Crítica | Curtas-metragens de Charles Chaplin (1914) – Parte 1

O presente conjunto de textos traz críticas para os primeiros curtas-metragens protagonizados por Charles Chaplin.

Carlitos Marquês

estrelas 3,5

Cruel Cruel Love

Considerado perdido por 50 anos, até que uma cópia em bom estado foi descoberta na América do Sul, de onde pôde novamente ser disponibilizado para exibição.

Apesar de não ser um de seus curtas mais inventivos ou engraçados, Carlitos Marquês é Charles Chaplin em sua forma mais simples, ingênua e divertida. No filme, acompanhamos  Chaplin interpretando um personagem de classe-alta, bem diferente de outro personagem marcante seu, o Vagabundo. Na trama em questão, o romance do personagem com sua namorada chega ao fim quando ele é visto abraçando uma das empregadas de sua amada. A partir daí, Chaplin nos entrega um de seus momentos mais histriônicos e expressivos, quando seu personagem acredita ter ingerido veneno. As peripécias e gags do momento são simples, mas não deixam de ser engraçadas, especialmente devido ao timing cômico de Chaplin, que poucos já conseguiram igualar.

Carlitos Marquês (Cruel Cruel Love, EUA, 1914)
Roteiro: Craig Hutchinson
Direção: George Nichols, Michael Sennett
Elenco: Charles Chaplin, Edgar Kennedy, Minta Durfee
Duração: 16 min.

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Dia de Estreia

estrelas 2,5

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Como um grande amante de sua arte, Chaplin era constantemente metalinguístico em seus filmes. No caso de Dia de Estreia, o clássico personagem conhecido como  Vagabundo se infiltra num estúdio de filmagem, onde apronta todas as suas peripécias.

Mas com exceção dos minutos finais (e da hilária cena da arma), Dia de Estreia falha nas tentativas de arrancar risadas justamente por lhe faltar gags mais inspiradas, algo que sempre podemos esperar de Charles Chaplin. De fato, o filme mais parece uma propaganda dos estúdios Keystone, que também é o mesmo estúdio destruído pelo Vagabundo.

Dia de Estreia (A Film Johnnie, EUA, 1914)
Roteiro: Craig Hutchinson
Direção: George Nichols
Elenco: Charles Chaplin, Roscoe Arbuckle, Mabel Normand
Duração: 15 min.

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Dia Chuvoso

estrelas 3

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Dia Chuvoso é daqueles filmes de Charles Chaplin que chegam ao seu estado de graça não pela inventividade das situações ou de suas gags, mas pela naturalidade genuína com que conseguem gerar suas risadas. De fato, o mais interessante é como Chaplin transforma Carlitos numa espécie de anti-herói: uma jovem ingênua tem seu guarda-chuva roubado, e Carlitos tenta ajuda-lá a recuperar o guarda-chuva, mas desejando ser recompensado pela tarefa.

Embora seus minutos iniciais não sejam dos mais interessantes, toda a sequência de Carlitos lutando com o ladrão para recuperar o guarda-chuva é pra lá de hilária e muitíssimo bem coreografada, e se não há muitas gargalhadas, ao menos somos capazes de ficar com um sorriso no rosto ao final.

Dia Chuvoso (Between Showers, EUA, 1914)
Roteiro: Reed Heustis
Direção: Henry Lehrman
Elenco: Charles Chaplin, Ford Sterling, Chester Conklin
Duração: 12 min.

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Carlitos Repórter

estrelas 4

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 Interpretando um personagem diferente do que viríamos a nos acostumar no que se refere a Charles Chaplin, Carlitos Repórter nos apresenta um falso aristocrata inglês que, ao trabalhar como repórter, se envolve no caso do roubo de uma câmera cujas fotos carregam um conteúdo sensacionalista.

O filme é, obviamente, uma crítica ao sensacionalismo propagado pelo jornalismo pretensioso, ao mesmo tempo que o filme demonstra grande agilidade no uso dos cenários, onde muita correria acontece, o que lhe torna um dos curtas mais intensos já protagonizados por Chaplin. E claro, tudo isto sem deixar as gargalhadas de lado.

Carlitos Repórter (Making a Living, EUA, 1914)
Roteiro
: Reed Heustis
Direção: Henry Lehrman
Elenco: Charles Chaplin, Virginia Kirtley, Alice Davenport
Duração: 12 min.

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Corridas de Automóveis Para Meninos

estrelas 5

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 Corridas de Automóveis Para Meninos é um dos mais surpreendentes e genuinamente engraçados curtas de Charles Chaplin. Basicamente, temos o Vagabundo em meio a um cenário de corridas de automóveis e causando muita confusão, especialmente para o cameran que deseja filmar a corrida.

O segredo está justamente naquilo que Chaplin sabe fazer a melhor: a improvisação. O diretor Henry Lehrman e Chaplin se aproveitaram de uma corrida de carros real para filmar o curta, contando apenas com Chaplin andando por entre os carros e improvisando suas gags, algo que deu extremamente certo. A maneira natural e descontraída com que Chaplin caminha pelo cenário e causa confusões é de fazer rolar de rir, e também surpreende pela ousadia do ator em se oferecer ao perigo, tudo apenas para filmar sua arte. É como dizem: já não se fazem mais artistas como Charles Chaplin hoje em dia.

Corridas de Automóveis Para Meninos (Kid Auto Races at Venice, EUA, 1914)
Roteiro: Henry Lehrman
Direção: Henry Lehrman
Elenco: Charles Chaplin, Henry Lehrman, Frankie D. Williams
Duração: 11 min.

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Carlitos no Hotel

estrelas 4

5

Um dos curtas mais polêmicos de Charles Chaplin, Carlitos no Hotel foi um dos pioneiros na apresentação do personagem O Vagabundo, já visto antes em Corridas de Automóveis Para Meninos.

Como qualquer Chaplin, é divertido e deveras hilário, mas o que chama mais atenção são as polêmicas envolvendo a produção, que inclusive chegou a ser proibida na Suécia, tudo devido a suas cenas amorosas, consideradas indevidas para a época. Mas deixando as polêmicas de lado, o curta é elegante e engraçado, romântico e criativo, com situações inusitadas que garantem uma boa dose de diversão.

Carlitos no Hotel (Mabel’s Strange Predicament, EUA, 1914)
Roteiro
: Henry Lehrman
Direção: Henry Lehrman
Elenco: Charles Chaplin, Mabel Normand, Chester Conklin, Alice Davenport
Duração: 17 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.