Crítica | De Volta para o Futuro (Trilha Sonora Original)

bttf

estrelas 5,0

Quando era apenas um jovem padawan no aprendizado do cinema, ia lentamente decorando os nomes de diretores, atores e compositores. Ao explicar a outro jovem colega sobre como John Williams era um dos mais brilhantes profissionais da área, citei seus trabalhos em Star Wars, Indiana Jones, E.T. – O Extraterrestre, De  Volta para o Futuro, Harry P… Eita, espera… John Williams compondo para a trilogia de Robert Zemeckis? Tem certeza? E foi naquele ledo engano quando criança, caros leitores, que aprendi o nome de Alan Silvestri.

Primeiramente, um esclarecimento: este texto é concentrado apenas na trilha instrumental de Silvestri para o filme, então não espantem a ausência de elogios a hits como The Power of Love, Back in Time ou o cover de Johnny Be Good desempenhado por Michael J. Fox.

Então voltemos à Silvestri. Muitos tendem a comparar o trabalho de Zemeckis com o de Steven Spielberg, e o fato de ambos terem compositores inseparáveis certamente confere mais gás à discussão. Ironicamente, foi o próprio Spielberg que sugeriu a Zemeckis que a trilha de Silvestri fosse de uma escala muito maior, tendo se decepcionado com a música deste para Tudo por uma Esmeralda, sua primeira colaboração com Zemeckis. Assim, Silvestri foi orientado para criar uma música que fosse maior do que o filme em si, ainda modesto e menor no primeiro capítulo de uma trilogia que ainda traria cidades futuristas e até mesmo o Velho Oeste americano.

A suite principal de De Volta para o Futuro, que ouvimos pela primeira vez em ’85 Twin Pines Mall (durante a perseguição dos terroristas líbios) é algo tão magistral que imediatamente associamos ao estilo aventuresco de John Williams: uma grande orquestra que aposta pesado na força de instrumentos de sopro mais leves, acompanhados por uma bem colocada marcha – especialmente no início desta faixa, criando bem a antecipação de Doc Brown para sua primeira viagem e a subsequente chegada dos líbios.

Além da aventura, Silvestri é habilidoso ao traduzir sonoramente a divertida confusão e estranhamento de Marty McFly no ano de 1955. Peabody Barn e ’55 Town Square ambas se beneficiam de um agudo trompete que nos ajudam a entender a bagunça na cabeça de Marty, ao mesmo tempo em que delicados sinos passam a sensação de algo onírico, quase como um sonho. Cenas de ação inventivas como a fuga de Marty da gangue de Biff Tannen em um skate e o tenso clímax ganham força com Skateboard Chase (onde temos um dos únicos acordes sombrios da saga, quando temos a revelação do Rolls Royce do valentão) e Clocktower, respectivamente. Por fim, George to the rescue simboliza musicalmente com perfeição o arco dramático de George McFly, passando pela curiosidade, medo e eventual vitória.

Alan Silvestri mantém um padrão muito definido quanto aos acordes de De Volta para Futuro, padrão este que ele manteria com inteligência e disciplina nas duas continuações. E mesmo que traga uma clara inspiração em John Williams, ainda é uma das mais icônicas e empolgantes trilhas sonoras cinematográficas de todos os tempos.

Back to the Future: Original Motion Picture Score
Composto e conduzido por Alan Silvestri
País:
Estados Unidos
Ano: 2009
Gravadora: Intrada
Estilo: Música Clássica, Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.