Crítica | Darth Vader e a Prisão Fantasma

estrelas 4

Espaço: Coruscant, Prisma
Tempo: A Ascensão do Império 19 anos antes da Batalha de Yavin (a.BY)

A Ordem 66 foi efetuada, exterminando quase que a totalidade dos jedis na galáxia. No vazio que ficamos entre o Episódio III e IV, Haden Blackman constrói seu roteiro, nos trazendo um pouco mais de detalhes sobre essa época obscura. O Império ainda se consolida e a Aliança Rebelde se limita apenas ao imaginário de alguns, dentre eles Bail Organa. Mas esta história não é sobre eles e sim sobre um jovem cadete das academias imperiais, sobre um homem que acabara de se tornar tenente das forças imperiais. Darth Vader e a Prisão Fantasma nos traz esse interessante olhar sobre os primórdios desse governo, nos oferecendo uma visão mais íntima sobre Darth Vader e o imaginário das pessoas que rapidamente abandonaram a República.

dvepf3-pcA história tem início com a cerimônia de graduação dos cadetes de diferentes academias. Treinados para serem oficiais do Império Galáctico, esses jovens se veem frente a frente com o alto-escalão de Coruscant, mais especificamente, o próprio Imperador e Darth Vader. Não demora muito, contudo, para que as celebrações se transformem em terror, quando um atentado terrorista ali ocorre, visando o assassinato de Palpatine. Laurita Tohm, recém graduado, é pego de surpresa quando descobre que seus colegas de classe e seu instrutor estão por trás do ataque. Apesar disso, ele se mantém fiel ao Império e ajuda Darth Vader e Moff Trachta a esconderem o fragilizado Imperador, que foi colocado à beira da morte por um gás venenoso. Seu destino é uma antiga prisão conhecida por poucos.

Com um foco quase que exclusivo no tenente Tohm, a trama procede de forma bastante fluida e orgânica. Fazendo bom uso de balões de pensamento acompanhamos o imaginário do jovem acerca do Império e de Vader ou Palpatine. É interessante notar como não só ele, como muitos outros, acreditam na rebelião dos jedi, defendem que a melhor escolha é, de fato, o fim da República. Mesmo os terroristas da história não desejam o fim do Império e sim que um novo líder seja colocado no poder, um governante que não envie tantos oficiais de seus exércitos para uma prematura morte, como vem ocorrendo nesses poucos meses desde a Ordem 66.

Nas mãos de Blackman, porém, o roteiro vai além dessa camada superficial e decide trabalhar nossa percepção de Vader nesse seu “início de carreira”. Temos nele uma figura ainda abalada pelos recentes acontecimentos, um Anakin ainda novo que demonstra claramente sinais de orgulho e impetuosidade, como era recorrente nos Episódios II e III. Mas dentre tais características há uma que claramente se destaca: sua falta de piedade. Sua queda para o lado negro foi praticamente solidificada a esse ponto e o roteiro cria, através de sua personalidade em construção, um evidente vínculo entre a trilogia clássica e a nova, dando sinais do lorde sombrio que veríamos, com maior destaque, no Império Contra-Ataca. 

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Sempre piedoso

Através da arte de Agustin Alessio, os quadrinhos adotam um realismo notável, que nos passam a nítida impressão de estarmos assistindo mais um filme da franquia. Ao mesmo tempo, o trabalho de coloração, feito à mão, soa como uma pintura, como se de fato estivéssemos diante de um registro ilustrado e aqui voltamos aos balões de pensamento já citados, que funcionam como um futuro relatório a ser entregue ao Imperador. Mais de uma vez Tohm decide o que irá incluir ou não, que fatos deixará para trás e quais segredos irá entregar a Palpatine e essa “história paralela” se encaixa perfeitamente com as ilustrações. Somado a isso, temos uma ênfase em tonalidades escuras – principalmente o azul -, que nos aprofunda nesse tom sombrio da narrativa. Afinal, estamos nos dark times que o velho Obi-Wan se refere.

A minissérie sofre somente com um deslize, este é a forma acelerada como constrói sua resolução. O acréscimo de apenas uma edição (são cinco) resolveria o problema facilmente. Ao invés disso temos um subaproveitamento não só da Prisão Fantasma, que muito se assemelha com o Star Forge de Knights of the Old Republic, como do próprio Imperador, que, após determinada edição é deixado de lado. É evidente que Blackman ansiava por uma história concisa, dinâmica e de fato consegue em sua maioria, mas acaba pecando pelo exagero nestes números finais. Ainda assim, as páginas finais são brilhantemente construídas e trazem uma angustiante surpresa que muito se encaixa com os personagens trabalhados nessas cinco revistas.

Darth Vader e a Prisão Fantasma é um sólido trabalho de Haden Blackman e Agustin Alessio, que nos oferecem um interessante olhar sobre esse período não contemplado pelos filmes. Com um roteiro bem-construído, linear e amarrado, somos oferecidos um olhar íntimo sobre diversos aspectos do Império e seus mais ilustres indivíduos. Uma minissérie essencial para qualquer fã da franquia.

Darth Vader e a Prisão Fantasma (Darth Vader and the Ghost Prison – EUA, 2012)
Minissérie em 5 edições
Roteiro: Haden Blackman
Arte: Agustin Alessio
Cores: Agustin Alessio
Páginas: 24 (cada número)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.