Crítica | Deadlight

estrelas 3,5

Deadlight é um game de plataforma desenvolvido pela Tequila Works, uma desenvolvedora ligada à Microsoft. Controlando Randall, ou melhor dizendo, sua sombra, o jogador parte atrás de seus amigos, esposa e filha, no já batido cenário zumbi apocalíptico. Felizmente, há aqui originalidade e estilo suficiente para poder passar ao jogador, até certo ponto, uma imersão num universo já tão explorado. Por outro lado, os próprios detalhes jogáveis do game podem causar um enjoo de repetição, mesmo na pouca duração do próprio jogo.

Situado em uma nevoenta Seattle, Deadlight possui gráficos e atmosfera bem definidos, mostrados na boa variedade de cenários de fundo escolhidos, por mais que o local onde se passa a história pouco mude. Utilizar a silhueta do protagonista também ajuda a dar um caráter mais sombrio e desolador, aumentando o peso emocional da narrativa até certo ponto. No entanto, o nível de ação do game não contribui para qualquer relação mais intimista, por mais que as cutscenes com traços rústicos tente puxar o game para esse sentimento. Da mesma forma, o vasto conteúdo de extras, que inclui um diário do personagem principal com várias anotações sobre o apocalipse, pode vir a interessar aquele jogador que mais se afundou nessa obra, mas é difícil imaginar que Deadlight marcará tanto um jogador como outros games desse mesmo estilo.

Não se pode dizer de um potencial desperdiçado, posto que o game foi feito, claramente, com grande cuidado pelos desenvolvedores. Randall anda, corre, pula, agacha, arromba portas, atira com estilingue e armas de fogo, dá machadadas e, principalmente, se agarra em beiradas, como se fosse um mestre do parkour, por mais estranho que isso seja, ao melhor estilo Nathan Drake. O problema é que as situações do game são por demais repetitivas. Ameaças que no começo empolgam e até criam euforia no jogador logo caem na mesmice. E a história pouco segura o game nesse ponto.

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As constantes observações de Randall tem o intuito de trazer o jogador para dentro da narrativa, mas são falhas. A natureza humana, já exaustivamente refletida nesse tipo de mundo em tantas obras repetitivas – hoje em dia, The Walking Dead é a primeira coisa a ser lembrada, por mais que a série busque uma inovação em sua abordagem – vira algo simplesmente cansativo, monótono. Nem o som ambiente e os detalhes do cenário ajudam o game em uma visão final. Deadlight tenta ser mais do que é e não traz inovações na jogabilidade, nos quebra-cabeças e na linearidade que se propõe a planejar. Tudo pode ser previsto, do começo ao fim, nas quatro horas, em média, em que o game te coloca num papel para lá de previsível.

Talvez uma jornada mais curta, ou centrada seja em ações mais violentas, seja no percurso pessoal do protagonista, pudesse equilibrar a obra ao ponto de deixar o game realmente marcante. Longe de ser um jogo ruim, trata-se de uma boa adição, ainda que simplória, nesse universo de zumbis tão aproveitado em todas as mídias. Por se tratar de um game de plataforma, também traz uma boa opção para um jogador mais casual, que não quer a correria de um Dying Light ou algo temático como The Walking Dead da Telltale. Não há dúvidas, porém, que se trata de uma experiência passageira e pontual, por mais bonito que possa parecer em uma primeira vista.

Deadlight
Desenvolvedor: Tequila Works
Lançamento: 1 de agosto de 2012
Gênero: Plataforma
Disponível para: Xbox 360, PC

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.