por Harrison Ford) que vai até lá tirar satisfações. Entre uma coisa e outra, somos introduzidos a uma também misteriosa mulher (Ella Swenson, vivida por Olivia Wilde) que parece saber quem Jake é. Quando toda a situação parece estar próxima de alguma resolução, a cidade é atacada por naves alienígenas que sequestram habitantes locais. O único que se coloca entre as naves e a população é – você adivinhou – Jake e seu bracelete que se revela uma eficiente arma.

Até aí a história mantém um pouco de atratividade e dá esperanças que o filme seguirá a linha simples de ETs lutando contra cowboys. Mas os roteiristas Roberto Orci, Alex Kurtzam e Damon Lindelof, queridinhos de Hollywood, mas que, juntos, só escreveram de minimamente bom Além da Escuridão – Star Trek, tinham que complicar a narrativa. Com esse objetivo em mente, eles partem para dar um passado de bandido meloso para Jake e outro inenarravelmente ridículo para Ella que não revelarei aqui para manter a crítica livre de spoilers.

E, como se isso não bastasse para já colocar um freio na dinâmica do filme, ainda inventam uma razão completamente sem sentido para os ETs se meterem com os humanos. Se eles estão procurando o que estão procurando, essa atividade em nada é incompatível com a presença dos humanos na Terra. Assim, em última análise, se os ETs não tivessem provocado a briga, não precisariam se aporrinhar com humanos de espingarda e arco e flecha os atacando. E nós ficaríamos sem esse filme, ou seja, uma situação boa para todos.

John Favreau, que despontou em Homem de Ferro (errando feio na continuação) depois de alguns filmes pouco expressivos (Zathura é o melhor da carreira pré-Ferroso de Favreau), voltou à sua forma antiga e não nos oferece nada de especial. O filme tem uma direção confusa, com idas e vindas mal montadas, uma fotografia que tenta emular grandes westerns, mas falha na mesmice e uma  direção de atores que não tira uma expressão razoável sequer de ninguém. Favreau nem mesmo se deu ao trabalho de criar uma diferença de personalidade entre Jake e Woodrow. Os dois atores – Craig e Ford – são burocraticamente idênticos em atuação e em figurino, quase gerando uma sobreposição de personagens, especialmente na segunda metade.

Enfim, Cowboys & Aliens era lindo no papel. Na vida real, transformou-se em uma obra apoplética, sem personalidade e, em última análise, medíocre.

Cowboys & Aliens (Idem, EUA – 2011)
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus, Hawk Ostby (baseado em quadrinhos de Scott Mitchell Rosenberg)
Elenco: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Keith Carradine, Paul Dano, Chris Browning, Sam Rockwell, Ana de la Reguera, Brian Duffy
Duração: 119 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.