Crítica | Depois da Tempestade / A Imagem Errante

estrelas 3,5

Escrever sobre Depois da Tempestade é uma tarefa complicada, porque estamos falando de um filme que passou muito tempo perdido e mesmo depois da reconstituição feita pela Cinemateca Brasileira (depois de ser encontrado em São Paulo, em 1986, após anos considerado perdido), ainda não o temos por completo, sendo essa falta um problema notável quando nos dispomos a analisá-lo.

O filme, datado de 1920, foi a primeira colaboração de Fritz Lang com Thea von Harbou, com quem se casaria dois anos depois e de quem se divorciaria em 1933, após ela aliar-se ao partido nazista. A obra tem um cuidado muito grande com a personagem feminina e carrega uma nota de melodrama, espiritualidade e filosofia, discutindo alguns conceitos ousados se considerarmos a época em que foi realizado – e não digo isso em relação aos conceitos em si, mas ao trabalho deles no cinema.

Um filósofo adepto do “amor livre” encontra-se com uma jovem por quem se apaixona (a seu modo) e com ela resolve estabelecer uma relação duradoura, sem, no entanto, entregar-se ao que ele considerava ser uma ‘prisão e terrível obrigação social’, ou seja, a formalização do casamento civil. A situação segue de maneira mais ou menos tranquila até que Irmgard (Mia May) engravida, e então a liberdade do amor e ausência de rótulos e títulos sociais parecem não ser mais tão interessantes.

O roteiro mostra esse drama de modo alinear, algo que no filme completo certamente teria melhor figuração, mas que na reconstituição parcial se coloca um pouco confuso. Isso não impede que o espectador assista à obra tranquilamente ou mesmo a compreenda, mas sequências que de alguma forma nos parecem forçadas ou reticentes provavelmente não seriam se tivéssemos todo o material original em mãos.

Fritz Lang faz um trabalho incrível nas tomadas externas, com destaque para todas as cenas nas montanhas. Elas são de uma beleza bucólica e lírica que fazem mais interessante todo esse bloco do filme, tanto na forma narrativa quanto estética. O cunho espiritual e filosófico também ganham aí maior força e mesmo que pareçam ingênuos, têm sua importância na história e são tratados de maneira muito bonita pelo diretor.

O final do filme talvez seja o seu maior ponto fraco, mesmo que consideremos perdido o ponto de ligação entre o retiro do personagem dado como morto e sua “volta à vida”. A tragédia, elemento essencial da obra até aquele momento, é pincelada com uma cor que não combina com o todo e, mesmo que não tenha o poder de estragar a obra, termina por dar-lhe um ar extremamente chavão que não aceitamos com facilidade, principalmente porque todo o restante do filme foi construído como uma densa história de essência e existência humanas, algo definitivamente nada comum.

Depois da Tempestade / A Imagem Errante (Das wandernde Bild) – Alemanha, 1920
Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang, Thea von Harbou
Elenco: Mia May, Hans Marr, Rudolf Klein-Rogge, Loni Nest, Harry Frank
Duração: 45 min. (versão encontrada no Brasil e restaurada pela Cinemateca Brasileira. O filme, no entanto, está incompleto, muitos metros de seus rolos originais foram perdidos).

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.