Crítica | Demolidor # 1.50: O Rei de Vermelho

estrelas 4

Demolidor 1.50 é uma homenagem da Marvel aos 50 anos do herói, que ele completou em abril de 2014. Como, dentro do projeto All-New Marvel NOW, a numeração da revista do herói foi novamente zerada e o primeiro número já havia saído, a editora decidiu publicar um número intermediário muito interessante, que não está totalmente amarrado à cronologia do Homem sem Medo.

Mas como assim não “totalmente” amarrado à cronologia?

Essa é, na verdade, a grande jogada de marketing desse número, que apresenta três histórias envolvendo o Demolidor. Logo na introdução, a nova editora da revista, Ellie Pyle, já deixa bem claro que a primeira história – e principal – trata do futuro do Demolidor dentro de sua continuidade. Com isso, já podemos ver o caminho que Mark Waid e Javier Rodriguez passarão a tomar com o herói, depois de sua mudança de Nova Iorque para São Francisco. Na segunda história, Pyle diz que ela é um “futuro possível”, não necessariamente na continuidade. Finalmente, na terceira, voltamos a um passado já longínquo e revisitamos o surreal arco em que Matt Murdock finge ter um irmão que é o Demolidor (mais sobre isso, aqui).

Mas falando sobre cada história, vamos começar pelo começo.

daredevil 1.50 cover 2A primeira se passa no aniversário de 50 anos de Matt Murdock e muitas revelações são feitas sobre seu futuro: com essa idade seus poderes são ainda mais aguçados, ao ponto de ele pode “ver rostos”, ele tem um filho, já foi prefeito de São Francisco e sua esposa (não diz se uma atual ou uma ex) é a prefeita da cidade hoje em dia. Só aí já é material pacas para absorver, não é mesmo? E a história lida com um surto de cegueira generalizada que acomete boa parte da população americana do dia para a noite, o que força Matt a investigar, mesmo já tendo aposentado seu manto de herói. O vilão – ou melhor, vilã – é a filha do Coruja em uma espécie de plano de amor e ódio em relação ao Demolidor. A narrativa, na verdade, é muito mais uma desculpa para fazer esse fast forward interessante com o herói do que para qualquer outra coisa. No entanto, o resultado é acima da média e tem uma atmosfera muito na direção das histórias alternativas da linha “Fim dos Dias”, das quais o próprio Demolidor já foi alvo.

O mais interessante é ver, pelas palavras do próprio Mark Waid, o que ele planeja fazer com o herói nos próximos vários arcos narrativos, considerando o excelente trabalho que ele já vinha fazendo com o Demolidor há algum tempo (vide nossas críticas do primeiro, segundo e terceiro volumes capitaneados por ele). Resta saber se alguma coisa do que foi exposto na história realmente acontecerá.

Na segunda história, de apenas 5 páginas e que é em “prosa ilustrada”, não exatamente em quadrinhos, escrita por Brian Michael Bendis e Alex Maleev, a dupla que mais tempo ficou a frente do Demolido (leia, aqui), vemos um angustiante testamento escrito pela esposa de Matt Murdock e endereçada ao filho dos dois. Se é a esposa e filhos mencionados na história anterior, não fica claro, mas o fato é que o quadro pintado é tenebroso, ainda que seja potencialmente apenas um futuro alternativo. Mesmo assim, é uma leitura interessante que pode também dar pistas sobre o futuro do Demolidor.

Finalmente, a última história é uma divertidíssima brincadeira com o passado do Demolidor, quando Matt Murdock, prestes a ter sua identidade secreta revelada, inventou que tinha um irmão chamado Mike e que ele sim era o Demolidor. Toda a narrativa se passa em algum momento incerto no presente ou no futuro, com Foggy remexendo nas coisas antigas de Matt e achando uma gravação de Mike (ou melhor, de Matt fingindo ser Mike) em que ele desfila um afiado monólogo brincando com sua própria existência, a ignorância de Foggy ao não captar que obviamente Matt não poderia ter um irmão que surgiu do nada e por aí vai. É uma meta-história bem construída e que fecha com veia cômica a edição comemorativa.

Ah, não poderia encerrar essa crítica sem falar da magnífica capa de Palo Rivera (essa aqui dentro da postagem), que consegue, com uma imagem simplíssima – mas ao mesmo tempo complexa – homenagear absolutamente todos os artistas envolvidos durante esses 50 anos de Demolidor. Trabalho de gênio.

Demolidor, Vol. 4, #1.50 (Daredevil, Vol. 4, #1.50, EUA)
Roteiro: Mark Waid, Javier Rodriguez, Brian Michael Bendis, Karl Kesel, Kurt Kesel
Arte: Alvaro Lopez, Alex Maleev, Karl Kesel, Kurt Kesel
Cores: Javier Rodriguez, Matt Hollingsworth, Grace Allison
41 páginas

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.