Crítica | Death Note: Black Edition V

estrelas 3,5

Se você não sabe o que é Death Note ou o que é Black Edition ou sabe tudo, mas quer ter uma visão geral sobre o que acho da série, sugiro que leia meus comentários sobre os volumes anteriores:

Death Note: Black Edition I

Death Note: Black Edition II

Death Note: Black Edition III

Death Note: Black Edition IV

A crítica abaixo conterá inevitáveis spoilers dos volumes anteriores.

Light Yagami, o Kira original e segundo L precisa eliminar os dois herdeiros do L original: Near e Mello. Esses dois, competindo para ver quem pega Kira primeiro, trilharam caminhos diferentes: Near é L em espírito e ações, aliando-se ao FBI e criando o grupo especial batizado de SPK com o único objetivo de capturar Kira. Mello, por sua vez, procurou a máfia americana, logo aboletando-se como seu capo e, usando os recursos dessa organização, não só capturou um Death Note como vem se aproximando de Kira.

Em Black Edition V, Light manobra a força especial do Japão, comandada por seu pai, para atacar o esconderijo de Mello. O resultado é catastrófico, mas contrário aos interesses de Light. Tsugumi Ohba não perde muito tempo com as consequências dessa ação, talvez de propósito, mas, para o leitor, o que fica é uma sempre presente falta de humanidade principalmente por parte de Light, mas também por parte dos demais policiais em vista do que ocorre. Já que Ohba adora um texto expositivo, creio que a história tivesse se beneficiado de uma pausa.

Mas o que vemos, em seguida, é uma frágil aliança entre Mello (agora acuado) e Near, que, por sua vez, perde o apoio formal dos Estados Unidos, já que o país declara que não mais fará esforços para capturar Kira. E todo o trabalho do restante do volume foca especialmente em Near e suas investigações para chegar rigorosamente à mesma conclusão que o L original chegara bem lá atrás: Kira é L e L é  Light Yagami.

Com isso, o cerco se fecha ao redor de Light, que cria um novo Kira, o quarto da saga, uma figura sinistra toda vestida de preto e com feições muito parecidas a ele: Teru Mikami. A forma como mais esse jovem entra na história acontece no capítulo intitulado “Coincidência” e só assim mesmo para explicar o que acontece. E é uma pena que Ohba saia por esse subterfúgio, pois ele acrescenta mais uma coincidência ao topo da montanha de coincidências que ele vem criando desde o começo da série. Afinal, é conveniente que Light, exatamente no momento em que precisa de um novo Kira, veja Teru na televisão e arrisque tudo passando o caderno para ele. Além disso, Teru é, aparentemente, mais um jovem brilhante, obstinado e que concorda cegamente com o raciocínio megalômano de Kira.

A situação criada, assim, é forçada e conveniente demais, ainda que a narrativa não se perca com isso e Ohba, apesar de se ver forçado a introduzir (e re-introduzir) personagens em sua trama, acaba fazendo um trabalho competente, ainda que eivado de problemas que ele já havia conseguido se livrar, especialmente no volume anterior.

O desenho de Takeshi Obata mantém o padrão de excelência, mas, como um todo, ele é menos exigido nesse volume pelo roteiro de Ohba, não criando cenas espetaculares como antes. Talvez a  exceção a isso seja a incursão do pai de Light e outros policiais no covil de Mello logo no começo, que resulta em um trabalho cinematográfico de Obata.

Agora, Death Note entra na reta final. As cartas – espero – já estão todas na mesa. A coisa não vai acabar bem para nenhum dos personagens…

Death Note: Black Edition V 
Roteiro: Tsugumi Ohba
Arte: Takeshi Obata
Lançamento oficial: Japão, dezembro de 2003-maio de 2006 (Black Edition a partir de fevereiro de 2013)
Lançamento no Brasil: 2013
Editora: JBC Mangás
Páginas: 384

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.