Crítica | Detective Comics #29 e 30 / Batman Contra o Dr. Morte

Detective Comics #29

Jul, 1939

Essa edição da Detective Comics traz o primeiro vilão recorrente nas revistas do Homem Morcego, o Dr. Karl Hellfern, mais conhecido como Dr. Morte. A história não é mais assinada por Bill Finger e sim por Gardner Fox, que conferiu à aventura um tom diferente dos contos anteriores, enveredando pelo caminho do horror e da ciência, acompanhando o vilão da história. A narrativa é um pouco truncada, e o roteirista não conseguiu fazer bom uso das páginas a mais que a revista ganhou, mesmo assim, escreveu uma história com bastante ação, e mostrou o Batman ferido pela primeira vez, com um tiro no ombro.

O que é interessante nessa edição é o primeiro estabelecimento de um arco de histórias, já que nas edições anteriores isso não tinha acontecido. A dúvida sobre o destino do Dr. Morte é deixada no ar, uma boa criação de suspense que certamente fez muita gente comprar a edição seguinte só para ver o que aconteceria depois do incêndio no laboratório. A arte de Bob Kane ganhou um tratamento mais sombrio, com linhas mais grossas e cores escuras e muitas sombras. Definitivamente o Batman e seu mundo ganhavam a famosa atmosfera “das trevas”, firmando cada vez mais a sua identidade visual única.

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Detective Comics #30

Ago, 1939

Como já era esperado, o Dr. Morte sobreviveu ao incêndio da edição anterior, e dessa vez assume o papel de um ladrãozinho barato, orientando seu lacaio Mikhail a fazer pequenos roubos. O objetivo do doutor é recuperar o dinheiro que perdeu no seu tratamento, e por isso, rastreia vítimas improváveis e pacatas para não chamar atenção. O problema é que uma das mortes cometidas é publicada no jornal como informativo de investigação da polícia. E é então que Bruce Wayne toma nota do caso e resolve investigar.

Comparado aos contos anteriores, percebemos que o problema a ser resolvido aqui é muito menor e mais fácil para o Batman. Aparentemente, trata-se de uma edição pouco interessante, com o mínimo de emoção e um tanto fora dos padrões mais ousados que o Homem Morcego já tivera contato. Em parte, isso é verdade. Nos três contos anteriores o herói teve um maior trabalho, a ameaça era mais ampla, ia além do prejuízo de alguns diamantes ou de algumas pessoas. Aqui, trata-se de uma história policial menor, corriqueira, que só ganha força porque é escrita de maneira muito competente e por que tem o Dr. Morte como vilão, o primeiro que encarna uma transfiguração pessoal em Gotham City. Na última página da revista, quando revela o rosto fora das ataduras, percebemos que se tornou uma pessoa completamente diferente, algo um pouco mais parecido com um monstro, mas não no sentido clássico da palavra, apenas no sentido de ser uma pessoa de cara muito, muito feia.

Um ganho dessa edição é que Bob Kane assumiu a sua ligeira limitação gráfica em alguns momentos das aventuras e dividiu os desenhos com Sheldon Moldoff. A tendência mais sombria, já adotada na edição passada permaneceu, mas dessa vez, os detalhes dos cenários e os ângulos dos quadros se tornaram mais dinâmicos e melhor explorados. O ótimo roteiro de Gardner Fox conseguiu fazer dessa história tão comum uma aventura de ares realmente importantes. Eis a grande vantagem de todo bom contador de histórias.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.