Crítica | Croods, o Início – 1ª Temporada

estrelas 3

Produzida pela DreamWorks Animation Television e exibida originalmente pela Netflix, Croods, o Início (2015) é uma série de animação em 2D que mostra a família vista pela primeira vez em Os Croods (2013) antes de toda a mudança trazida por um outro ramo evolutivo, a chegada de um garoto Homo Sapiens à caverna dos truculentos protagonistas.

Em Croods, o Início, a família de Neandertais formada por Grug, Uga, Thunk, Eep, Sandy e Gran vivem quase tranquilamente no “Aaaaah Valley” e enfrentam problemas que se imaginam comuns neste período da História, todos eles expostos com grande dose de fantasia, exagero e humor. Trata-se de uma série infantil, é claro, mas o público adulto, se não cobrar tratamento paleontológico correto e entender a proposta da série, certamente também irá se divertir.

Por não se tratar de uma série com uma linha de arcos dramáticos (a mistura do modelo procedural com essa linha é tênue e um pouco difícil de definir com exatidão), pelo menos nesta temporada inicial, entendemos cada um dos 13 episódios como a exposição de um conflito vivido na fictícia Era Croodácia, boa parte deles narrados brevemente por Eep, que apresenta o conflito da vez, ou seja, a relação dos Croods com cheiros, caça, posses, ensino, calor, medo, fenômenos naturais, etc. Mesmo que essa composição isolada dos capítulos incomode no todo e traga a desnecessária e imperdoável criação de mini-episódios dentro de um episódio só, eles pelo menos nos dão a oportunidade de conhecer diferentes aspectos dessa era e, como citei no início, tudo é representado de maneira extremamente divertida.

A escolha dos criadores da série, baseados nos personagens do filme, em manter características esperadas desse momento pré-histórico abriu as portas para verdades evolutivas como a forma mista dos personagens se locomoverem (predominantemente eretos, mas ocasionalmente como primatas, com pés e mãos no chão); a relação ainda complexa deles com caça, coleta e armazenamento de comida; a descoberta de novos alimentos e do que se podia fazer ou não — o episódio em que eles descobrem que é possível dormir durante o dia é excelente, além de fazer uma bela homenagem ao clássico A Noite dos Mortos Vivos –; tudo isso dentro de um universo cheio de animais fictícios, vizinhos chatos e constantes alegorias do nosso presente.

Mesmo que a maioria dos episódios não tenham uma grande força narrativa, já contando a sua perspectiva infantil, a carga de humor, a dose de impossibilidades e o espelho de ações e objetos da atualidade na pré-história acabam tornando a série bem mais simpática, vejam, por exemplo, a invenção do termo “seguidores”; o surgimento dos “vegetarianos”; a invenção da “almôndega” e da profissão de “psicólogo”, todos esses conceitos em uma mostragem condizente com a época, além de ser, em sua maioria, organicamente bem colocadas.

Para os mais velhos e cinéfilos, ainda há o prazer de ver pinceladas temáticas ou visuais (guardadas as proporções do cenário) de filmes como Perfume de Mulher, Curtindo a Vida Adoidado, The Rocky Horror Picture Show, Se Beber Não Case, Sexta-Feira 13 e O Homem Que Sabia Demais. Ligados à animação simples mas feita com graça e, em alguns casos, com rigoroso trabalho artístico (o minisódio A Spoonful of Soo-Gar, por exemplo), essas sombras cinematográficas aumentam as possibilidades de identificação do público mais velho com a série.

A única real decepção desta temporada de estreia vem ao final, pela forma solta e insatisfatória que o show termina. Com tanta coisa bacana para deixar em suspenso ou criar uma história que se fechasse bem aqui, mas com uma ponta a ser puxada no futuro, é lamentável que os produtores tenham finalizado a temporada como um episódio demasiadamente comum, e ainda por cima, de uma forma enigmática e sem qualquer coisa que trouxesse a identificação do espectador à tona. Foi uma oportunidade perdida, claro, Mas a despeito disso, a simpatia dos personagens e a possibilidade de ver a continuação dessa saga pré-histórica não nos deixa muita escolha a não ser esperar com ansiedade pela próxima temporada.

Croods, o Início – 1ª Temporada (Dawn of the Croods) — EUA, 2015
Direção: Chuckles Austen, Erik Wiese, Chong Lee, Alex Almaguer, Stephanie Arnett, Josh Taback
Roteiro: Brendan Hay, Caitlin Meares, Dan Milano, Matthew Ireland Beans, Laura Beck, Caitlin Meares
Elenco (vozes): Dan Milano, Cree Summer, Stephanie Lemelin, Chris Parnell, Ana Gasteyer, Laraine Newman
Duração: 13 episódios de 24 minutos

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.