Crítica | Demolidor Vol.3 #26 a 30 – O Demônio e o Vingador Blindado

estrelas 4

Que tal uma visita ao passado de Matt “Azarado” Murdock?

O quinto encadernado da revista do Demolidor escrito por Mark Waid compreende as edições #26 a 30 de Daredevil Vol.3, e conclui a história de Ikari, o vilão com “poderes de Demolidor” surgido em Teia de Mentiras. Finda essa parte, temos a extensão do drama (de cortar o coração, diga-se de passagem) de Foggy Nelson, em suas sessões de quimioterapia – momento onde temos o cameo do Homem de Ferro – e o surgimento de um personagem e um inimigo do passado de Murdock, daí a minha pergunta no início do texto.

Na finalização do arco iniciado no encadernado anterior, Waid faz um bom trabalho na exploração da fragilidade do herói, seguindo os passos de histórias icônicas como A Queda de Murdock e O Diabo da Guarda, por exemplo. Há algumas pistas de que o vilão que se esgueira e atormenta o Demolidor é o Mercenário, mas o segredo não é guardado por muito tempo. Logo ao final da parte um, o vilão alquebrado é revelado para o leitor. A paranoia, as fugas e o medo de Murdock ganham novas cores.

Após a revelação, tanto o texto quando a arte se dividem em dois parâmetros narrativos. O primeiro é direcionado a Foggy, em tratamento no hospital, e adota um modelo terno e complacente de construção dramática. O texto é focado em problemas cotidianos e toca bastante o leitor por isso. A arte ganha uma coloração esverdeada ou amarelada, dependendo dos quadros (indicações estéticas da doença) e a diagramação possui mais quadros grandes, como se se recusasse a fazer cortes ágeis. Já a outra parte é direcionada para Murdock, que está em cruzada de medo e ação contra o Mercenário (ou o que restou dele).

Resolvido – novamente – o problema do vilão, o autor faz uma ponte para um outro arco, onde temos o aparecimento de Nate Hackett, garoto da infância de Murdock que praticava bullying contra ele e que deu-lhe o apelido jocoso de “demolidor”. Os desenhos caracterizam perfeitamente a ambientação no passado e o texto é o mais atual possível. Waid não só consegue escrever uma situação que se segura bem sozinha como logra ligá-la sem maiores problemas com o arco em andamento, onde descobrimos que Nate Hackett está fugindo dos Filhos da Serpente, um grupo racista que prega a supremacia branca. Nate quer que Murdock seja advogado dele.

Mais uma vez temos o tormento do Demolidor frente a coisas que o marcaram negativamente no decorrer de sua vida. O texto aprofunda bastante esse aspecto mas não passa muito tempo preso a ele, antes, cria vários acontecimentos paralelos que se ligam ao evento principal enriquecendo-o e tornando-o cada vez mais perigoso, culminando em uma inesquecível cena de julgamento.

O ponto fraco do arco – mais no encadeamento dos fatos do que nos desenhos – é o mini conto final, onde vemos o encontro do Demolidor com o aquiano de nome Ru’ach e o Surfista Prateado. A premissa da história é boa e, nos quadros finais, percebemos o link com Kirsten McDuffie, mas infelizmente os eventos destoam de todo o resto. Mesmo assim, temos munição o bastante para especularmos e nos preocuparmos sobre os passos futuros de Matt Murdock, agora ciente de algo pouco agradável sobre sua atual vida pessoal, o que, convenhamos, não é mais novidade nem para ele, nem para nós.

Demolidor Vol.3 – #26 a 30 (EUA, 2013)
No Brasil: Demolidor #5 – O Demônio e o Vingador Blindado
Roteiro: Mark Waid
Arte: Chris Samnee
Cores: Javier Rodriguez
148 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.