Crítica | Demolidor Vol. 3 #7 a 10.1

estrelas 3,5

O segundo volume da revista do Demolidor lançado aqui no Brasil pela Panini tem praticamente quatro momentos. O primeiro, uma one-shot (Daredevil #7, nos EUA) interessante mas dramaticamente deslocada da trama geral — é visivelmente uma edição de passagem –, que mostra Matt Murdock levando um grupo de crianças para um passeio em plena época de Natal. Inicialmente achamos que o perigo em jogo está ligado com o cliffhanger fixado em Um Novo Começo, mas não. A edição é bem escrita, maravilhosamente bem desenhada, mas destoa do todo, no volume.

O segundo momento é o crossover estabelecido com a revista do Homem-Aranha (Amazing Spider-Man #677, nos EUA), onde a Gata Negra entra na ronda notura de Peter Parker e o faz se declarar desajeitadamente. O texto é bastante divertido e nos dá a base necessária para que entendamos a participação do Aranha e sua hilária parceira com o Homem sem Medo já na edição seguinte (DD #8, nos EUA).

A estruturação de toda a saga aparece no terceiro momento da história. A pequena indicação mostrada nos últimos quadros de DD #7 vai aos poucos ganhando corpo, ao passo que o peso de ser o homem mais perigoso do mundo coloca Matt Murdock em uma grande encrenca. A posse do Omegadrive e o segredo mantido pelo herói certamente lhe dá uma carta na manga para uma série de coisas, mas ao mesmo tempo, ter 5 das maiores facções criminosas do mundo em seu encalço não é algo almejado por nenhum herói.

O interessante é que a forma como o Demolidor lida com isso é natural e… de frente. Ao final do arco, ele se cansa de esperar e parte para encontrar com os seus perseguidores. A ação parece impulsiva mas foi bem desenvolvida por Mark Waid, então não pareceu artificial. Mas em relação a isso, vale dizer que o roteiro da história se desmembra demais, tendo um contexto intermezzo que não ajuda em nada o desenvolvimento da trama principal e distrai o leitor para uma história que poderia ser mais instigante caso o arco principal fosse outro.

Refiro-me, claro, ao duo Terror Subterrâneo (DD #09 e 10), que traz a luta do Demolidor contra o Toupeira e seus toupeiroides. Num sentido particular, é claro que a história se justifica, uma vez que toca em um ponto sensível para Matt Murdock. Mas como disse antes, o arco principal está ligado ao Omegadrive e mesmo à reapresentação do Demolidor para os leitores (sentido geral dessa nova fase, como disse em Um Novo Começo), portanto, distrações dessa ordem não são tão bem vindas.

A reta final da história (DD #10.1) retoma, ainda de forma tênue, a trilha original. A visita de Matt a Nolan, um pirocinético encarcerado após uma ação do Demolidor, marca o terreno com a citação do termo “um disco rígido” por parte do presidiário. Quase que como uma espécie de reflexão sobre possibilidades, Matt pesa o potencial da ameaça. Hidra, IMA, Especto Negro, Agência Bizantina e Império Secreto não são organizações a serem desprezadas. E ele sabe disso. Todavia, para situações desesperadoras, apenas uma atitude desesperada pode ser a coisa certa a se ter.

Com mais tropeços do que o esperado e com dispensáveis – mesmo que bem escritas – distrações narrativas, Mark Waid aprofunda mais o cenário montado nos arco de abertura da saga. Uma ameaça potente está armada e um futuro incerto para ambos os lados da moeda se apresenta. Que venha o delírio na Latvéria.

Já o quarto momento do volume é uma história clássica, de 1964, que mostra o primeiro encontro do Demolidor com o Homem-Aranha, edição analisada por mim neste compilado de histórias do Homem-Aranha aqui.

Demolidor Vol. 3 – #7 a 10.1 (EUA, 2012)
Amazing Spider-Man #677 (EUA, 2012)

No Brasil: Demolidor #2: Os Amigões da Vizinhança (2013)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Paolo Rivera, Emma Rios, Kano, Koi Pham
Arte-final: Joe Rivera
Cores: Javier Rodriguez
126 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.