Crítica | Desafio Infinito (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 5,0

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica:

Quando acabei a nova – e completamente diferente – versão da clássica saga de Jim Starlin Desafio Infinito, fechei a revista (ou melhor, desliguei o aplicativo Marvel Unlimited) com um sorriso no rosto. Que história, meus caros! Que personagens novos bacanas!

A releitura, aqui, é mais do que ampla. Apenas o conceito de Thanos correndo atrás das joias do infinito para ganhar poder absoluto é mantido. O resto é completamente diferente. Nada de um caminhão de heróis que não têm muito o que fazer na história, nada da Morte, nada de lutas espaciais. Tudo se passa em uma Nova Xandar distópica em que a Tropa Nova falhou e o planeta foi invadido e destruído pela Onda de Aniquilação (a mesma comandada pelo Aniquilador e que vimos pela primeira vez na saga cósmica Aniquilação), deixando pouquíssimos sobreviventes. Os que ainda estão por aí subsistem fugindo da constante vigilância dos seres insetoides que volta e meia aparecem para incinerá-los.

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O foco é todo no clã Bakian, uma família formada por um avô (sem nome revelado), um pai (Menzin), duas filhas (Anwen e Fayne) e um cachorro (ZigZag). A mãe, Eve, há tempos reuniu-se à Tropa Nova e não se sabe se ela está viva ou morta, ainda que seja evidente para nós, leitores, que ela aparecerá, algo que não tarda a acontecer. Com isso e no melhor estilo “Família Marvel” (refiro-me ao personagem que hoje chamam de Shazam lá pela DC e sua clássica família), o clã Bakian acaba, todo ele – inclusive o cachorro – formando uma pequena Tropa Nova, com os poderes distribuídos por Eve por intermédio das estrelas dos falecidos Nova. E a diversão só começa aí, pois é cativante ver que, mesmo em pouquíssimas páginas e usando artifícios bobos dignos da Era de Ouro dos quadrinhos, Dustin Weaver e Gerry Duggan consigam criar novos e cativantes personagens que automaticamente me fizeram querer ver edições solo deles.

Além do enfrentamento dos insetos da Onda de Aniquilação, há Thanos, claro, em um complicado e traiçoeiro plano envolvendo viagem no tempo e loop temporal para recolher as joias do infinito, uma delas encontrada por Anwen sem querer. Temos a oportunidade, ainda que sob falso pretexto, de ver um Thanos “mais humano”, interagindo (para horror dele) com seres inferiores como Anwen, que se mostra muito mais do que apenas um garota perdida. E tem muito mais nesses cinco números que formam a minissérie. Vemos o Senhor das Estrelas e Gamora, além de Drax em sua versão clássica (separado dos dois, mas sempre atrás de Thanos) e, também, um Warlock ensandecido, além de diversas surpresas que dão recheio a esse divertido e, de certa forma diferente e inesperado, tie-in de Guerras Secretas que garante uma leitura gostosa e extremamente gratificante.

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Mas as boas novas não ficam apenas no roteiro. A arte, que também ficou ao encargo de Weaver, é espetacular. Para começar, os novos personagens – toda a família Bakian – se aproxima de nós com seu traço que mistura realismo com um leve exagero noventista em formas e proporções (mas é algo bem sutil, que funciona bem para amplificar a sensação de aqueles ali são “do bem”). Cada versão Nova dos Bakian é igualmente fascinante, ao mesmo tempo respeitando o design original da Tropa Nova e acrescentando toques específicos para cada personagem, diferenciados por combinações de cores e detalhes nos uniformes. Os personagens já conhecidos são igualmente respeitados pelo artista que tem muita liberdade com os variados insetos da Onda de Aniquilação e grande deferência ao que veio antes em relação a Thanos, Senhor das Estrelas, Gamora, Drax e Warlock. Misturando versões – o Senhor das Estrelas usa seu uniforme militar de Aniquilação enquanto que Gamora ganha algo mais simples e discreto, mas que referencia o uniforme clássico dela, ele homenageia o novo e o antigo igualmente, capturando o melhor dos dois mundos (ou tempos). Thanos, em sua majestade titânica, ganha uma versão bastante próxima da clássica, mas com uma pegada mais leve, sem ser um ser enorme e descomunal como às vezes é retratado, o que facilita sua “infiltração” no clã Bakian.

desafio_infinito_capa_plano_criticoMas o melhor da arte fica por conta das sequências de ação. O esmero de Weaver é de se tirar o chapéu. Não só ele trabalha de forma dinâmica, mas mantendo coesão e distribuindo bem os personagens em meio à pancadaria sem confundir o leitor, como ainda insere  um riqueza de detalhes de fundo que é raro de se ver por aí. Cada uniforme tem seus pequenos detalhes, cada monstro é diferente do outro, cada imagem de fundo ganha relevo e consistência, não aparecendo como preguiçosos borrões.

Com uma combinação próxima da perfeição de roteiro e arte, Desafio Infinito (versão 2015) é um deleite visual e um dos melhores tie-ins de Guerras Secretas. Agora é torcer para a Marvel trazer de volta o clã Bakian para seu universo Terra-616 pós-Deus Destino.

Desafio Infinito (The Infinity Gauntlet, EUA – 2015/6)
Contendo: Desafio Infinito (2015) #1 a #5
Roteiro: Dustin Weaver, Gerry Duggan
Arte: Dustin Weaver
Cores: Rain Beredo (#3 a #5)
Letras: Albert Deschesne
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: julho de 2015 a janeiro de 2016
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (encadernado – Guerras Secretas: Guardiões da Galáxia #2)
Páginas: 100

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.