Crítica | Curtas de Adam Pesapane (PES)

Nascido em 1974, o diretor Adam Pesapane (que adotou o nome artístico de PES) é uma das novas personalidades da animação que mais vem ganhando notoriedade nos últimos anos. O diretor é responsável por alguns dos melhores stop motion desse início de século, e vem recebendo elogios de realizadores consagrados como Michel Gondry, por exemplo. Trabalhando com produção alternativa e distribuição através de sua página pessoal na rede e no Youtube, Pes tem uma carreira paralela na televisão, sendo responsável por criativos comerciais de animação em stop motion para diversas empresas e produtos: Tic Tac, Channel, Nike, Coinster, Bacardi, Telecom Orange (UK), PSP, Playstation, Sneaux, dentre outros. Seu estilo surreal e as diversas investidas ácidas e de humor negro pontuam a maior parte dos seus trabalhos, que são compostos por objetos do cotidiano, sejam materiais reciclados, meios de transporte, animais, móveis e imóveis. O artista procura através de seus pequenos filmes dar uma nova utilização para cada um dos objetos do dia a dia, e sua atenção volta-se especialmente para peças pequenas, brinquedos e alimentos. Através desse pequeno Especial, procurei trazer algumas das melhores animações do diretor e comentá-las, na medida do possível. Boa leitura e boa fantasia a todos.

THE DEEP

No curta-metragem Pee-Nut, Pes fizera uma manipulação muito interessante com objetos como correntes e outras coisas de metal. O resultado não me agradou muito, tanto que nem incluí o curta nessa seleção do Especial. Em The Deep o diretor volta a trabalhar com ferramentas, mas dessa vez, o resultado é surpreendente. Podemos entender o filme como uma breve visão das profundezas do oceano. Animais feitos de todos os tipos de ferramentas se movimentam por um foco de luz central ou desaparecem na escuridão do oceano em volta. Em meio ao intenso pulsar da vida abissal, a cadeia alimentar funciona a todo vapor. Presenciamos a luta pela sobrevivência e os mais diversos artifícios que algumas criaturas marítimas fazem para conseguir alimento. Essas peripécias realizadas por ferramentas tem um visual surreal e inacreditável. Curta-metragem obrigatório para quem gosta de inventivos filmes em stop motion.

WESTERN SPAGHETTI

Assim como fizera em Dogs of War, Pes brinca com a concepção que temos do título do curta dando um outro significado para a nomenclatura “western paghetti”. Mais uma vez ficamos impressionados com a inventividade usada para dar conta de sua definição.

Nesse filme, a dificuldade técnica em usar cada um dos diferentes componentes da cena e de como foram sendo aplicados, fazem-nos uma revelação espantosa a cada fotograma. O final é inesperado, mas muito propício. Pes prova ter domínio pleno dos elementos fílmicos com os quais trabalha e de como pode organizá-los em uma narrativa diferente e espirituosa. O modo como ele consegue isso é o melhor modo possível.

GAME OVER

Trazendo à tona jogos como Pac Man, dentre outros, essa animação é uma lembrança nostálgica da infância dos que nasceram fora da era computadorizada e dos jogos com poucos pixels.

Em vista dos outros curtas de Pes, o filme está um pouco aquém na qualidade da organização imagética, mas fora a comparação, é impossível não gostar do uso que o diretor faz de alimentos como pizzas, ovos, pretzels, muffins, insetos, folhas e carrinhos de brinquedo para recriar cada um dos jogos antigos, e ainda trazendo o som dos ataques às naves, pulos e scores realizados pelo jogador. Enquanto assistimos a esse curta, passa um outro filme em nossa cabeça, o filme da nossa infância.

KA BOOM!

O tema desse curta é um ataque aéreo a uma cidade. Balas de pipoca, flores e cabeças de palhaço, edifícios de saleiros, fitas de aniversários e bolas de natal são alguns dos materiais usados para mostrar-nos a brutalidade que é um ataque aéreo.

Impressiona o modo como o diretor filma a poeira e a destruição acontecendo, especialmente na cena final, quando a bomba maior é lançada sobre a cidade. Impossível não lembrar de Hiroshima/Nagasaki. Estonteante, triste, fenomenal, um filme definitivamente tocante, muito mais do que alguns longas metragens que tratam do tema e parecem não alcançar em nada o espectador.

ROOF SEX

Apesar do título ser bem claro, quando vemos a imagem de abertura do curta não parece que o seu desenvolvimento será tão “forte” e extremamente engraçado como é. Roof Sex aborda a história de um selvagem apetite sexual de duas poltronas, a fêmea, uma poltrona vermelha com babados, e o macho, uma grande poltrona amarela. A dublagem e as diferentes posições em que são postas as libidinosas poltronas dão um realismo cômico sem par a esse curta, comicidade que aumenta a cada cena e termina com dois ótimos motores de gargalhadas. Ao ver a silenciosa cidade no plano inicial, nunca imaginaríamos uma particularidade tão surreal em um dos telhados. As cores dos objetos em cena ajudam a dar destaque ao par amante no cenário, e o espectador só tem olhos para a cena que se desenrola, literalmente, nos assentos. Genial e muito engraçado.

DOGS OF WAR

O primeiro filme dirigido por Pes é também a sua nota dissonante, mas não por isso menos genial que os outros curtas. Se em Ka Boom ele abordaria o tema do ataque aéreo através do stop motion e de uma forma muito séria, em Dogs of War ele faz um trocadilho com a palavra, algo que o espectador só se dá conta no final, e é impossível não gostar do que se vê. O uso de imagens de arquivo com som muito bem aplicado (trilha sonora e som direto de arquivo) geram o suspense necessário. O espectador torce pelas crianças, espera que algo trágico não aconteça, e então, há uma quebra dramática desse momento de pura tensão, e há uma revelação originalíssima. A edição cumpre aqui o seu papel de dar ritmo à película, alternando não só os tempos iniciais um pouco duradouros, mas fazendo um jogo de campo e contracampo do espaço terrestre com o espaço aéreo. O resultado é adorável e engraçado. Definitivamente muito bom.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.