Crítica | Deadpool: Pecados do Passado [Primeira aparição: Doutor Killebrew e Danny Peyer]

estrelas 3,5

Pecados do Passado consegue um resultado final muito melhor do que a minissérie anterior de Deadpool, Perseguição Circular. Com roteiro de Mark Waid, as 4 edições seguem por um instigante jogo de perseguição — Deadpool sempre fugindo de alguma coisa, às vezes sem mesmo saber por quê — que tem muito a ver com o passado de Wade Wilson enquanto soldado do Arma X.

Aqui temos a primeira aparição do Doutor Emrys Killebrew — que já sabemos ser o “açougueiro” por trás das “más experiências” do Arma X –, que assume um papel importante no desenvolvimento da narrativa, mesmo não sendo um protagonista. Waid começa a história com Killebrew tentando curar Black Tom de um vírus (sim, Thomas Cassidy, o primo de Sean Cassidy, o Banshee) e chegando à conclusão de que precisa de Deadpool e de seu processo regenerativo para ajudar Tom a se curar. Uma piada é feita com o fato de o necessário aqui ser Deadpool e não Wolverine, mas fica fácil entender por quê, com ou sem piada.

Trazendo esse ponto nuclear do passado, ou seja, a origem do Deadpool — até o câncer que Wade teve antes de se submeter ao estranho processo de cura é citado pelo Tagarela a Siryn –, Waid cria uma base segura de ação para o anti-herói. Ele está diante de problemas que moldaram a sua vida de mercenário, especialmente os problemas (e as pessoas-problema) surgidos após a mutação adquirida.

Percebam como o cenário “familiar” é organicamente construído por Waid, não foçando aparições e dando um papel importante para cada um dos personagens, mesmo os mais insignificantes. Black Tom e o Doutor Killebrew precisam de Deadpool. Fanático vai resgatar Black Tom. Banshee tenta encontrar o primo. Danny Peyer, ex-parceiro de Sean Cassidy (Banshee) quando ainda trabalhavam na Interpol, também está atrás de Deadpool para se vingar — e só para constar, este é um ponto fraco do roteiro e de composição imatura do personagem, mas não chega a estragar o texto –. Todos esses personagens estão ligados ao Bocudo e até Siryn é colocada em cena dentro de uma perspectiva interessantíssima de ação e interação com o protagonista, primeiro dentro da comédia mais libidinosa e depois como kick ass de alto porte.

Deadpool_Sins_of_the_Past_Vol_1_4Embora a arte não seja exatamente interessante, a diagramação de páginas e as cores de toda a série são excelentes. O que pega nos desenhos de Ian Churchill é que possuem uma desmedida relação de espaço ao longo das edições, algo que normalmente se usa para páginas duplas mas que o artista espalha por todas páginas para destacar uma ação de batalha grande por si só. Diante de uma finalização mais crua, a arte acaba nos dando estranhas impressões de proporção e confusas pistas visuais que acabam atrapalhando. Mesmo se contássemos com a pequena queda que o texto de Waid tem ao final, o resultado de Pecados do Passado seria ainda melhor se a parte artística fosse menos exagerada e os desenhos não tivessem a propensão ao estilo “peito de pombo” e “desenho de bêbado” típicos de um dos criadores de Deadpool, o… digamos… “desenhista” Rob Liefeld.

O desfecho e Pecados do Passado deixa um importante problema para ser retomado e resolvido no futuro (as falhas no fator regenerativo de Deadpool) e uma boa porta para a exploração do Doutor Killebrew. Mark Waid realmente sabe como criar oportunidades.

Deadpool: Pecados do Passado (Deadpool: Sins of the Past) — EUA, 1994
Roteiro: Mark Waid
Arte: Ian Churchill (juntamente com Ken Lashley nas edições #3 e 4)
Arte-final: Jason Temujin Minor (#1, 2), Bud LaRosa (#2, 3, 4), Tom Wegryzn (#4)
Cores: Dana Moreshead, Mike Thomas
Letras: Richard Starkings (com Comicraft na edição #3)
Capas: Ian Churchill, Bud LaRosa
4 edições de 24 páginas cada uma.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.