Crítica | “Diane…” Gravações do Agente Cooper em Twin Peaks

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estrelas 4

A estadia do Agente Cooper na cidade de Twin Peaks começou com algo que logo entraria para a lista de hábitos misteriosos dos personagens da série. Sempre portando um gravador de fita K7 — objeto que o acompanha desde os 13 anos, como vimos em A Autobiografia do Agente Especial do F.B.I. Dale Cooper: Minha Vida, Minhas Fitas –, Cooper logo caiu nas graças do público e seu gosto por um boa xícara de café, torta de cereja e o hábito de gravar uma série de coisas de seu dia para a misteriosa Diane tornaram-se momentos esperados a cada episódio do show.

Esta coletânea de gravações publicada pela Simon & Schuster Audio em outubro de 1990, traz trechos dos roteiros de David Lynch e Mark Frost na 1ª Temporada da série e uma porção de novas inserções escritas por Scott Frost especialmente para este lançamento. O áudio aqui serve mais como memória e leves adendos de informação sobre a investigação do assassinato de Laura Palmer do que como aprofundamento real da vida do personagem, padrão que foge um pouco aos lançamentos anteriores da franquia, como O Diário Secreto de Laura Palmer e a já citada autobiografia de Dale Cooper, que, curiosamente, também possui o formato de entradas em fita K7, só que transcritas.

As gravações feitas antes da chegada de Cooper a Twin Peaks são engraçadas e um pouco menos sombrias do que imaginamos lendo sobre a vida dele e mergulhando na atmosfera densa na qual é inserido, ao chegar à cidade. Para quem não teve nenhum contato maior com o seu passado ou informações a seu respeito, além da série, esta é uma oportunidade interessante para conhecer melhor a opinião de Cooper sobre as coisas que o cercam e sobre o crime que investiga; padrões estes que nos ajudam a familiarização com o processo investigativo do agente. Se cruzarmos isso com as informações e caminhos seguidos por ele a partir de Zen, ou a Habilidade Para Pegar um Assassino, é possível ter um mapa bem elaborado de sua metodologia.

A única coisa que faz com que a produção não seja ainda melhor é a pouca exigência da direção na leitura dos atores. Parece que todas as entradas foram finalizadas em um primeiro take, ou seja, são bastante cruas, algumas até bastante canastronas, talvez pela pouca habilidade de Kyle MacLachlan em trabalhar unicamente com audiodramas, uma mídia que exige exposição de sentimentos ainda maior dos atores e atrizes, pois não existe aí o benefício da imagem. E ainda há o peso de termos apenas coisas relacionadas à 1ª Temporada, o que limita um pouco a nossa imersão total no projeto.

Por outro lado, as entradas com atuações questionáveis não chegam a pesar muito sobre a antologia porque todas as gravações são muito curtas. São cerca de 45 entradas, a maioria com menos de um minuto, o que nos dá uma certa tranquilidade em relação aos maus momentos, porque eles passam rápido. Em compensação a esta parte da direção, os efeitos até que são bem executados e a gente tem alguns sons bastante característicos de Twin Peaks, como o da coruja, do vento batendo nas árvores, da cachoeira e trechos de música e conversas dos diferentes grupos de hóspedes que apareciam em praticamente todos os episódios da série, como uma espécie de piada interna. Mesmo não sendo uma obra-prima, esta coletânea de gravações do Agente Cooper é mais uma forma de matar a saudade do personagem ainda jovem e das primeiras semanas de seu contato com o estranho mundo de Twin Peaks.

“Diane…” As Gravações do Agente Cooper em Twin Peaks (“Diane…” – The Twin Peaks Tapes of Agent Cooper) — EUA, 1º de Outubro de 1990
Autores: David Lynch, Mark Frost e Scott Frost
Publicação original: Simon & Schuster Audio
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.