Crítica | Curtas de Animação do Oscar 2013

Os curtas metragens animados que concorrem ao Oscar de 2013 são os mais variados possíveis. Tem animação tradicional, animação por computador e stop motion. Além disso, variam entre 2 e 15 minutos em sua duração, algumas contendo histórias complexas, outras menos e uma sem história alguma. Mas todas elas são demonstrações inequívocas do poder da imaginação e do trabalho de grandes criadores. Resolvi juntar minhas críticas todas em uma publicação apenas, para facilitar a leitura.

Paperman (EUA – 7 min.)

Dir: John Kahrs

Paperman

A Disney projetou esse curta antes de Detona Ralph e arriscou muito dele ser ofuscado pela beleza lírica do pequeno filme. Paperman conta uma bela história de amor sem diálogos, em preto e branco e usando uma mistura de animação tradicional com digital que encanta crianças e adultos. Tudo se dá em volta de aviões de papel sendo usados para chamar atenção de uma moça na Nova Iorque dos anos 50. A música, a animação, o ar do romance idealizado funcionam de maneira perfeita, sem que seja necessário pirotecnias, efeitos especais ou qualquer outra coisa que não o trabalho de uma equipe talentosa e de um diretor que sabe transmitir as mais diferentes emoções – alegria, tristeza, frustração e surpresa – de maneira simples e eficaz.

Paperman é uma das melhores criações animadas da Disney dos últimos anos e mostra que a Cada do Camundongo ainda tem muito a nos oferecer.

Nota: 4,5/5

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Maggie Simpson: The Longest Daycare (EUA – 5 min.)

Dir: David Silverman

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The Longest Daycare foi projetado antes de Era do Gelo 4 e é, sem dúvida alguma, muito melhor do que o filme que o sucedeu. Vemos a eterna bebê Maggie Simpson sendo levada para uma creche chamada Ayn Rand School for Tots (que já apareceu na série, no episódio A Streetcar Named Marge, da 4ª Temporada) e toda a confusão que é gerada a partir daí, com Maggie e toda sua doçura e esperteza tentando salvar insetos e um menino mau tentando esmagá-los. Mas, como é muito comum em tudo relacionado com Os Simpsons, a história pouco importante. Os detalhes é que têm relevância. Para começar, claro, há a crítica severa ao sistema educacional americano que, já na creche, faz os bebês passsarem por testes de Q.I. Marge é considerada “nada especial” e é jogada em um canto qualquer da creche, junto com outros bebês “normais”. A filosofia da autora Ayn Ran, claro, radicalmente capitalista, também serve de pano de fundo para essa “seleção natural” e tira boas risadas.

No entanto, o curta é menos compreensível por crianças, exatamente por esses detalhes. Claro, os pequenos ainda vão apreciar a luta de Maggie contra o vilanesco bebês assassino de insetos, mas, no final das contas, o desenho é apenas mediano, uma espécie de micro-capítulo da série Os Simpsons que, ultimamente, não tem sido tão brilhante como no começo da produção.

Nota: 3/5

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Fresh Guacamole (EUA – 2 min)

Dir: PES

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PES é conhecido por fazer anúncios de TV e curta metragens em stop motion. Sua técnica é absolutamente impecável e cada peça que produz é um deleite, especialmente se você gosta desse tipo de animação. Eu, particularmente, adoro stop motion e poderia passar o dia inteiro vendo o trabalho do cineasta.  Fresch Guacamole é seu mais recente esforço “culinário”, em uma série que trata de receitas de pratos comuns com o uso de objetos estranhos. Por exemplo, no filme em discussão, uma granada faz o papel do abacate e fichas de pôquer são tacos.

Acontece que não dá para entender o porquê de Fresh Guacamole estar concorrendo ao Oscar. Sim, o trabalho é brilhante, mas um curta deve ter um mínimo de enredo e não ser apenas uma demonstração do quão bom o cineasta é com determinada técnica. Vemos mãos reais empunhando os mais variados objetos e preparando o prato do título, mais nada. Simples assim. Diverte, mas não é suficiente para se sustentar em uma premiação como essa.

Nota: 2,5/5

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Head Over Heels (Reino Unido – 11 min)

Dir: Timothy Reckart

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Em 11 minutos e sem diálogos, Timothy Reckart nos transmite muita coisa. Em um impecável trabalho de stop motion, o cineasta nos apresenta a um casal que já passou da meia-idade. Pelo gestos já percebemos que eles vivem juntos há muito tempo. Também notamos que eles, apesar de terem se amado muito, hoje apenas se toleram. Isso é representando pela grande jogada do curta e que o título dá pista: um vive no chão e outro no teto da casa, sem nunca estarem lado a lado. Chega a ser difícil explicar como esse curta fantasioso funciona, mas o fato é que a separação causada pelo tempo e pelo hábito acaba sendo perfeitamente bem representada por essa inversão da “gravidade” entre os dois.

Reckart introduz, ainda, o conceito que a casa em que os dois vivem está flutuando (pelo espaço? pelo céu?) e, quando ela cai, a mulher consegue sair pois está, agora, no chão. O homem, por  sua vez, não pode sair senão vai para a estratosfera. Esse é um daqueles filmes que têm que ser vistos para serem compreendidos. Belo e emocionante, Head Over Heels é uma alegre ode à vida a dois.

Nota: 5/5

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Adam & Dog (EUA – 15 min.)

Dir: Minkyu Lee

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Ganhador do Annie Awards de 2012 (o curta é de 2011), Adam & Dog é um triunfo visual e narrativo. Sem diálogo e recontando o mito bíblico de Adão e Eva no paraíso sob o ponto de vista de um simpático cachorro, Adam & Dog consegue introduzir o personagem do cachorro na história da Bíblia sem desrespeitá-la e até tornando-a ainda mais interessante. No começo, vemos o cachorro saltitante mas solitário. De repente, ele encontra Adão e os dois estabelecem fortes laços de amizade. Quando Eva entra no cenário, o cachorro é esquecido e abandonado e nós nos contorcemos com a tristeza do animal. Contar mais é estragar as surpresas, mas quem conhece a história da Bíblia pode muito bem deduzir o que acontece.

Além da fantástica história, a animação de Minkyu Lee é belíssima, com traços simples, mas marcantes, que realçam as expressões do cachorro. O cenário, todo ele feito em Photoshop, é cheio de texturas e com muito contraste, sempre permitindo que localizemos o pequeno cão em sua devoção à Adão. A recriação do Jardim do Éden com uma floresta em que até mamutes passam é muito original, algo que ninguém espera e que funciona muito bem em todos os níveis, ainda que seja possível até duvidar que estamos efetivamente vendo uma aventura inspirada por uma passagem bíblica.

Nota: 5/5

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.