Crítica | Demolidor: Um Novo Começo

estrelas 4

Matt Murdock ou Demolidor está de volta. O lançamento do Volume 1 da revista aqui no Brasil (compilação das edições #1 a 6) tem como título Um Novo Começo, e de fato trata-se disso. Depois de todas as complicações e azares pelos quais passou, Murdock tenta voltar à vida comum, exercendo sua profissão de advogado, lutando contra os vilões do momento, respondendo de maneira jocosa aos comentários de que ele é o Demolidor (sua identidade foi revelada tempos atrás, mas depois de um baita trabalho ele conseguiu se livrar das “acusações” frente a justiça, embora essa impressão tenha ficado na memória da população de Nova York).

Resultado da premiada fase do herói escrita por Mark Waid (que ganhou o Eisner de Melhor Escritor pela série), esse primeiro arco da fase 2011-2012 do Demolidor é realmente notável. As edições não possuem histórias tremendamente complexas ou reviravoltas de tirar o fôlego, mas é a simplicidade e maturidade com que os temas são escritos que fazem dessas 6 edições iniciais um ótimo recomeço, com equilíbrio entre os vilões do Demolidor e o dia a dia do advogado Matt Murdock, algo que acabou tendo um maior destaque no arco, e diferente do que se possa imaginar, foi uma ótima escolha de Mark Waid para o roteiro.

Além da arte fantástica, observe a caminhada de Murdock e Foggy por NY e os sentidos do Demolidor em ação, destacados em diversos pontos do quadro.

O leitor que já conhece histórias anteriores do homem sem medo poderá estranhar e até se sentir incomodado com a maior semelhança do herói com o Homem-Aranha, fazendo algumas gracinhas e poses (no início da edição #1, quando ele enfrenta o Mancha – um vilão do Aranha, inclusive – ele faz graça e lasca um beijaço na noiva, algo que não condiz com a personalidade mais amarga e de densa ironia que era o Demolidor antes dessa nova fase). Outros exemplos podem ser observados na relação fraterna entre Murdock/Demolidor e Foggy Nelson, seu amigo gordinho e sócio que só come porcarias e “fede a química de salgadinho”. O próprio Foggy acha estranho o modo como Murdock age, o que levanta a suspeita de que algo está acontecendo mas ele não sabe exatamente o quê.

Diante desses indícios, é fácil concluir que Mark Waid tem plena noção do que fez com o Demolidor nesse arco, suavizando suas duas personalidades mas não retirando dele a essência conhecida dos fãs. Penso que esse modo de reformulação é o mais criativo e interessante de todos, porque não retira do herói aquilo que é de melhor – sua mitologia, persona, modo de agir – mas também se dá a liberdade de reinterpretar algumas ações e acrescentar coisas que não necessariamente estavam lá anteriormente.

Entre a lei e o vigilantismo, Murdock/Demolidor é obrigado e lidar com os fantasmas do passado, sua possessão, a revelação de sua personalidade, seus erros. O encontro com o Capitão América revela bem essa dualidade, mas não é o único momento da revista em que o herói se vê diante de uma acusação de algo que tenha feito em uma situação anterior. A própria dificuldade dele exercer a profissão, sendo acusado de ser o Demolidor em julgamentos que não têm nada a ver com esse assunto é um exemplo de tais fantasmas que o assombram e nos fixam a ideia de que o azar e as decepções parecem ser o ponto de partida para os roteiristas fazerem boas histórias do Demolidor. Aliás, é uma espécie de maldição da vizinhança novaiorquina, porque a mesma coisa (ou algo bastante similar, para os mais xiitas em comparar heróis) acontece com o Homem-Aranha.

Com uma arte de traços limpos, tendo Rivera e Martin se alternando durante as edições e um incrível trabalho de cores e arte-finalização, Demolidor #1 traz um arco de história intrigante, finalizado com o impasse de dois mensageiros da Latvéria que geram uma situação cujo potencial para o futuro é grande e promissor. Enquanto isso, o Demolidor é agora o homem mais perigoso do mundo. Tá bom pra você?

Parágrafo de revolta contra a Panini: é uma palhaçada o que essa editora às vezes faz com seus leitores. Em algumas de suas publicações e encadernados temos um incrível material extra, mensagens de lançamento, capas adicionais e demais informações valiosas para o fã e leitor. Já numa outra parte das publicações há um épico descaso e falta de capricho na compilação, exatamente como é o caso dessa edição. Nem contracapa temática os caras colocaram! Patético, Panini!

Demolidor Vol. 3 – #1 a 6 – (EUA, 2011 – 2012)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Paolo Rivera, Marcos Martin
Arte-final: Joe Rivera
Cores: Javier Rodriguez, Muntsa Vicente
Editora:
 Marvel Comics
No Brasil: Demolidor #1 – Um Novo Começo, 2013 (Panini Comics)
Páginas: 148

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.