Crítica | Death Note Relight: Visions of a God

estrelas 2,5

Tendo sido exibido, do início ao fim, em menos de um ano, o anime de Death Note, apesar de sua relativa curta duração continua no imaginário popular, principalmente em razão das adaptações cinematográficas do mangá e, claro, dos constantes relançamentos tanto da obra original quanto da série animada em si. Após a estreia do 37º capítulo, porém, a Madhouse ainda não havia exatamente terminado com a franquia e, na expectativa de gerar ainda mais retorno financeiro, produziu dois longa-metragens em animação, direto para a televisão. Os dois foram vendidos como a história do anime sendo contada pelo ponto de vista de Ryuk, mas não é exatamente isso que acontece.

A história tem início no mundo dos shinigamis, com um deus da morte sem nome dizendo que aquele lugar é entendiante, o que, naturalmente, cria o vínculo imediato com o princípio da história original, que tinha tanto Ryuk quanto Light na mesma situação. Buscando uma forma de fugir desse marasmo, o shinigami se aproxima de Ryuk e pede que esse conte a ele sobre o mundo dos humanos, o que ganha, porém, é um relato dos feitos de Kira, até o momento da morte de L (os eventos, a partir daí, são mostrados na continuação já citada anteriormente).

Não demora muito para percebermos que Relight (ou Rewrite, no original), nada mais é que um grande resumo dessa primeira fase do anime. Apesar do prólogo e epílogos inéditos, o restante permanece praticamente igual, com uma ou outra linha de diálogo alterada, além da cena do enterro de L, que mostra Light cantando sua vitória. Por se tratar de um filme de cento e trinta e um minutos, evidente que não há como colocar, por completo, todos os vinte e cinco episódios contemplados. Dito isso, esse resumo traz claros cortes a fim de agilizar a história. Curiosamente, algo parecido já foi feito no episódio seguinte à morte do detetive, mostrando o quanto a Madhouse não queria largar o osso.

Esse longa animado, portanto, somente tem uma função para o espectador: lembrar dos eventos da série para aqueles que não querem assistir tudo de novo. E quanto aqueles que nunca viram o anime ou leram o mangá? Então fortemente recomendo que não assista esse filme, visto que muitos detalhes são deixados de fora, prejudicando não somente o entendimento da trama como um todo, como tirando muito de seu brilho. Para quem recentemente reassistiu tudo, essa provará ser uma experiência extremamente enfadonha, visto que, de novo, somente alguns detalhes são realmente significativos.

Dentre esses, é preciso comentar sobre a teoria dos fãs, nunca confirmada, de que o shinigami sem nome é, de fato, Light. Para quem não se lembra, os humanos que utilizaram o Death Note não vão para o céu ou inferno, o que abre a possibilidade de que esses acabem reencarnando como deuses da morte – teoria que, aliás, prefiro não acreditar, já que acho muito mais interessante a ideia do protagonista cair em um vazio eterno, após a sua morte. Outro detalhe que merece a atenção é a cena do enterro de L, que revela, de uma vez por todas, toda a psicopatia de Yagami, por mais que a sequência em si seja um tanto exagerada. Por fim, temos o interessante detalhe de que Ryuk sente falta de Light, por o considerar o único humano capaz de o entreter.

Death Note Relight: Visions of a God, portanto, tem praticamente as mesmas funções dos “anteriormente” em séries de televisão, sendo nada mais que um grande resumo da primeira fase do anime, que vai do início até a morte do detetive. Ainda assim, alguns pontos interessantes merecem ser levados em conta. Tirando esses, porém, essa é uma obra completamente desnecessária, a não ser para aqueles que visam relembrar de todos os eventos da série, sem assistir novamente seus episódios.

Death Note Relight: Visions of a God (Death Note Rewrite: Genshisuru Kami) — Japão, 2007
Direção:
 Tetsurô Araki
Roteiro: Toshiki Inoue (baseado no mangá de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba)
Elenco (vozes originais): Keiji Fujiwara, Aya Hirano, Hideo Ishikawa, Takuya Kirimoto, Hidenobu Kiuchi, Mamoru Miyano, Shidô Nakamura, Kappei Yamaguchi
Duração: 131 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.