Crítica | D.U.F.F.

estrelas 3

Já faz um tempo que é debatida a existência de uma crise criativa em Hollywood. Inúmeras sequências chegando ao circuito, pouquíssimos materiais originais vingando, milhares de adaptações de livros e olhos mais voltados para a TV são alguns dos fatores que fortalecem essa teoria de que o cinema americano passa por momentos complicados. O cinema teen, que tem um público cativo e dificilmente decepciona os estúdios – por custarem pouco e arrecadarem muito – também tem tido menos títulos nos últimos anos. Tentando preencher essa lacuna, D.U.F.F. surge como uma das grandes apostas do gênero para 2015.

Bianca (Mae Whitman) é a amiga hipster deslocada de Jess e Casey, duas das mais legais, bonitas e descoladas meninas do colégio. Por ter alguns quilos a mais e beleza de menos, Bi ouve do amigo de infância – e atleta da escola – Wesley (Robbie Amell) que ela é uma D.U.F.F. (sigla de Designated Ugly Fat Friend ou “Amiga Gorda e Feia”, em tradução livre), a famosa “amiga feia”, que os caras usam para poder chegar nas meninas que estão por trás, ou seja, as bonitas e realmente interessantes. Arrasada por descobrir que todos a veem daquela maneira, Bianca decide se repaginar totalmente, com a ajuda de Wesley.

É importante dizer que a melhor coisa de D.U.F.F. é Mae Whitman. A atriz é extremamente competente, cativante, natural e está completamente à vontade interpretando Bianca. Mae is the real deal e tem talento de sobra para carregar o filme nas costas. Outro acerto é a escolha de Robbie Amell para o amigo da protagonista. O rapaz passa bem longe de Whitman em matéria de atuação, mas é carismático e sua química com a atriz funciona muito bem na tela. E um presente que o longa nos dá é a presença da sempre ótima Allison Janney, como a mãe palestrante de Bianca.

D.U.F.F. apresenta uma leitura atual e até interessante das escolas de ensino médio atuais, mas o foco não é esse. A intenção é ser um daqueles longas de transformação, superação, da menina excluída socialmente – mas muito mais legal que as populares – que precisa ser notada e aceita do jeito que é. Você já viu esse filme um milhão de vezes. Em meio a estereótipos, estereótipos, estereótipos, referências pop e virais, DUFF apresenta também artes visuais se misturando com os atores e ilustrando situações, artimanha que, mesmo que não seja original, delicia o espectador com uma ou outra sacada espertinha.

Em suma, D.U.F.F. só deve agradar completamente os aficionados por comédias teen high school, que ficam aguardando pelo próximo grande marco do gênero – o último foi o ótimo Meninas Malvadas, de 2004. Mesmo com uma ótima protagonista (personagem e intérprete), ainda não foi dessa vez.

(Fica a dica do excelente e inteligente A Mentira, de Will Gluck, com Emma Stone arrebentando como a heroína Olive. Muito melhor, mais esperto e mais sagaz que D.U.F.F.).

D.U.F.F. (The D.U.F.F.) – EUA, 2015
Direção:
Ari Sandel
Roteiro:
Josh A. Cagan (baseado no livro de Kody Keplinger)
Elenco:
Mae Whitman, Robbie Amell, Allison Janney, Bella Thorne, Bianca Santos, Chris Wylde, Skyler Samuels, Romany Malco, Ken Jeong
Duração: 101 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira