Crítica | DC Elseworlds: LJA – Sociedade Secreta

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estrelas 3,5

Dos Elseworlds envolvendo a Liga da Justiça, Sociedade Secreta talvez seja o que mais coisas impactantes e ao mesmo tempo moralmente complexas nos tragam para o leitor pensar e relacionar com elementos do cotidiano. Publicada em duas edições e escrita por Howard Chaykin e David Tischman a minissérie basicamente mostra a Liga (aqui, chamada de Ordem Kryptica) combatendo o crime de uma maneira bastante diferente da que estamos acostumados, carregando também em seu bojo uma série de sementes de discórdia que florescerão nas páginas finais, causando a morte de dois personagens e fazendo renascer uma nova ordem heroica na Terra-5050, onde a aventura se passa.

Com uniformes diferentes e um outro código moral, vemos aqui a Ordem formada por Eléktron, Flash (Wally West), Lanterna Verde, Mulher Gavião, Metamorpho, Homem Borracha, Superman e Mulher-Maravilha, heróis que ao identificarem algum criminoso reincidente e perigoso, levam-no até o QG do grupo, julga as ações do prisioneiro e mandam-no para a Zona Fantasma, uma prisão que pelo propósito e aplicação específica nesta minissérie, nos traz memórias da prisão criada em Reino do Amanhã, anos antes. O fato de não só haver criminosos nesta Zona e de que todos ali estão em processo de mudanças de comportamento e desintoxicação de seus vícios já é uma indicação de que esta reclusão pode ser, sob alguns aspectos, considerada um benéfico. Mas isto só depois da cena final da história.

Ver heróis com um padrão já conhecido de comportamento agirem de maneira bem próxima ao tipo “Justiceiro” de heroísmo, onde são captores, juízes e algozes, causa no leitor um tipo bem interessante de estranhamento e acende debates se a ação deles deveria ser assim mesmo, o tempo inteiro, “porque é mais eficiente” ou se o jogo deveria ser jogado no plano democrático e conforme a lei. O fato é que o roteiro desta história assume essa postura dentro de uma Sociedade Secreta, onde os membros da Ordem Krypitica não são conhecidos pelo mundo, agindo sob escudos de invisibilidade (feitos do avião destruído para este propósito da Mulher-Maravilha) e tornando em estatística as centenas de criminosos que simplesmente desapareceram pela intervenção desses indivíduos.

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O momento em que as coisas começam a dar muito errado.

Nessa miríade de desvios morais temos outras jornadas em andamento, tão interessantes quanto a desses heróis. O caso do jovem rebelde Bart Allen (também Flash), filho de um policial chamado Barry Allen é o que maior atenção recebe dos autores. Em boa parte da história temos Bart tentando se encontrar no mundo, mal segurando as brigas com os pais e sendo recrutado, ao final, pela Ordem, tendo que lidar também com os crimes dos próprios membros desta organização (Lanterna, Flash e Eléktron roubam de ladrões e alteram o funcionamento da bolsa para ganharem dinheiro em cima), algo que ele não entende muito bem e não sabe como agir. O bom do roteiro é que não há uma mudança de característica referente a idade do personagem. Ele é respondão, gosta de doces, tem um modo ainda meio criança-meio jovem de falar, foge toda vez que não consegue lidar com problemas sérios e chama o pai para ajudar quando não sabe mais o que fazer.

Fechando o ciclo de personagens adicionais que fazem a história andar temos Lois Lane e o agente Bruce Wayne que investigam o caso dos desaparecimentos e acabam se encontrando de maneira mais… íntima, mesmo com um Clark Kent cheio de conflitos pessoais e com o corpo enfraquecido admirando Lois à distância, um ponto do texto que nos deixa bastante tristes pela forma como acaba, mas levando em consideração o personagem, era o final de sentido mais coerente para ele, até para o estabelecimento de um novo grupo, pela parceria entre Bruce e Bart.

Com uma arte contida de Mike McKone, bastante espremida em uma diagramação que boicota os desenhos e que também permite que em algumas páginas os balões e onomatopeias assumam mais espaço do que deveriam (e isso não tem muito a ver com o trabalho do letrista Bob Lappan, é a diagramação que não favorece a disposição dos desenhos mesmo), a história perde um pouco o impacto visual que poderia ter. No roteiro, há um sub-uso da Mulher-Maravilha e uma colocação sem muita necessidade da Mulher Gavião, que só serve para marcar o ponto de discussões com o Lanterna ou o Flash e mesmo assim, nada realmente importante para o andamento da HQ. No todo, a história é interessante. Traz bons conflitos de geração e uma exposição diferente mais um recomeço de um grande grupo de heróis na Terra-5050. Uma aventura da DC Elseworlds que merecia uma continuação.

DC Elseworlds: LJA – Sociedade Secreta (JLA: Secret Society of Super-Heroes) — EUA, 2000
No Brasil:
LJA – Liga da Justiça: A Sociedade Secreta (Editora Mythos, 2003)
Roteiro: Howard Chaykin, David Tischman
Arte: Mike McKone
Arte-final: Jimmy Palmiotti
Cores: Dave Stewart
Letras: Bob Lappan
Capas: Mike McKone
Editoria: Andrew Helfer, Harvey Richards
50 páginas (cada um dos encadernados da Mythos)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.