Crítica | Doctor Who: O Demônio na Fumaça, de Justin Richards

estrelas 1

Equipe: Madame Vastra, Jenny Flint, Strax, Harry
Espaço-tempo: Londres, algum dia de dezembro antes do Natal; final do século 19.

A 7ª Temporada de Doctor Who foi acompanhada do lançamento de três contos diretamente relacionados à trama de alguns episódios ou mesmo citados nos roteiros televisionados. Assim tivemos, nesse ano, a seguinte tríade:

a) Para o episódio The Angels Take Manhattan foi lançado o conto O Beijo do Anjo;

b) Para o episódio The Snowmen, foi lançado o conto O Demônio na Fumaça;

c) Para o episódio The Bells of Saint John, foi lançado o conto Quando Cair o Verão.

Das três aventuras citadas acima, esta que agora comentamos, Devil in the Smoke, é a única ruim.

Centrada na cidade de Londres em final do século XIX, o conto tem a simpática Madame Vastra, o guerreiro Sontaran Strax e a companheira Jenny Flint como protagonistas, contando também com Harry, um garoto criado em um orfanato e que acaba, sem querer, entrando numa enrascada com um diabólico inimigo escondido na névoa.

Justin Richards já tinha pisado um pouco na bola ao fazer uma aventura intricada demais e um pouco caótica em O Beijo do Anjo, mas ao menos naquela ocasião ele escrevera e organizara com graça a sequência de eventos, tendo a vantagem de contar com uma personagem forte e dramaticamente rica como Melody Malone, o que acrescentou uma boa dose de ironia e cinismo à trama. Mas essa boa sequência de eventos não se repete em O Demônio na Fumaça.

Não é que Madame Vastra e Cia. não consigam segurar bem uma história qualquer, como uma aventura spin-off de Doctor Who. Muito pelo contrário. O trio de amigos mais improváveis da Terra tem humor e diferenças pessoais e de espécie (uma terráquea, uma silurian e um sontaran) de sobra para encabeçar até uma série pessoal, se quiserem. Mas não com uma trama tediosa e pontuada de acontecimentos improváveis como esta de Justin Richards.

O conto até que tem um início animador, com um bom ponto de partida para a ameaça em jogo, um ótimo coadjuvante e a chegada quase imperceptível, embora temida pelo leitor, do inimigo e da morte de alguém na história. Até o momento em que Harry é levado novamente para perto do orfanato, é possível acompanhar a aventura apenas com algumas ressalvas mas com uma boa dose de interesse pelo mistério da mulher “dentro do boneco de neve”. O problema começa justamente quando as respostas malucas surgem.

Além de improváveis, as resoluções apresentadas pelo autor, os fatos envolvendo uma importante personalidade de Londres e um amigo de Harry tornam-se uma afronta ao bom senso do público. O leitor começa a fazer perguntas sobre a possibilidade de certas coisas acontecerem de forma tão medíocre (para não dizer burra) e vai se chateando cada vez mais com as mirabolantes saídas encontradas pelo grupo na luta contra o vilão da vez.

O que se salva na história é o bom trabalho que o autor faz com as personagens (no quesito de psicologia das personagens), dando a Strax, por exemplo, uma excelente composição dramática, algo nem de perto explorado na série televisionada e que amplia de maneira coerente o comportamento e as motivações do sontaran.

A mesma coisa se dá com Madame Vastra e Jenny, que, além de terem o seu destaque pessoal, interagem de uma maneira bastante amigável com o cabeça-de-batata, formando uma parceria capaz até de nos comover, tamanha a disparidade dos envolvidos e a relação amigável que estabelecem. Mas fora esse âmbito, temos em Devil in the Smoke uma trama absurda, com resoluções fracas e conflitos desnecessários para uma aventura que poderia ir por um caminho completamente diferente e, seguindo a linha da sua motivação criativa, contextualizar-se melhor (não apenas em alusão) ao ambiente que o Doutor e trio de investigadores aqui em ação encontrariam no episódio The Snowmen.

Doctor Who: Devil in the Smoke – An Adventure for the Great Detective – Reino Unido, 2012
Autor:
Justin Richards
Editora: BBC Books / e-book
Publicação no Brasil: Editora Suma de Letras, 2014 (coletânea Quando Cair o Verão & Outras Histórias, 188 páginas).
45 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.