Crítica | Curtas de Charles Chaplin (1915) – Parte 2

O presente bloco de textos traz críticas para cinco curtas de Charles Chaplin, produzidos entre junho e novembro de 1915.

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Carlitos Limpador de Vidraças

estrelas 4,5

De todos os títulos estúpidos e incompreensíveis dados a filmes aqui no Brasil, este merece constar na lista dos casos mais graves. Isso porque — como fica evidente na foto que escolhi para destaque — Carlitos não limpa vidraças coisíssima nenhuma nesse curta. Ele coloca papéis de parede! Isso mesmo! Como uma produtora permite que seja lançado um título que diz algo que não acontece no filme?

Mas a despeito do título nacional, não há como não se divertir e admirar o trabalho de Chaplin aqui. Há uma abordagem cínica e cômica em relação aos vários tipo de trabalho, desde o doméstico até o mais pesado, no caso, do ajudante de obras que carrega o patrão e todo o material numa carroça pela cidade e chega à casa onde a confusão acontece. Até o trabalho pastelão, ao final, é bem vindo no contexto do curta, dando maior sentido ao espetáculo nonsense executado pelo marido traído e passivo que sequer sabia consertar um fogão.

Destaca-se também a montagem em dois ou três pontos narrativos, o que ajuda o espectador a montar um quadro geral do que se verá do meio do filme para frente, com todos os trabalhadores e seus tipos de ofício postos e cena. Mesmo que não se trate de um filme sobre um limpador de vidraças, Work é um dos melhores filmes de Chaplin nessa fase dos Estúdios Essanay.

Carlitos Limpador de Vidraças (Work) – EUA, 21/06/1915
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Charles Inslee, Billy Armstrong, Edna Purviance, Leo White
Duração: 33 min.

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A Senhorita Carlitos

estrelas 4

Acredite se quiser: a garota na foto de destaque desse curta é Charles Chaplin vestido de mulher. Este foi o terceiro e último papel feminino que o ator e diretor faria em sua carreira, tendo ele já “se montado” em Carlitos Ciumento (onde faz papel de uma esposa que fustiga o marido mulherengo) e Carlitos Coquete (onde faz o papel de uma paqueradora indomável).

As situações aqui começam com uma sequência de acasos cômicos e desastrados, partindo de uma traição e terminando com Carlitos tentando enganar o pai da garota pela qual está apaixonado (é interessante que os personagens de Chaplin se apaixonam rápido demais e são descaradamente infiéis) vestindo-se de mulher. Por tentar aglutinar muitos momentos distintos, o curta acaba não tendo tanto apelo de qualidade narrativa como Work, comentado logo acima, mas mesmo assim trata-se de uma obra hilária e com atuação excelente de Chaplin.

A Senhorita Carlitos (A Woman) – EUA, 12/07/1915
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Charles Inslee, Marta Golden, Edna Purviance, Leo White
Duração: 20 min.

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O Banco

estrelas 4

Chaplin volta à temática do final triste e da desilusão amorosa, repetindo a dose estreada em O Vagabundo. A trama aqui gira em torno do porteiro de banco que é apaixonado por uma das funcionárias do estabelecimento. Por não ser correspondido e acabar tomando um fora em dado momento da narrativa, o pobre Carlitos tem um sonho, onde se torna o herói do dia e consegue conquistar seu grande amor.

Foi bastante eficiente a forma como Chaplin conseguiu suavizar a decepção amorosa e terminar o filme de forma triste. Há uma desilusão em cena que é quase um pedido para que a garota abra os olhos e perceba quem de fato é a pessoa que ela ama, mas, ao mesmo tempo que nos leva para esse lado reflexivo o próprio texto do filme nos mostra um outro lado, o da fatalidade do amor e suas armadilhas.

Com elementos cômicos entre o leve pastelão e a gag inteligente, Chaplin realiza em O Banco um filme mais sóbrio, onde o humor não falta mas a realidade da vida se faz presente em um de seus mais dolorosos patamares: o da decepção amorosa.

O Banco (The Bank) – EUA, 09/08/1915
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Wesley Ruggles, Bud Jamison, Billy Armstrong, Paddy McGuire, Leo White, John Rand, Fred Goodwins, Lee Hill
Duração: 33 min.

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Carlitos Marinheiro

estrelas 2,5

Uma pequena mancha na série de ótimos curtas-metragens de Chaplin vinha fazendo no ano de 1915, Carlitos Marinheiro é quase uma volta do ator e diretor ao slapstick, com direito a todos os muitos erros de montagem, repetição de gags e poucos momentos de brilhantismo em cena.

A história é extremamente improvável, mas poderia passar tranquilamente caso tivesse um desenvolvimento bem feito dentro do que o próprio gênero pastelão do primeiro cinema propunha. Como isso não é feito, a viagem fake de Carlitos acaba sendo um misto de nonsense e mal gosto.

Carlitos Marinheiro (Shanghaied) – EUA, 04/10/1915
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Charles Inslee, Carl Stockdale, Edna Purviance, Leo White
Duração: 30 min.

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Carlitos no Teatro

estrelas 3

Um pouco melhor que Carlitos Marinheiro, mas ainda assim, fora do que era de se esperar de um filme dessa fase do cinema de Charles Chaplin, Carlitos no Teatro é daquelas pequenas obras que nos enganam. No início, pensamos tratar-se de um curta cínico sobre adequações de um personagem que Chaplin não estava costumado a interpretar (mas isso é bom!). O rico visitante do teatro guarda as melhores características de Carlitos, o Vagabundo e nos faz rir. A brincadeira segue até o início do show, quando a sequência de cenas pastelão tomam conta da película e estragam o espetáculo diegético e cinematográfico.

No quesito técnico, Carlitos no Teatro é bem realizado, especialmente na montagem (Chaplin interpreta dois personagens, aqui, um rico e um pobre), mas fora isso e as excelentes cenas iniciais, pouca coisa sobra a não ser risos esparsos frente todas as situações absurdas que acontecem tanto no palco quanto na plateia.

Carlitos no Teatro (A Night in the Show) – EUA, 20/11/1915
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Charlotte Mineau, Dee Lampton, Edna Purviance, Leo White
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.