Crítica | Death Note Relight 2: L’s Successors

estrelas 1

Transmitido na televisão japonesa aproximadamente um ano após seu antecessor, Visions of a GodL’s Successors dá continuidade ao resumo dos eventos do anime de Death Note. Enquanto o primeiro Relight (ou Rewrite, no original) contemplou o início da história até a morte de L, esse segundo nos traz a segunda fase da animação, que é consideravelmente mais curta que a primeira. Curiosamente, apesar da duração reduzida, o número de lacunas deixadas pelos cortes é notavelmente maior, fazendo dessa uma obra ainda menos recomendada para aqueles que nunca assistiram o original ou leram o mangá.

A exibição tem início com uma breve introdução de L, que quebra a quarta barreira a fim de nos resumir (de novo!) a primeira parte do anime – algo extremamente enfadonho para quem pegou para assistir esses filmes de uma vez, mas que faz sentido considerando o tempo que se passou entre o lançamento dos dois. Após esse prólogo, somos levados, enfim, aos acontecimentos relacionados à entrada de Near e Mello nesse grande jogo de xadrez, com alguns trechos inéditos, que substituem determinadas subtramas que, por sua vez, foram inteiramente cortadas do material final.

O problema desses cortes é que eles impossibilitam qualquer um que não tenha visto o anime de entender o fluxo da narrativa. Por exemplo, Yagami Soichiro simplesmente desaparece de um filme para o outro, visto que sua morte e todo o arco da máfia foram excluídos. Além disso, já começamos em um ponto que Mikami já está com um dos cadernos, jamais sendo mostrado como Kira o escolheu para passar os julgamentos. Misa é outra sumariamente ignorada pela trama, tendo curtas aparições, que contam com um valor narrativo praticamente nulo. Ao menos, com todas essas mudanças, tiveram a decência de alterar alguns diálogos, a fim de mudar, por exemplo, como Near e Light se conheceram. Parte dessas alterações, porém, gera outro problema: personagens que falam sem mexer a boca, o que pode ser observado claramente em uma cena na qual um dos agentes da SPK está falando com Near.

Fica difícil, portanto, defender qualquer aspecto dessa produção, já que, até mesmo os trechos inéditos, aparecem somente na primeira metade da exibição. Curiosamente, enquanto muito é deixado de fora, o episódio final, que nos mostra a queda de Light/Kira, é mantido praticamente intacto, inclusive com as intermináveis e anticlimáticas explicações dos dois lados do tabuleiro. Claro que o trecho ainda traz peso, mas somente para quem já assistiu o anime ou leu o mangá, já que, nesse longa-metragem, não tivemos tempo para conhecermos Near ou Mikami, duas peças centrais dessa disputa. E não entrarei nem na participação especial de Mello, que praticamente aparece somente para sequestrar Kiyomi Takada.

Enquanto o primeiro Relight funcionava como um resumo para aqueles que não querem reassistir o anime por completo, L’s Successors nem mesmo essa função consegue cumprir, visto que prejudica a história por completo, cortando, de maneira excessiva, aspectos importantes para o desenvolvimento da narrativa. A mesma pressa demonstrada no anime original nessa segunda fase da trama, aparece aqui, transformando o que já era uma versão resumida do mangá em uma verdadeira colcha de retalhos, que mais confunde o espectador do que efetivamente o ajuda em lembrar dos eventos de Death Note. Um triste fim para as adaptações em animação da obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata.

Death Note Relight 2: L’s Successors (Death Note Rewrite: L o Tsugu Mono) — Japão, 2008
Direção:
 Tetsurô Araki
Roteiro: Tetsurô Araki, Toshiki Inoue, Yasuko Kobayashi (baseado no mangá de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba)
Elenco (vozes originais): Mamoru Miyano, Kappei Yamaguchi,  Noriko Hidaka, Nozomu Sasaki, Aya Hirano, Ryô Naitô,  Keiji Fujiwara, Hideo Ishikawa, Kazuya Nakai, Maaya Sakamoto, Masaya Matsukaze
Duração: 94 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.