Crítica | Dark Souls 2: Crown of the Ivory King

estrelas 4O capítulo final da trilogia de DLCs The Lost Crowns, nos leva a um dos lugares mais enigmáticos de Dark Souls 2: Shrine of Winter. O local já chamava atenção no jogo base, mas nos deixou curiosos devido à sua falta de explicação – algo comum na série Souls, basta lembrar aquela lápide quebrada no Nexus de Demon’s Souls. Em Crown of the Ivory King, enfim, o santuário do inverno nos leva para um local distante e antigo: o reino de Eleum Loyce.

Ao tocar no estranho monumento somos, como nos episódios anteriores, teleportados para essa nova área. À princípio Loyce nos lembra bastante de Drangleic Castle, perfeitamente se encaixando no conceito de diversos reinos terem surgido e caído naquele mesmo local. Conforme exploramos, contudo, a área ganha suas particularidades, diferenças que tornam essa uma experiência única. Os que acompanharam a série desde o princípio sentirão uma enorme similaridade com Boletaria – andar pelas construções de pedra, tipicamente medievais, apela para nossas memórias, criando um distinto saudosismo nos jogadores de Demon’s Souls. Por outro lado, a visão a longa distância facilmente nos lembra de Undead Burg de Dark Souls – desta forma, o DLC sabiamente apela para um público mais amplo, satisfazendo, sob esse aspecto, um grande número de jogadores.

Se compararmos com Crown of the Old Iron King, os cenários foram muito melhor trabalhados, não temos mais aqueles panoramas pixelados e sim uma amplitude de deixar qualquer um boquiaberto. Cada vista é uma grandiosidade notável, de se igualar com Anor Londo, do game anterior. As nevascas constantes (na primeira parcela do DLC) dão um ar de mistério e de perigo constante, nos deixando tensos com cada virar de câmera. Quando interrompemos essa violenta ventania descobrimos novas áreas e o backtracking se faz fortemente presente. Em termos práticos Eleum Loyce é a menor das áreas de The Lost Crowns, mas oferece um caráter exploratório bastante recompensador, nos obrigando a revisitar cada sala mais de uma vez. A precisão de design de cenários volta com todas as forças de Dark Souls e cada local está conectado circularmente com outros, possibilitando um fácil deslocamento, ainda que, à primeira instância, pareça confuso.

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O que tem embaixo dessa neve?

Crown of the Ivory King somente desliza no que diz respeito aos inimigos. Ao contrário dos cenários, esses não receberam o mesmo cuidado e são similares demais. Não temos diferentes desafios e sim uma constante mesmice que perdura até o fim do DLC. Para piorar ainda temos uma dificuldade desequilibrada, demonstrando-se excessivamente difícil de forma injusta. Vale lembrar que a fama da alta dificuldade de Demon’s/ Dark Souls está atrelado à forma criativa como os desafios são construídos, não trata-se apenas de inimigos mais resistentes ou mais fortes e sim de uma confluência de fatores que tornam cada experiência única. Infelizmente o conteúdo adicional acaba falhando neste fator. A exceção é a luta contra o chefe final, que facilmente se classifica como uma das melhores da série: desafiadora e épica.

Encaixando-se organicamente na mitologia de Dark Souls 2, Crown of the Ivory King conta com seus erros, mas é uma experiência imperdível para qualquer fã da série Souls. Além disso, quem possuir os três DLCs ainda conta com um interessante bônus relacionado a um certo King Vendrick.

Dark Souls 2: Crown of the Ivory King
Desenvolvedor:
 From Software
Lançamento: 30 de Setembro de 2014
Gênero: RPG
Disponível para: Ps3, Xbox 360, Pc

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.