Crítica | Darth Vader (2017) – Vol. 1: A Máquina Imperial

A primeira revista solo de Darth Vader já de volta na Marvel Comics certamente não desapontou. Além de nos entregar alguns memoráveis arcos, como o crossover A Queda de Vadera revista nos apresentou alguns icônicos novos personagens, mais notavelmente a sidekick do lorde sombrio dos Sith, Doutora Aphra. Apesar dessa inesperada qualidade (não é nada fácil criar uma história sobre o maior vilão do Cinema), a revista chegou ao seu fim e, pouco tempo depois, foi anunciada uma nova publicação mensal tendo Vader como protagonista: Darth Vader: Lorde Sombrio dos Sith. Ao contrário da anterior, contudo, que se passava durante os eventos da Trilogia Original, essa nova história situa-se pouco após os eventos de A Vingança dos Sith.

Encontramos, pois, um Vader consideravelmente mais jovem, com personalidade mais próxima do Anakin da Trilogia Prelúdio – diferenciado de forma a não odiarmos o personagem, claro. Ao contrário da frieza e distanciamento do antagonista que conhecemos em Uma Nova Esperança, o personagem que aqui acompanhamos é repleto de ira, impaciência e impulsividade, em outras palavras, essencialmente diferente daquele que protagonizara a revista anterior. Nesse primeiro arco, O Escolhido (A Máquina Imperial é apenas o título do encadernado), cabe ao Darth encontrar um jedi ainda vivo, para que possa assassiná-lo e tomar seu sabre de luz – somente assim o Sith conseguirá a sua icônica lâmina vermelha.

Um dos grandes problemas desse primeiro arco é que o roteiro de Charles Soule parece estar mais preocupado com o estabelecimento de detalhes do novo cânone do que com a história em si. Evidente que estamos falando de uma trama bem simples, mas não é esse o problema – por vezes diálogos extremamente expositivos tomam conta de espaços que seriam melhores gastos para desenvolver a trama principal. Bom exemplo disso são as páginas finais do arco, que encerram tudo de maneira extremamente apressada, quebrando por completo o clímax. Isso sem falar na estrutura geral do arco, que finaliza uma trama e inicia outra na última edição – em essência, O Escolhido/A Máquina Imperial, portanto, termina no número cinco e não no seis.

Ainda assim, é gratificante enxergar como Soule sabe captar a essência do conflito em Vader, criando a perfeita ponte entre Anakin e o Sith que conhecemos na Trilogia Original. Essa é uma fase importante para o personagem, ainda não explorada no novo cânone e pode gerar algumas boas histórias. Além disso, é preciso ressaltar como alguns pontos deixados de lado na trilogia prelúdio são trazidos à tona, como a sobrevivência de alguns Jedi e a desativação dos clones, algo que fora abordado somente no Universo Expandido. Não podemos esquecer, também, da boa utilização de personagens previamente apresentados em Star Wars Rebels, o que passa a impressão de um universo, de fato, conjunto.

Infelizmente, muito do trabalho de Soule acaba se perdendo em razão da arte de Giuseppe Camuncoli, que distorce o capacete do protagonista por completo, muitas vezes tirando seu ar de imponência, tão necessário a determinados quadros. Por nitidamente incomodar, o traço acaba prejudicando nossa imersão, ao passo que somos retidos em determinadas páginas, contemplando o quão melhor seria a revista nas mãos de outro artista. Uma verdadeira pena, já que trata-se de um período importante na história de Star Wars.

Esse primeiro volume de Darth Vader: Lorde Sombrio dos Sith, portanto, demonstra não chegar ao nível da revista anterior, mas, ainda assim, deixa entrever uma promessa, podendo nos entregar histórias mais engajantes e, se dermos sorte, com um traço mais digno do importante personagem. O Escolhido/A Máquina Imperial nos mostra como Vader conseguiu seu sabre de luz e, por mais que se preocupe demais com detalhes do novo cânone, certamente é uma história que todo fã mais dedicado deve ler.

Darth Vader: Dark Lord of the Sith – Vol. 1: O Escolhido — EUA, 2017
Contendo:
Darth Vader (2017) # 1 a 6
Roteiro:
Charles Soule
Arte: Giuseppe Camuncoli
Arte-final: Cam Smith
Cores: David Curiel
Editora original: Marvel Comics
Data de publicação original: junho a outubro de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 152

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.