Crítica | Death Note: New Generation

estrelas 4

Antes de assistir Death Note: New Generation é importante ter em mente que essa minissérie de três episódios foi concebida como um prelúdio do filme de 2016, Iluminando um Novo Mundo, que se passa dez anos após os eventos de The Last Name e da morte de Light Yagami. O propósito dessa obra, lançada pela Hulu no Japão, é a de preencher esse espaço de tempo, oferecendo um olhar sobre os personagens principais do longa-metragem que seria lançado aproximadamente um mês depois. Como um produto atrelado a outro, portanto, não há como aproveitar plenamente New Generation sem, em seguida, assistir Iluminando um Novo Mundo.

Com apenas três episódios de vinte minutos cada, conhecemos Ryuzaki (Sousuke Ikematsu), Tsukuru Mishima (Masahiro Higashide) e Yuki Shien (Masaki Suda), que funcionam como os sucessores, respectivamente, de L, Soichiro Yagami (o pai de Light) e Kira. Cada um desses capítulos foca em um desses indivíduos em específico, nos trazendo um olhar sobre suas motivações, sempre deixando o final em aberto a fim de criar o vínculo com o filme principal. Tal questão pode acabar frustrando o espectador desprevenido, mas, como já disse antes, essa minissérie não passa de um prólogo.

Dito isso, sua estrutura narrativa segue claramente como a de um típico tie-in, como se fosse uma amostra grátis do que veríamos posteriormente, não muito distante dos ocasionais curta-metragens lançados no Youtube previamente a grandes lançamentos do cinema, como foi o caso de Alien: CovenantPlaneta dos Macacos: O Confronto. Enquanto tal estratégia pode facilmente funcionar como um tiro pela culatra, já que apresenta o tom a ser seguido no filme posterior, nesse caso em específico temos um belo acerto.

Diferente dos três primeiros filmes da franquia, New Generation conta com três personagens centrais inéditos, possibilitando, portanto, que a linguagem cinematográfica não precise dialogar com a do mangá original. Isso, naturalmente, influencia na forma como os três personagens agem, de maneira que melhor combina com o live-action, visto que não é necessária a desconfortável imitação que acompanhamos nos antecessores. Claro que os três adotam traços marcantes de suas contrapartes da “geração anterior”, mas nada que prejudique nossa imersão em razão de trejeitos que mais provocam vergonha alheia do que efetivamente constroem as personalidades de seus personagens.

Em razão disso e da própria quase que total ausência de alívios cômicos, a minissérie adota um ar consideravelmente mais sombrio que os dois longas que o precederam. Tal aspecto pode, ainda, atrair aqueles que não gostaram dos filmes que vieram antes.

Espertamente, Katsunari Mano, encarregado do roteiro, utiliza passagens da obra original de Ohba e Obata, como o caso do homem que se mata mordendo a própria língua. Como os filmes anteriores ignoraram toda a trama envolvendo Mello e Near, distanciando-se da obra original, todo esse lado explorado da história fica livre para a adaptação. Além disso, é importante lembrar que, no mangá, após a morte de L, pulamos alguns anos, o que possibilita que enxerguemos New Generation como uma releitura dessa segunda fase do mangá (se o dividirmos em antes e depois de L, claro).  Infelizmente, parte da desnecessária complexidade desse “lado B” de Death Note também é herdada, tornando a trama irritantemente confusa em determinados pontos.

Dito isso, Death Note: New Generation, prelúdio do filme de 2016, nos oferece um olhar sobre o que seria abordado no longa posterior, nos deixando com esperanças de, enfim, ver uma adaptação cinematográfica que fizesse jus ao material original de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Já se nossas expectativas não foram frustradas fica a cargo do filme. A minissérie, ao menos, cumpriu muito bem a sua função, com leves deslizes que não impactam nossa experiência de maneiras drásticas.

Death Note: New Generation — Japão, 2016
Direção:
 Shinsuke Sato
Roteiro: Katsunari Mano
Elenco: Masahiro Higashide, Sousuke Ikematsu, Masaki Suda, Sota Aoyama, Mina Fuji, Noemi Nakai, Daisuke Sakaguchi, Rina Kawaei, Tomoya Nakamura, Shidou Nakamura
Duração: 3 episódios de aprox. 20 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.