Crítica | Curtas do Oscar 2015 – Animação

Seguem as críticas dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Animação – Curta Metragem em 2015 (os títulos foram mantidos no original quando não havia versão oficial em português na época de redação das presentes críticas):

The Bigger Picture (Reino Unido – 2014)

estrelas 3

short 5

Feito com uma mistura de técnicas que resulta em uma arte fascinante, The Bigger Picture conta a história de dois irmãos com posições diferentes sobre o que fazer com a mãe idosa. Mandam para um asilo ou cuidam dela eles mesmos? O que não quer cuidar da mãe é bem-sucedido e o que faz questão de ficar ao lado dela mesmo nas piores situações é percebido como um fracasso.

Mas a animação não faz julgamentos maniqueístas. Ele põe a questão de maneira série e um tanto quanto triste, até depressiva: o que fazer em situações como essa? No entanto, talvez pela curta duração, o roteiro parece inacabado, apressado, como se muito foco tivesse sido dado para a arte de animação e si em detrimento da história. O resultado é um curta que deixa de queixo caído pela originalidade da arte, mas não chega ao mesmo nível em termos de roteiro.

Como estou falando da arte sem explicá-la, vale uma tentativa de descrição. Os personagens são pintados literalmente na parede, com as partes inferiores do corpo e os elementos do cenário feitos em papel machê ou técnica semelhante, gerando uma mixagem fluida, mas estranha entre desenho e stop-motion. É difícil explicar eficientemente, pelo que vale assistir ainda que seja pelo inusitado.

Direção: Daisy Jacobs
Roteiro: Daisy Jacobs, Jennifer Majka
Elenco: Anne Cunningham, Christopher Nightingale, Alisdair Simpson
Duração: 8 min.

The Dam Keeper (EUA – 2014)

estrelas 5,0

short 3

Egressos da Pixar, os diretores, produtores e roteiristas Robert Kondo e Daisuke “Dice” Tsutsumi fizeram, com The Dam Keeper (em tradução literal “O Zelador da Represa”) um lindo libelo anti-bullying sob o manto de uma história fantasiosa de um simpático porquinho que precisa manter o moinho ativo para evitar que a fuligem além da represa invada sua cidadezinha. Todo dia ele “dá corda” no moinho e todo dia ele desce para ir para a escola.

Mas, como ele chega todo sujo em razão de seu trabalho – herança de seu pai, provavelmente falecido, não fica claro – seus colegas só encarnam nele e fazem as típicas brincadeiras que acabam ganhando contornos mais sérios. Um belo dia, porém, chega um novo aluno, uma raposa chamada somente de Fox (não há animais repetidos, vale frisar) e  os dois começam a formar laços de amizade.

O desenho tem uma bela mensagem que é muito bem construída ao longo de seus 18 minutos. A personalidade do porquinho é desenvolvida de maneira certeira e o espectador consegue se identificar facilmente com ele. A história é engajante e original, pois não só dá sua importante lição – sem rodeios – como o faz com um tom de fábula em uma narrativa muito original.

E a arte ajuda muito no tom estabelecido pela fita. Desenhada à mão, mas com efeitos de “movimento” como pinceladas acrescentadas no Photoshop, o que vemos em tela é quase que um balé de cores, daqueles de fazer o queixo cair. Nada muito rebuscado ou realista. Ao contrário até, pois o resultado é quase impressionista, talvez como se Monet tivesse passado por ali. Há, também, uma aura de cuidado, de amor mesmo no trabalho, algo que deve estar no DNA dos diretores em razão de seu trabalho na Pixar e que também lembra obras japonesas como as do Estúdio Ghibli.

Um verdadeiro primor de desenho.

Direção: Robert Kondo, Daisuke “Dice” Tsutsumi
Roteiro: Robert Kondo, Daisuke “Dice” Tsutsumi
Elenco: Lars Mikkelsen
Duração: 18 min.

O Banquete (Feast, EUA – 2014)

estrelas 5,0

short 4

Leia a crítica de O Banquete aqui, pois a publicamos juntamente com a crítica de Operação Big Hero, já que esse curta antecedeu o desenho da Disney.

Me and My Moulton (Noruega/Canadá – 2014)

estrelas 4

short 2

Torill Kove, a diretora e roteirsta de Me and My Moulton é, pode-se dizer, veterana de indicações ao Oscar na categoria de curtas animados. Ela foi indicada por My Grandmother Ironed the King’s Shirts, de 2001 e ganhou já a estatueta por  O Poeta Dinamarquês, de 2006. Essa nova indicação é autobiográfica, com traços simplistas e é uma viagem pela cabeça da irmão do meio de uma família norueguesa pouco ortodoxa.

O traço infantil é proposital para passar em imagens o que se passa na confusa mente da menina que não sabe bem o que pensar sobre os pais. Eles são diferentes dos outros pais e os outros pais, claro, são melhores que os que ela tem. É muito interessante como Kove realmente mergulha de forma crível na psiquê da criança (ela mesmo) sem deixar de também fazer suas críticas aos pais, que têm a tendência de impor seus gostos às filhas (naturalmente, aliás). Com isso, a história flui muito bem e Kove ainda é capaz de aliar estilos arquitetônicos e obras de arte conhecidas em sua obra, refletindo a profissão dos pais (arquitetos) e recheando o curta de referências divertidas que o espectador mais afiado reconhecerá.

Ah, você quer saber o que ou quem é “Moulton”? Bem, não vou dizer não… Veja o desenho!

Direção: Torill Kove
Roteiro: Torill Kove
Elenco: Andrea Bræin Hovig (narração)
Duração: 14 min.

A Single Life (Holanda, 2014)

estrelas 5,0

short 1

Como criticar um curta de apenas dois minutos? Em 150 caracteres? Ih, acho que até já passei… E nem disse nada.

Bem, vamos lá: A Single Life parte de uma premissa brilhante e a executa também de maneira brilhante. Sem enrolação, consegue, em brevíssimos minutos, capturar toda uma vida, encapsular literalmente o que é a vida a partir de um disco “single” (o significado de single é variado nesse curta) que controla a vida de uma mulher, fazendo-a avançar e retroceder no tempo.

Lírico, preciso, bonito, perfeito. Precisam de algo mais?

Direção: Marieke Blaauw, Joris Oprins, Job Roggeveen
Roteiro: Marieke Blaauw, Joris Oprins, Job Roggeveen
Elenco: Pien Feith
Duração: 2 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.