Crítica | Deadpool: Killustrated (Killogy 2)

estrelas 2

Embora ainda seja ruim — e há que se perguntar por que a Marvel permitiu que esse tipo de bobagem continuasse a ser publicada — este segundo round da Killogy de Deadpool é definitivamente bem melhor que o primeiro, aquele terrível acontecimento chamado de Deadpool Mata o Universo Marvel.

Em Killustrated, a trama avança a partir dos acontecimentos da Killogy 1, embora não seja necessário para o leitor passar pelo sofrimento de ler aquelas 4 edições, porque é perfeitamente possível acompanhar o desenvolvimento da narrativa sem elas. Como Cullen Bunn parece ter uma queda absurda por clichês, didatismo e tramas sem sentido, não saber o que fez o Deadpool enlouquecer a ponto de querer matar todo mundo não é um pré-requisito, já que isso é martelado e repassado ad infinitum na presente aventura.

Deadpool_Killustrated_Vol_1 esteO que não fica claro é como o Mercenário Tagarela passou do Universo dos “artistas” que produziam a sua revista (naquela ocasião, a Terra 41210) para o Universo dos grandes clássicos da nossa literatura, o IDEIAVERSO, que fica na Terra TRN388, visitada em um número extenso de lugares e tempos, fator que na verdade dita a [mínima, que seja] qualidade desta minissérie.

Mesmo não tendo, de fato, um roteiro, posto que a armadilha aparentemente tão densa deste volume é, em essência, um pedaço do que já fora definido nas primeiras páginas da Killogy 1, a passagem de Deadpool, e mais adiante, de um parceiro bem incomum que ele consegue arranjar, por diferentes lugares, faz desta uma jornada insana pela literatura, pela vida — e agora, morte — de personagens que influenciaram a criação de heróis e vilões da Marvel. Matando os clássicos, não haveriam “os verdadeiros heróis do futuro” por eles inspirados. Deadpool, de certa forma, finaliza com isso a sua auto-missão de matar o Universo Marvel.

A questão é que o texto de Cullen Bunn não esclarece a bagunça das diversas realidades, não consegue melhorar o conjunto de ações na interação entre os blocos — embora seja válido apontar o bem utilizado teleporte do cinto do Tagarela entre os locais visitados, afinal, é preciso ser muito mais do que ruim para não fazer viagem no espaço-tempo parecer uma coisa legal, e isso em qualquer mídia — e novamente torna o andamento da história desnecessariamente intricado com a inútil voz interior de Deadpool manifestando-se em um diálogo que nos faz revirar os olhos porque nos toma por estúpidos, narrando pela terceira, quarta, quinta vez algo que o próprio narrador da saga já havia dito pelo menos duas vezes antes. É torturante.

Fica ainda a questão difícil de responder, já que o roteiro não se dá o trabalho de desenvolver nada satisfatoriamente, se os eventos da Terra TRN388 são válidos para a conhecida 616, sendo, portando, um Universo dentro do nosso OU se é de fato um Universo isolado. Porque se for, as mudanças tão cobiçadas por Deadpool só teriam efeito ali, de modo que sua saída ao final, na Máquina do Tempo de H.G. Wells e juntamente com Sherlock Holmes, anularia todo o objetivo da minissérie, mesmo considerando que ela permaneça como uma “realidade alternativa”, entendem?

Deadpool_Killustrated_Vol_1_2Também muito melhor do que o volume anterior, a arte de Killustrated, assinada por Matteo Lolli e Sean Parsons, consegue excelente resultado na configuração dos mais diferentes espaços — com uma grande ajuda das cores de Veronica Gandini, que procurou não trabalhar com contrastes gigantescos, mas respeitou a identidade de cada lugar conforme os traços e finalização do desenho.

A saga de Deadpool matando heróis, vilões e agora personagens da literatura ganhou aqui aquilo que esse tipo de chacota deveria ter: diversão. Claro que a minissérie não é inteiramente engraçada e falha miseravelmente na criação de algumas piadas de contexto, mas mesmo assim, comparado ao fundo de todos os abismos de Deadpool Mata o Universo Marvel, agradecemos por estar quase próximos à linha da mediocridade. Pois é. Esse é o nível que o Sr. manda-chuva Axel Alonso nos convida a ficar e pensar com esse tipo de história.

Adendo de principais locais e personagens “visitados” por Deadpool

Dom Quixote, Sancho Pança (Espanha, La Mancha); Capitão Ahab, Ishmael, Moby Dick (Oceano Pacífico); Sherlock Holmes (Londres, Inglaterra); Pinóquio; Dr. Watson, Beowulf, Natty Bumppo, Hua Mulan (Londres, 1895); Tom Sawyer (St. Petersburg, EUA, anos 1840); Drácula e suas mulheres (Transilvânia, 1897); O Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, EUA, 1790) Mulherzinhas (Concord, EUA, anos 1860); Frankenstein e Victor Frankenstein; Ebenezer Scrooge; Ilha do Doutor Moreau; Terra de Lilliput; Mogli; Pequena Sereia; Capitão Nemo; Cila e Caríbdis; as Três Bruxas de Macbeth; Gregor Samsa; os Três Mosqueteiros.

Deadpool: Killustrated (Killogy 2) — EUA, 2013
Roteiro: Cullen Bunn
Arte: Matteo Lolli
Arte-final: Sean Parsons
Cores: Veronica Gandini
Letras: Joe Sabino
Capas: Michael del Mundo
4 edições de 24 páginas cada uma.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.