Crítica | Curtas do Oscar 2014 – Live Action

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Sempre uma excelente escola para cineastas em formação, os curtas metragens são, infelizmente, completamente esquecidos do público em geral, especialmente no Brasil onde eles dificilmente são acessíveis fácil e legalmente. Os cinco concorrentes ao Oscar de melhor curta-metragem live action (com atores reais) esse ano trazem exemplos da Sétima Arte de cinco países diferentes, mas todos europeus: Reino Unido, Espanha, Finlândia, Dinamarca e França.

As notas abaixo são para cada obra e as traduções dos títulos para o português não são oficiais. Fiz assim apenas para facilitar e mantive também a versão em inglês, pois será nessa língua que eles serão chamados na cerimônia de entrega do Oscar.

The Voorman Problem / Reino Unido – 2012
(O Problema Voorman)

estrelas 2,5

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Martin Freeman faz o papel de um psiquiatra (Doutor Williams) que é chamado a uma prisão para avaliar um prisioneiro (Tom Hollander, no papel do título) que se diz Deus e que convenceu todos os demais presos disso. A premissa é bacana e funciona como uma comédia leve com um final do tipo Além da Imaginação, que, porém, não é exatamente criativa ou particularmente bem desenvolvida. Fica uma sensação de que faltou alguma coisa, algo que retirasse a fita do lugar comum de ideia legal executada de maneira simplista e pouco imaginativa.

O diretor estreante Mark Gill até que tenta, mas não tem muito o que trabalhar, já que o roteiro atrapalha o desenvolvimento da narrativa. Sobra, claro, a divertida interação de Freeman com Hollander, mas não muito mais do que isso.

Direção: Mark Gill
Roteiro: Baldwin Li, Mark Gill (baseado em romance de David Mitchell)
Elenco: Martin Freeman, Tom Hollander, Simon Griffiths, Elisabeth Gray
Duração: 13 min.

Aquel No Era Yo / Espanha – 2012
(That Wasnt’Me – Aquele Não Era Eu)

estrelas 3

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Médicos espanhóis com um guia local tentam fugir de uma zona de conflito civil em algum país africano. Capturados por crianças-soldados, logo entendemos o mote da fita e que combina perfeitamente com o título, quando a montagem corta para um futuro próximo em que vemos um jovem negro proferindo uma palestra sobre seu passado tenebroso em seu país de origem e como aquela criança não era ele realmente. No entanto, o foco mesmo do filme é no “passado” e no que aconteceu com os médicos graças às ações do menino e o diretor, competentíssimo nas sequências de ação, com montagem e valores de produção acima da média para um curta, acaba se perdendo um pouco ao tentar chocar o espectador.

Esquecendo-se da lição principal, Esteban Crespo, em seu sexto curta, nos apresenta um filme de ação muito bom que fica por aí mesmo, sem se aprofundar no que o faria ser um filme-denúncia exemplar. De toda forma, o resultado prende o espectador na cadeira com um suspense bem narrado e um vigor raro em obras dessa natureza.

Direção: Esteban Crespo
Roteiro: Esteban Crespo
Elenco: Alejandra Lorente, Gustavo Salmerón, Babou Cham, Mariano Nguema, Alito Rodgers Jr., Jose María Chumo
Duração: 24 min.

Pitääkö mun kaikki hoitaa? / Finlândia – 2012
(Do I Have to Take Care of Everything? – Eu Tenho que Fazer Tudo?)

estrelas 1,5

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Uma mãe e esposa acorda atrasada para um casamento aparentemente muito importante e sai desabalada acordando marido e filhos. É aquela clássica sucessão de erros e azares que já vimos vezes demais em comédias demais. Chega a ser engraçadinho por alguns poucos segundos, mas, depois, a narrativa é dolorosamente óbvia e nunca realmente decola, mesmo em seus míseros sete minutos. A diretora, Selma Vilhunen, uma veterana em curtas, depende demais de seu elenco, mas ele nunca dá conta de verdade do ritmo cômico necessário e acaba caindo na mesmice e na pantomima.

Direção: Selma Vilhunen
Roteiro: Kirsikka Saari
Elenco: Joanna Haartti, Santtu Karvonen, Ranja Omaheimo, Ella Toivoniemi, Jukka Kärkkäinen
Duração: 7 min.

Helium
Dinamarca, 2014

estrelas 4

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Helium é pura ternura e um gerador de copiosas lágrimas mesmo nos corações mais duros. Impossível não se apaixonar pela relação de amizade entre um menininho com uma doença terminal e que não está muito convencido de que o “Paraíso” é um lugar bacana para se ir e o novo zelador do hospital que oferece como alternativa Helium, uma terra mágica que mistura os conceitos de Up – Altas Aventuras e Avatar.

Anders Walter, o diretor, não tem vergonha alguma em manipular o espectador com o rostinho angelical do garoto Enzo (Casper Crump) e com a bondade – e lágrimas – do zelador Alfred (Pelle Falk Krusbæk) e trabalha com uma ótima atmosfera de fábula que é complementada com um competente uso de computação gráfica (considerando, claro, o parco orçamento).

Direção: Anders Walter
Roteiro: Anders Walter, Christian Gamst Miller-Harris
Elenco: Casper Crump, Pelle Falk Krusbæk, Marijana Jankovic
Duração: 23 min.

Avant que de Tout Perdre / França – 2013
(Just Before Losing Everything – Antes de Perder Tudo)

estrelas 4,5

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O filme começa despretensioso, com um menino saindo de casa, alimentando sua cadela e indo para a escola. Ele é parado por sua professora que reclama que ele está indo no caminho errado, mas ele diz que seu pai pediu para ele comprar cigarros. O espectador fica meio perdido – propositalmente – em uma brilhante narrativa que vai aos poucos se revelando como uma trama em que uma mãe abusada por seu marido resolve finalmente fugir de casa levando seus filhos.

O encadeamento de ideias e de revelação de detalhes da trama se dá primordialmente de forma visual, mostrando um completo controle do meio pelo diretor Xavier Legrand (em sua estreia na direção). Sabemos que há algo de errado, mas não exatamente o quê e os diálogos esparsos vão montando um quebra cabeças que acaba sendo completamente revelado quando a mãe tem que trocar de roupa na frente de seus amigos de trabalho, para o choque geral de todos, que vêem seus hematomas, para lidar com uma situação inesperada.

Mas é claro que o curta não é sobre o mistério em si, mas sim sobre a denúncia que faz, sobre o apelo que joga para todas as mulheres, maridos e amigos de pessoas que sofrem abuso. Legrand sabe disso e acrescenta magistralmente camadas certas de suspense e uma absurda quantidade de tensão com câmera sempre atrás da protagonista para impedir que a história seja esquecida. Seu único erro foi na escalação dos filhos da mãe abusada, pois as crianças, especialmente o menino, não parecem conseguir mergulhar na tensão que o trabalho exige.

Direção: Xavier Legrand
Roteiro: Xavier Legrand
Elenco: Léa Drucker, Anne Benoît, Miljan Chatelain, Mathilde Auneveux, Denis Ménochet, Claire Dumas, Stéphane Shoukroun, Brigitte Barilley
Duração: 29 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.