Crítica | “Déjà vu” – Giorgio Moroder

estrelas 2,5

Giorgio Moroder sempre teve o título de um dos pioneiros da música eletrônica e da disco. Mas nem todos conhecem famosos títulos da música como esse, por mais importantes que sejam. E foi há dois anos atrás, quando o Daft Punk lançava seu Random Access Memories que Giorgio parece ter sido revivido, aparecendo na faixa batizada com seu nome, onde narrava parte de sua vida. Tal fato retornou o artista de 75 anos para a atenção da mídia musical, o que garantiu algumas apresentações ao vivo do DJ e produtor musical, assim como seu, recentemente lançado, primeiro álbum em 30 anos, Déjà vu.

Déjà vu conta com um apoio forte de artistas pop de apelo do público. Um disco com presença de nomes como Britney Spears, Sia e Charli XCX, entre outras, possui grandes chances de conseguir hits nas paradas. E é certamente nisso que Giorgio se apoia. Déjà Vu também não se trata apenas de mostrar o trabalho de Giorgio como DJ, mas também como produtor. Afinal, não é qualquer um que consegue fazer uma faixa de Britney parecer no mínimo interessante com sintetizadores bem incorporados e um ótimo sampler como mostra Tom’s Diner.

O resultado do disco não é o que se pode chamar de bom. Mas definitivamente também não é decepcionante, ainda mais esperando de um cara voltando a produzir algo após 30 anos, caindo de cabeça em um cenário musical bem diferente. Na verdade, isso não parece ser um problema se formos perceber seu ótimo trabalho em Diamonds com Charli XCX que parece uma mistura de típica música de cantoras pop com base eletrônica que lembra antigas características sonoras “robóticas” de Giorgio nos anos 70. O que resulta é abusadamente pop, mas surpreendentemente agradável, principalmente pelo vocal sexy e doce da cantora.

Mas o que se percebe durante a maior parte do disco é que Giorgio não consegue fazer suas novas canções terem um diferencial. Mesmo inserindo em certas horas melodias bem oitentistas e dançantes, quase nostálgicas, o produtor acaba levando a sério o título de seu álbum e nos mostra o quanto há de parecido muitas faixas do disco com o que já se vê em excesso e de pouca variação na música pop atual (por exemplo I Do This For You com participação de Marlene, com sua sonoridade batida, parecida com a sonoridade Rihanna).

Mesmo sem ser transgressor ou sendo pouco versátil, é interessante ver como o “vovô” da música eletrônica ainda consegue assumir a responsabilidade como vemos na faixa e single 74 is the new 24. É através de uma forte pancada house meio retrô, meio moderna que Giorgio faz jus ao nome e mostra que seu papel como DJ dá banho em muitos dependentes de pen drive por aí. No final, Déjà Vu pode não ser a melhor forma de retornar após 30 anos, mas também não desvaloriza o talento de Giorgio.

Aumenta!: 74 Is The New 24
Diminui!: I Do This For You

Déjà Vu
Artista: Giorgio Moroder
País: Estados Unidos
Lançamento: 12 de junho
Gravadora: RCA
Estilo: Pop, Disco, Eletrônico

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.