Crítica | Dia dos Namorados Macabro (1981)

Dia dos Namorados Macabro

estrelas 3

Quando Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter, foi lançado em 1978, os filmes com misteriosos assassinos mascarados já ganhavam espaço na Itália: eram os predecessores do subgênero slasher, intitulados de giallos. A fórmula chegou aos Estados Unidos e ganhou força de militância de guerra: todo ano dezenas de filmes de terror com adolescentes em perigo, perseguidos por psicopatas, lotavam as salas de cinema de todo o país. Era quase um marketing de guerrilha. No Canadá, algumas produções tentaram copiar a fórmula: Feliz Aniversário Para Mim é um deles, bem como a análise em questão, o sanguinolento Dia dos Namorados Macabro.

Uma das características destes filmes é a escolha dos títulos: na esteira do sucesso do psicopata Michael Myers e da chegada de Jason na continuação de Sexta-Feira 13, numerosos filmes com datas comemorativas chegaram aos cinemas. Natal Sangrento, Reveillon Maldito e até o dia das mães ganhou a sua versão sanguinária. Desta forma, não demorou muito para a chegada do psicopata que atacava jovens no dia dos namorados, em 14 de fevereiro, data diferente das comemorações no calendário brasileiro, realizada por questões comerciais no dia 12 de junho.

Ao invés de cartas de amor e sexo no escurinho de algum drive-in, a noite dos jovens apaixonados deste filme é repleta de gritos de pavor e perseguições por uma trilha de corpos macabra: certo dia, uma caixa de bombons contendo um coração humano chega à delegacia da cidade de Valentine Bluff. É o início de uma jornada dos policiais em busca do estabelecimento da paz que reinava no local. Logo, os envolvidos descobrem que o lendário Harry Warden pode ser o responsável pelos crimes em série. Vestido de mineiro, o criminoso misterioso aparece empunhando uma picareta e destroça personagens que já conhecemos muito bem: os que bebem, aparecem sem roupa ou comportam-se diferente dos padrões que a sociedade impõe.

Em termos de indústria, em 1981, o subgênero slasher entregou ao público uma média de 30 filmes. Os produtores estavam afoitos com os resultados e qualquer roteiro que contasse com um maníaco praticando crimes em alguma data comemorativa era sinônimo de sucesso nas bilheterias, o que quase nunca ocorria com a recepção especializada, profissionais que geralmente encaravam estas produções com asco.

O filme sofreu com a censura, tendo cenas cortadas em diversos países. O campo dos filmes de psicopata já estava iniciando um processo de repetições que iria alcançar a saturação em meados dos anos 1980. Para inovar era preciso chocar com a violência brutal dos assassinatos extremamente criativos.

Ao longo dos seus 85 minutos, Dia dos Namorados Macabro não é muito diferente dos filmes de terror da sua época. Se houvesse um festival de mortes criativas, talvez levasse algum prêmio, mas no que tange aos aspectos da sagacidade do roteiro, fica devendo muito, todavia, é divertido e cumpre a promessa de tornar o dia do amor, dos presentes e da profusão do capital em uma data inesquecível: sangrenta, sádica e mortal.

Dia dos Namorados Macabro (My Bloody Valentine) – Canadá, 1981.
Direção: George Mihalka.
Roteiro: John Beaird.
Elenco: Paul Kelman, Lori Hallier, Neil Affleck, Cynthia Dale, Don Francks, Keith Knight, Alf Humphreys, Jim Murchison, Helene Udy.
Duração: 93 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.