Crítica | Detective Comics #5 a 7 – Novos 52

estrelas 3

Após encerrar a narrativa do Criador das Bonecas, Tony Salvador, nas três edições finais de Faces da Morte, nos apresenta a mais um personagem que altera sua aparência. Agora o inimigo é o Pele de Cobra e passamos a ver um pouco das consequências dos eventos dos números anteriores, através da abordagem mais realista e violenta de Detective Comics.

Iniciamos a história com uma manifestação anti-Batman – cidadãos que culpam o Homem-morcego por ter retirado a pele do rosto do Coringa. Além da multidão vestida de palhaços, contudo, o detetive tem sua visão no criminoso Axel Bellamy em meio a uma transação de mercadorias. Quando tal atividade é interrompida por um ladrão/assassino vestido de palhaço a trama nos leva pelo caminho a ser traçado nas páginas das edições posteriores.

Detective Comics de #5 a 7 consegue equilibrar de forma orgânica os momentos de investigação e ação, nos trazendo uma história que se encaixa dentro do universo construído por Tony Salvador. Seu defeito mais marcante é decorrente de fazer parte da coletânea Faces of Death – por mais que insira um vilão que se encaixa com o título do arco, este trecho soa à parte da trama relacionada ao Criador de Bonecas. A impressão passada ao leitor é que estamos lendo uma introdução de um novo arco, ao invés de um encerramento.

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Fora este fator, as edições em questão ainda contam com uma certa dificuldade em criar a tensão desejada. Tal defeito é recorrente do maior enfoque nos antagonistas – por não acompanharmos a história somente pelo ponto de vista de Batman, grande parte do suspense é prejudicado, tirando, inclusive, a força dos momentos de investigação em si. Ainda assim, existem trechos que surpreendem o leitor através de pequenos plot-twists, mantendo-o minimamente entretido.

O mérito da revista se revela no traçado de Tony Daniel, que mantém a temática adulta dos números passados através do uso preciso da violência em certos pontos. Além disso, há um preciso trabalho de luz e sombras que ressalta o tom de cada quadro – em momentos de ação temos mais luminosidade e cores mais vivas, enquanto que nos investigativos são utilizados tons de cinza e preto, que, muitas vezes, ocultam parcialmente o rosto dos personagens.

As edições de 5 a 7 de Detective Comics atuam como introdução do próximo arco, distanciando a narrativa do que vimos até então em Faces da Morte. A introdução de novos antagonistas do universo do Morcego é bem-vinda, expandindo a possibilidade de histórias que veremos a seguir. Ainda assim, esses três números representam uma notável quebra de ritmo dentro de seu arco, causando um grande estranhamento no leitor, que, no fim, encontra poucos motivos para continuar sua leitura.

Detective Comics – #5 a 7 (EUA, 2012)
No Brasil: Detective Comics #5: Rodas do Infortúnio, Detective Comics #6: Jogo Mortal, Detective Comics #7: A Cobra e o Falcão
Roteiro: Tony Salvador Daniel
Arte: Tony Salvador Daniel
Arte-final: Sandu Florea
Cores: Tomeu Morey
Páginas: 60

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.