Crítica | Curtas-metragens de Charles Chaplin (1914) – parte 5

O presente bloco de textos traz críticas para sete curtas-metragens de Charles Chaplin lançados entre Outubro e Dezembro de 1914.

 

Dinamite e Pastel

estrelas 4

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Dinamite e Pastel coloca Carlitos em uma padaria, onda seu jeito desastrado acaba afetando não só os donos do estabelecimento, como os clientes. As risadas são garantidas em cada falha tentativa do personagem em fazer absolutamente qualquer coisa. Ao mesmo tempo, o restante dos padeiros declara greve, deixando ainda mais nas mãos do coitado que mal o forno sabe operar.

A situação complica quando os grevistas decidem colocar uma dinamite (enfim, a explicação do título) em um dos pães a fim de explodir o lugar. É um bom exemplo da direção de Chaplin, que consegue transmitir perfeitamente sua história através simplesmente dos personagens com poucas cartelas de ação dramática.

Dinamite e Pastel (Dough and Dynamite) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Mack Sennett
Elenco: Charles Chaplin, Chester Conklin, Fritz Schade, Norma Nichols
Duração: 33 min.

Carlitos e Mabel Assistem às Corridas

estrelas 4

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O título, facilmente, entrega o fim do curta. Vemos duas histórias seguindo em paralelo: a primeira mostra um casal assistindo as corridas, enquanto o marido flerta com uma mulher ao lado; na outra acompanhamos a tentativa de Carlitos entrar no autódromo. A progressão da narrativa nos traz alguns momentos de slapstick – uns exagerados demais, enquanto outros trazem sinceras risadas. Ambas as linhas narrativas convergem finalizando em um divertido pequeno romance que traz o encerramento ao curta.

Carlitos e Mabel Assistem às Corridas (Gentlemen of Nerve) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Mabel Normand
Duração: 16 min.

 Carregadores de Piano

estrelas 2,5

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Carregadores de Pianos é um filme que tem dificuldade, no início, para achar seu ritmo. Quando o alcança, porém, assistimos uma engraçada confusão de entrega de piano a partir de dois trabalhadores completamente incompetentes.

Muitas das gags do filme foram utilizadas posteriormente em Caixa de Música, de O Gordo e o Magro.

Carregadores de Pianos (His Musical Career) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, Fritz Schade
Duração: 16 min.

 O Casamento de Carlitos

estrelas 2

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O Casamento de Carlitos está longe de ser um curta. Com 82 minutos em sua cópia restaurada, este é um filme histórico por ter sido a primeira comédia pastelão longa metragem. Nele vemos Carlitos como um verdadeiro mulherengo que, após uma briga com a namorada, conhece Tillie (um dos primeiros papeis de Marie Dressler). Ao descobrir a fortuna da garota, o protagonista pede ao pai da menina sua mão em casamento.

Apesar de contar com um evidente valor histórico, a obra exibe uma narrativa típica de curta-metragem que não consegue se traduzir de forma efetiva para o formato de um longa. O slapstick de Mack Sennet não funciona dentro do filme, prejudicando a imersão do espectador.

Ao mesmo tempo, enquanto a trama progride, o personagem de Carlitos vai se apagando perante à de Dressler que, mesmo assim não se destaca – a atriz alcançaria sua plenitude somente anos mais tarde no cinema falado.

No fim, o que resta é um curta que tenta ser longa, uma comédia arrastada que, com dificuldade, consegue tirar algumas risadas dos espectadores. Ainda assim é uma obra importante para o cinema, que merece ser assistida por qualquer cinéfilo por mais primitiva que seja.

O Casamento de Carlitos (Tillie’s Punctured Romance) – EUA, 1914
Direção: Mack Sennett, Charles Bennett
Roteiro: Hampton Del Ruth, Craig Hutchinson, Mack Sennett
Elenco: Charles Chaplin, Marie Dressler, Mabel Normand, Mack Swain, A. Baldwin Sloane
Duração: 82 min.

 O Engano

estrelas 3,5

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Carlitos e Ambrose se encontram em um restaurante e acabam trocando de casacos. Em um deles temos uma carta de amor, no outro uma garrafa de leite para bebê. Não é preciso dizer que as respectivas esposas acabam tirando conclusões erradas de seus maridos, garantindo as risadas dentro do curta.

O Engano é uma obra interessante, ao passo que vemos Carlitos como um pai de família e não dentro de seu costumeiro papel de vagabundo ou simplesmente tentando realizar um trabalho para o qual não conta com nenhuma competência. É um curta que irá tirar boas risadas, mas que sofre pequenos deslizes no roteiro, em geral provocados pela comédia usual da Keystone.

O Engano (His Trysting Place) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Mabel Normand, Mack Swain, Phyllis Allen
Duração: 32 min.

Carlitos e Mabel de Passeio

estrelas 3,5

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Em sua última obra ao lado de Mabel Normand e penúltima sob as rédeas do Keystone Studios, vemos um abandono do slapstick exagerado do estúdio. Ao invés disso, temos uma comédia mais discreta sobre dois casais em um parque cujos maridos se apaixonam pela esposa do outro. A trama não foge do comum, ainda assim se destaca perante as obras com um maior teor de violência deste ano do cineasta.

Tal mudança de tom em relação aos outros filmes é decorrente do fato de Chaplin ter dirigido e editado este curta.

Carlitos e Mabel de Passeio (Getting Acquainted) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Phyllis Allen, Mack Swain, Mabel Normand
Duração: 16 min.

O Passado Pré-Histórico

estrelas 1,5

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Em seu curta de 22 minutos de duração, Chaplin nos à idade da pedra. Ao chegar na terra do Rei Low-Brow, Carlitos se apaixona por uma das mulheres do rei. O que vemos em Passado Pré-Histórico é um quase que completo abandono do humanismo presente nos filmes de Chaplin em detrimento do puro slapstick em gags que simplesmente não convencem.

Não foi por acaso que este foi o último curta do realizador no Keystone Studios.

 O Passado Pré-Histórico (His Prehistoric Past) – EUA, 1914
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Mack Swain, May Wallace, Gene Marsh, Fritz Schade
Duração: 22 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.