Crítica | Curtas de Charles Chaplin (1918)

Esta é a nossa penúltima parte da série de curtas-metragens dirigidos ou protagonizados por Charles Chaplin. Todos os quatro filmes deste presente bloco foram lançados em 1918, mais especificamente entre os meses de abril e novembro.

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Vida de Cachorro

estrelas 4,5

Vida de Cachorro é um adorável filme de Chaplin, definitivamente uma de suas melhores comédias. Aqui temos a presença de um cachorrinho, o verdadeiro herói da trama, que ajuda Carlitos reaver a carteira encontrada pelo próprio cachorro (em um momento em que o vagabundo realmente precisava) e permite que seu dono e a amada tenham uma vida tranquila no campo. De alguma forma — especialmente no papel do cão durante a briga — me lembrou Campeão de Boxe, guardadas as devidas proporções, é claro.

Chaplin consegue uma forma encantadora de mostrar o crescimento de seu personagem, indo de um vagabundo que, apesar de tentar, não consegue um emprego decente, até o fazendeiro com uma esposa e uma vida feliz ao lado do animal que defendera em um momento de sua vida. Os valores morais sociais são explorados mais uma vez pelo diretor, bem como questões sociais de primeira ordem, especialmente a forma da repressão policial e o tratamento do patrão em relação à empregada no bar. Vida de Cachorro é um filme que jamais perdeu a força ao longo dos anos e que nos encanta e emociona a cada nova experiência.

Vida de Cachorro (A Dog’s Life) – EUA, 1918
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Syd Chaplin, Henry Bergman, Charles Reisner, Albert Austin, Tom Wilson
Duração: 33 min.

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Carlitos em Apuros

estrelas 3

De todos os filmes engajados de Chaplin lançados em 1918, este é o mais fraco. Aqui existe o impasse da I Guerra Mundial posta de maneira subtendida (um cientista cria um dispositivo de explosão à distância), mas diferente de Laços de Liberdade e Ombros, Armas! não há nenhum pensamento mais forte para além da simples comédia.

Além disso, existem tramas b, c e d, o que não ajuda muito o espectador a simpatizar com a obra, já que a atenção muda de foco para foco e não se sabe ao certo qual era a intenção do diretor. Mesmo assim, vale conferir Carlitos em Apuros pelo tom cômico e, paradoxalmente, por essa diferença com que Chaplin aborda a questão da I Guerra no filme. Mas pede-se que o espectador também confira dos outros curtas que o cineasta fez sobre a mesma guerra, a fim de constatarem que nem só de comédia boba e caótica foi pontuada a visão antibelicista de Charles Chaplin.

Carlitos em Apuros (Triple Trouble) – EUA, 1918
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Billy Armstrong, Edna Purviance, Leo White
Duração: 23 min.

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Laços de Liberdade

estrelas 4

Assim como Ombros, Armas!, Laços de Liberdade é uma mensagem de Chaplin contra a Alemanha e a Tríplice Aliança durante a I Guerra Mundial. O teor político do curta é perceptível apenas na segunda parte, o que nos faz questionar a existência da primeira, mostrando os laços de amizade, amor e casamento, só então para focar naquele que é o laço principal do filme, o de liberdade.

É evidente que Chaplin quis fazer um filme que não fugisse do apelo que suas obras normalmente tinham junto ao público, e isso talvez explique os primeiros esquetes de Laços de Liberdade. Apesar de engraçados (especialmente o primeiro, o laço de amizade), eles destoam da mensagem geral e, como destaquei, se justificam apenas no sentido comercial, como uma espécie de preparação do público para algo mais sério que estava por vir. A mensagem é passada de maneira cômica e Chaplin dirige em um cenário minimalista, uma raridade para o diretor.

O melhor esquete da segunda parte é quando Carlitos aparece representando o povo e está entre o governo que lhe cobra impostos e lhe vende garantias de liberdade, e a indústria bélica. Fico imaginando como seria um outro filme do diretor dentro dessa mesma perspectiva e com a mesma estética.

Laços de Liberdade (The Bond) – EUA, 1918
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Sydney Chaplin, Albert Austin
Duração: 9 min.

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Ombros, Armas!

estrelas 4,5

Exercício cinematográfico antibelicista de Chaplin, realizado no ano em que a I Guerra Mundial terminou. Trata-se de uma comédia satírica e de amplitude diversa sobre a guerra, tratando da motivação dos homens para lutar e, claro, da visão do herói americano na Europa, vencendo os alemães. Esse viés, no entanto, não retira da obra a sua abordagem crítica, apenas reflete um pensamento de época.

Como sempre, há aqui a figura da amada que aparece onde menos se espera e, complementando o enredo, inúmeras situações impagáveis, dentre as quais destacamos a cena da “noite alagada” nas trincheiras, a hilária sequência em que o Carlitos soldado está disfarçado de árvore, e a boa direção de Chaplin na reta final, quando seu personagem entra para o lado das trincheiras alemãs e consegue capturar o Kaiser e militares de alta patente, pondo fim à guerra.

Ombros, Armas! (Shoulder Arms) – EUA, 1918
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Syd Chaplin, Jack Wilson, Henry Bergman, Albert Austin , Tom Wilson , John Rand
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.